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Yogasanas
Exercícios psicofísicos distribuídos em várias séries e níveis, visando a energização dos chakras.

Yoga Kuruntha (marionete)
Série de exercícios feitos em cordas presas na parede. Propiciam tônus e alongamento muscular.

Pavana Muktasana
Promove a desobstrução das articulações, o resgate e o fortalecimento da mobilidade muscular, reorganiza a função digestiva e melhora fluxo da energia (prana). Indicado em processos reumáticos, desequilíbrio do sistema digestivo, períodos pós-operatórios e para idosos e gestantes.

Yoga Sukhusma
Série de exercícios físicos e respiratórios, associados à concentração, que promovem a desobstrução dos condutores sutis de energia. Indicado para estresse, depressão, ansiedade, inércia e insônia, casos de intoxicação por medicamentos ou drogas, dificuldades de raciocínio e de memória.

Dharana Yantra e Tattva Yantra
Exercícios de concentração e visualização para promover a desobstrução da passagem da energia e energizar um determinado chakra. Relaxam tensões psicossomáticas e são indicados para pessoas que apresentam dificuldades motoras e de concentração.
Meditações tântricas.

Técnicas que promovem o relaxamento físico e mental, a concentração, a visualização e a capacidade reflexiva, harmonizando as ondas cerebrais e o sistema nervoso.
Relaxamentos dirigidos.

Permitem o alívio das tensões, o gerenciamento do estresse e o desenvolvimento da capacidade de usufruir da vida com equilíbrio. Indicados para quem tem dificuldades de relaxar e de manter contato consigo mesmo, além de insônia e perda de concentração.

“Yoga e Ayurveda caminham juntos. Yoga e Ayurveda são antigas disciplinas de vida que tem sido praticadas há muitos séculos na India. Eles são mencionados nos Vedas e nas Upanishads. Yoga é a ciência da união com o Divino, com a Verdade, e o Ayurveda é a ciência da vida. Yoga participa com o Conhecimento e o Ayurveda com a perfeita saúde. Portanto, um yogi que não conhece Ayurveda é um meio-yogi e um terapeuta ayurvédico que não conhece Yoga é um meio-terapeuta ayurvédico. O objetivo do Yoga é a união com o Ser Supremo, mas esta união só pode ser obtida quando você tem um corpo saudável, uma mente saudável e uma consciência saudável. Assim , Yoga e Ayurveda são os alicerces da vida. São as duas faces de uma mesma moeda. Eles são Um. Asana, pranayama, relaxamento, mantra e meditação são algumas das principais prescrições do Ayurveda.”
Dr. Vasant Lad

Segundo o Samkhya – a filosofia pré-védica que embasa o Yoga e o Ayurveda e que classifica e estuda todo o processo da criação do universo – esta criação começa a partir da interação de um princípio espiritual, transcedental – Purusha, com um princípio vital, material – Prakriti.

Fazendo uma analogia, Purusha seria como a eletricidade e Prakriti, a lâmpada. A luz – neste caso a criação – ocorre quando a energia sutil anima a matéria.

Da mesma forma como a luz gerada por uma lâmpada é fruto da interação das três cores básicas – amarelo, azul e vermelho – a Prakriti age na criação manifestando suas três gunas – as qualidades da natureza material : Sattwa , o princípio do equilíbrio, da paz, da pureza ; Rajas , o princípio do movimento, da atividade, da paixão ; e Tamas, o princípio da inércia, da escuridão e da ignorância.

As gunas vão interagir complexa e infinitamente dos níveis mais sutís aos mais densos da criação, do mais espiritual ao mais abissal.

À partir da manifestação das gunas, surge o nível Causal – Mahat – aonde centra-se avidya, a ignorância do nosso estado Uno, que resulta em maya, a identificação equivocada com esta realidade dual. No homem, Buddhi é o intelecto, responsável pela faculdade do discernimento. Localiza-se – usando as duas terminologias hindus que definem os diferentes corpos e dimensões do ser – no Karana sharira (corpo causal) ou ainda em Ananda e Vijñana maya kosha (os “envólucros” da bem-aventurança e do intelecto).

De Buddhi manifesta-se Ahamkara, o ego. Do ego manifesta-se Manas, a mente, o receptáculo de Chitta, a matéria mental, o inconsciente, a memória, de onde advém os Vrittis, os movimentos da mente. Isso tudo localiza-se no Sukshma sharira (corpo sutil) ou em Mano e Prana maya kosha ( os envólucros da mente e do Prana).
Em Pranamaya kosha, aliás, é que se localizam os níveis mais periféricos dos Chakras, as Nadis (condutos de energia) e é aonde os Pranas circulam e atuam.

De Manas, manifestam-se os 5 Tanmatras (5 sentidos : visão, audição, paladar, olfato, tato), os 5 Jñana indriyas (órgãos de conhecimento : olhos, ouvidos, pele, nariz, língua) , os 5 Karma indriyas (órgãos de ação : pés, mãos, bôca, ânus, genitais) e os 5 Mahabhutas (elementos : terra, fogo, água ,ar, éter). Isso tudo localiza-se em Shtula sharira (corpo denso) ou Annamaya kosha (o envólucro do alimento, área de atuação do Jataragni).

Finalmente, da interação dos 5 Mahabhutas surge o Tridosha (os três doshas) :
– Vata, da interação do éter com o ar: dosha frio e seco, e que fundamentalmente controla o movimento.
– Pitta, do fogo com a água: dosha quente, que controla o metabolismo.
– Kapha, terra e água: dosha frio e úmido, que controla a estrutura.

E a infinita e complexa interação destes três princípios reflete o aspecto mais material da criação dos níveis macro ao microcósmico em todos os seres vivos. Os doshas também são a ponte entre nossa mente e nossa fisiologia.

Cada um dos doshas está relacionado a uma essência sutil que o “governa” , fazendo com que estas energias interajam com os outros doshas : Vata está relacionado com o Prana – a energia vital, que se subdivide em 5 pelos outros doshas; Pitta com Tejas ou Agni, o fogo essencial (cujo aspecto mais importante para o Ayurveda é Jataragni, o fogo digestivo) e Kapha com Ojas , a energia mental. Poderíamos dizer, utilizando as palavras de Robert Svoboda, que Prana, Tejas e Ojas são as expressões quintessenciais dos 5 Mahabhutas em sua aplicação à vida encarnada” e que os doshas “são as formas mais grosseiras de Prana, Tejas e Ojas., e também são as formas condensadas dos 5 Mahabhutas”.

As três gunas atuam interagindo-se ampla e profundamente nos e com os três doshas, mas de uma forma geral, Vata relaciona-se mais a Sattwa, Pitta a Rajas e Kapha a Tamas.

Há mais de 5000 anos na India, desenvolveu-se a Medicina Ayurvédica, profundamente embasada na filosofia Samkhya e no Tantra (também de origem dravidiana pré-védica). Nesta ciência, a espinha dorsal é o conhecimento dos doshas e sua atuação no ser humano, tanto física, quanto psicológica , emocional e energéticamente.

À partir deste conhecimento dos doshas , estabeleceu-se tipologias específicas , e à partir daí toda uma metodologia de diagnósticos, dietética, massagens, fitoterapia, farmacologia, etc.

Todas as pessoas apresentam uma interação complexa destes três princípios. O mais comum é predominar um dos doshas, havendo o hábito de ser dizer, por exemplo, que tal pessoa é ” Vata-Pitta” ou ” Pitta-Kapha” . Considerando-se o dosha predominante e o que vem em segundo lugar.

São duas, as classificações consideradas para efeito do levantamento da tipologia pessoal : a prakritti, isto é, a sua configuração dos três doshas por ocasião de seu nascimento, e a vikritti, a configuração que se apresenta agora, neste momento. A sua referência de equilíbrio é a sua própria prakritti. As terapias ayurvédicas estarão sempre ajudando a manter e/ou trazer sua vikritti no nível da sua prakritti.

O dosha Vata é sempre o que mais se desequilibra, geralmente também desequilibrando os outros doshas.

Este perfil pessoal vai apontar entre outras coisas – e o que é, aliás, o assunto central deste texto – os pontos fracos, as vulnerabilidades e fragilidades inerentes aos doshas predominantes, e quando em desequilíbrio.

Predominância Vata ou aumento de Vata, por exemplo, criam vulnerabilidades na área das articulações (artroses, artrites, etc.), dos intestinos (prisão de ventre), tendência para o consumismo, apetite instável, stress, doenças nervosas, dores em geral, medos, insônia, e memória ruim. Como é um dosha frio e sêco, poderá haver tendência a se resfriar, e a ter pele e cabelos sêcos. Tem normalmente estrutura corporal magra e ossuda.
Vata está relacionado aos 5 pranas, pois cada prana é um sob-dosha de Vata (cada dosha tem 5 sub-doshas), ainda assim, tem uma relação mais intensa com os pranas : Prana (aspecto funcional do prana que gerencia os processsos de absorção. Está relacionado ao relacionado ao chakra Anahata – elemento ar – e a glândula timo, que gerencia a respiração, atividade cardíaca, cintura escapular , membros superiores, afetos e sentimentos) e Udana ( É o prana do chakra Vishuddha – elemento éter – e da glândula tireóide, que gerencia voz, garganta, cervical, visão, olfato, audição, todo o cérebro, criatividade, comunicação).

A predominância Pitta ou seu aumento excessivo, poderá acarretar em fragilidade na área estomacal – gastrites – se abusar, pois Pitta come muito bem e em geral digere bem. Tem tendência à irritabilidade, raiva, ódio e ciúme. É o ” pavio curto” , o que aliás também é péssimo para o estômago, aumentando a secreção de ácido clorídrico, tornando-o uma vitima potencial de úlcera. Eventualmente pode ter desarranjos intestinais. Como é um dosha quente, Pitta tem pouca tolerância ao calor. Pitta está relacionado ao prana Samana (prana da assimilação. Relaciona-se ao chakra Manipura – elemento fogo e a glândula pâncreas, que gerencia o calor corporal, a digestão, estômago, intestino delgado, fígado, vesícula, emoção, auto-estima, poder pessoal)

Por fim, a predominância Kapha apresenta forte estrutura corporal, com tendência a obesidade. De apetite voraz, tem tendência a ter glicose e colesterol altos. Dorme muito. Pode vivenciar preguiça, pessimismo, inveja, estados depressivos, e também avareza e mesquinhez.
Kapha tem tendência à criar muito muco, devendo ter cuidado para evitar pneumonias, rinites, sinusites, bronquites. Uma das principais características de Kapha é a oleosidade. Kapha está relacionado aos pranas Vyana (prana da circulação. Está relacionado ao chakra Swadhisthana – elemento água – e às glândulas reprodutoras, que gerencia a circulação dos líquidos pelo corpo, a cintura pélvica, região lombar, sensualidade, sexualidade e reprodução) e Apana (prana da eliminação. Relacionado chakra Muladhara – elemento terra – e as glândulas supra-renais, que gerencia a base, as pernas e os pés, intestino grosso, ânus, excreções de uma forma geral, instinto de defesa, apego).

Então, para ajudar na promoção da saúde e no tratamento das doenças, o Ayurveda utiliza o Yoga como uma das suas mais importantes ferramentas terapêuticas. Aliás, todo o conhecimento – teórico e prático – espiritual, filosófico e terapêutico hindu repousa sólidamente sobre os pilares do Ayurveda, do Yoga, do Tantra e da Vedanta.

Seguindo a premissa ayurvédica de que todo o trabalho deve ser absolutamente personalizado, a Yogaterapia ayurvédica (chamada pelo Dr. Vasant Lad de AyurYoga) vai buscar atuar de encontro às particularidades tipológicas de cada um , utilizando o instrumental do Hatha e do Tantra Yoga – asanas (posturas), pranayamas (respirações), kriyas (limpezas), bandhas (contrações), mudra (gestos energéticos), mantras (vocalizações energéticas), nidra (relaxamento) e meditação – associado á práticas ayurvédicas complementares, tais como massagem, dietética e fitoterapia.

A prática yóguica mais diretamente relacionada com os doshas é a Pavana Muktasana.

Trata-se de uma técnica formada de 4 séries de exercícios físicos e respiratórios :

– A primeira série chamada “anti-reumática” , trabalha mobilizações que movimentam todas as articulações do corpo, desimpedindo o fluxo energético por atuar sobre os chakras auxiliares localizados em cada articulação do corpo. As articulações acumulam toxinas oriundas principalmente de má alimentação. Esta série está relacionada a Vata dosha.
– A segunda série chamada “anti-gastrítica” (Apanasana), trabalha envolvendo principalmente a musculatura abdominal – abdome e plexo solar. Energiza e equilibra o Jataragni. Esta série está relacionada a Pitta dosha.
– A terceira série, energizante (Shakti bandhas), está relacionada a Kapha dosha.
– E a quarta série chamada “trataka”, são exercícios específicos para os olhos.

As técnicas de Pavana muktasana (literalmente “liberação dos ventos” – articulares, estomacais e intestinais) foram resgatadas e recodificadas por Swami Satyananda Saraswati, e podem ser encontradas em seu livro : ” Yogasana, Pranayama, Mudra, Kriya, Nidra” e no livro “Psicologia do Tantra” do prof. Paulo Murilo Rosas.
Pavana Muktasana é excelente para manter e/ou restaurar o equilibrio dos três doshas.

A série de Surya Namaskara (saudação ao Sol) também pode deve ser feita regularmente para equilibrar os doshas. Deve-se apenas observar que esta série , segundo o Tantra, atua energizando especialmente a nadi Pingala (polaridade solar, masculina, quente, positiva). Como Vata e Kapha estão mais relacionados a nadi Ida (polaridade lunar, fria, feminina, negativa) e Pitta a nadi Pingala, as pessoas de Vata e Kapha devem fazer a série de forma bem dinâmica com as respectivas respirações e as pessoas Pitta devem fazer a série bem lentamente com a respiração livre, suave e profunda.

Vata está relacionado com o chakras Anahata (elemento ar) e Vishudha (éter) e necessita de “trabalho de base” para drenar o excesso de energia dos chakras superiores para os básicos .
Vata será beneficiado com a prática de Yoga Sukshma Vyayama (ver “Psicologia do Tantra” , prof. Paulo Murilo Rosas), que aquece e promove “grounding”, trabalhando a energia dos chakras superiores para os básicos (Shristhi krama, ou o Caminho da criação).
Posturas de grounding também são os Trikonasanas e Parshwa Konasana – que também aumentam a capacidade respiratória promovendo a abertura do gradil costal – além dos Guerreiros 1 e 2.
O trabalho de Pavana Muktasana é excepcionalmente benéfico para Vata, especialmente as duas primeiras séries, mas as pessoas que possuem este dosha muito elevado não devem exagerar, pois esta técnica trabalha movimentando a energia dos chakras básicos para os superiores (chamado no Tantra de Laya krama, ou o Caminho da dissolução). Uma solução seria alternar Pavana Muktasana com Yoga Sukshma Vyayama.
Posturas de meditação – dhyanasanas (Padmasana, Vajrasana, Sukhasana, Siddhasana) vão dar segurança e estabilidade para Vata. É o dosha mais beneficiado pelas práticas de concentração e meditação.
Surya Namaskara também é excelente para equilibrar Vata , promover grounding, aquecer e manter as articulações e os intestinos em boas condições.
Trabalhos articulares para a coluna, como o Gato – que pode ser desdobrado de várias formas, vão manter a saúde das articulações vertebrais, raízes nervosas, ligamentos e músculos das costas.
Também são interessantes as posturas de extensão (Bhujangasana, Dhanurasana, Chakrasana, Ustrasana) – para abrir os peitorais e o gradil costal ; de flexão da coluna (Paschimottanasana, Padahastasana, Janushirshasana) para tonificar os intestinos e sedar o sistema nervoso ; e de equilibrio (Vrikshasana, Natarajasana).
E é bastante útil a prática de Mula bandha (contração do períneo) durante as asanas, para tonificar o aparelho excretor e para energizar os dois primeiros chakras básicos.
Pranayamas com ritmo e sem retenções prolongadas – como Anuloma Viloma, respiração completa com krama, respiração quadrada (Samavritti) – são boas para equilibrar Vata.

Pitta dosha será reequilibrado com pranayamas sedantes : Chandra, Chandra bheda, Nadi shodhana, Shitali, Sitkari. e lentas respirações abdominais com ênfase na expiração.
Asanas de compressão do ventre são importantes para sedar Pitta e acalmar o Jataragni, como Paschimottanasana e Matsyendrasana. Inversamente, posturas de extensão (Chakrasana, Ustrasana, Dhanurasana) vão tender a aumentar Pitta e o Jataragni.
O trabalho de Pavana Muktasana – especialmente a segunda série – vai ajudar a equilibrar Pitta.
Pitta também é sedado com posturas de inversão (Viparita karani e Sarvangasana). Posturas de equilíbrio também são importantes para Pitta. É o dosha mais beneficiado pela prática de relaxamento e de Yoga Nidra (meditação composta de relaxamento com visualizações) .
O dosha Pitta é o que está mais diretamente relacionado com Jataragni, o fogo digestivo, porisso são muito úteis os trabalhos com as Kriyas (purificações) Agni sara (limpeza pelo fogo) e Kapalabhati (o sopro do crâneo) e com Uddhyana bandha (se não houver gastrite), feitas sem exagero. Vão equilibrar e manter a boa qualidade do Jataragni. Bhastrika pranayama (o fole) vai aumentar bastante Pitta e o Jataragni. Yoga Sukshma Vyayama também vai tender a aumentar Pitta.

De uma forma geral, os pranayamas – especialmente os com retenções mais longas – vão beneficiar especialmente o dosha Kapha, mantendo o aparelho respiratório em boas condições.
Respiração completa com ritmo (1:4:2:4) e com ênfase nas fases média (intercostal) e alta (subclavicular).
Kriyas de limpeza como Kapalabhati, Agni Sara e Uddhyana Bandha, e pranayamas tonificantes como bhastrika (se o cliente não for hipertenso), Surya e Surya bheda, Ujjayi, feitos moderadamente, são interessantes para Kapha. Este dosha também será muito beneficiado com a prática de asanas de uma forma mais movimentada, como Surya Namaskara ou asanas com vinyasa (asanas dinâmicas preparatórias). Kapha , o dosha da base, da estrutura, está relacionado aos chakras básicos : Muladhara (elemento terra) e Swadhisthana (água). A Pavana Muktasana vai atuar positivamente em Kapha, drenando o excesso de energia da base para os chakras superiores. Já Yoga Sukshma Vyayama, que embora seja uma técnica quente e movimentada – bom, portanto, para Kapha – funciona drenando a energia para os chakras básicos, e não deve ser feita com exagero, preferencialmente alternando-se com Pavana.

Segundo o critério de Langhana e Brimhana – os parâmetros ayurvédicos de classificação e avaliação dos processos da sedação e da tonificação (e que será assunto de um outro texto), dentre as asanas e os pranayamas que tem efeitos sedantes e tonificantes, aqueles que tem específicamente efeito equilibrador e harmonizador para todas as tipologias são : nadi shodhana (a respiração polarizada) e shirshasana (postura sobre a cabeça), esta ultima levando-se em conta suas contraindicações (hipertensão, glaucoma,etc.).

Atualmente, os programas que visam ao tratamento de  pessoas dependentes empregam táticas de confronto, enfatizando a necessidade de vigilância constante para evitar a volta ao hábito nocivo. “O macaco está em suas costas e vai ficar aí o resto da vida”, dizem aos que estão se reabilitando. O raciocínio que leva a essa insistência é de que quem tem um hábito compulsivo nunca se cura, até que se transforme em um abstêmio compulsivo.

O Ayurveda sugere uma outra abordagem: o dependente desistirá automaticamente do hábito quando lhe oferecerem uma fonte de maior satisfação. O álcool, o cigarro e as drogas causam danos incalculáveis, mas os usuários encontram neles algum tipo de prazer ou, pelo menos, o alívio do grande estresse que de outro modo sofreriam. Os dependentes conservam seus hábitos, apesar de desejarem uma saída. Pouco ajudam as crises de culpa, vergonha, remorso e auto-acusação.

Contudo, quando suas mentes se confrontam com uma fonte de maior satisfação, a tendência natural é se afastarem do mau hábito pela nova atração. Há quase vinte anos esse ponto de vista tem recebido apoio. Desde o início dos anos 70, estudos repetidos nos Estados Unidos e na Europa demonstraram que, quando os dependentes aprendem a meditar, baixa o nível de ansiedade e com ele o consumo de álcool, cigarros e drogas. Se o hábito é combatido no estágio inicial, muitos abandonam as substâncias nocivas. Esse ponto é importante porque a maioria das curas tem maior possibilidade de sucesso na fase inicial.
Ao remover a distração do estresse, a meditação renova a memória do equilíbrio do sistema nervoso. A meditação repetida diariamente estimula cada vez mais a memória até as células voltarem ao estado normal, trocando seus receptores anormais por um padrão correto. Como as vias da inteligência estão reparadas, as células passam automaticamente a selecionar sinais saudáveis como antes recebiam os distorcidos. O ciclo rompido pelo hábito nocivo foi refeito.
Vários estudos sobre MT (Meditação Transcedental) e hábitos nocivos levaram às seguintes descobertas:

  • Em 1972, o fisiologista Robert Keith Wallace e seus colegas estudaram 1860 adeptos da MT, principalmente estudantes universitários, sobre o uso de todos os tipos de drogas. O número de usuários diminuiu muito depois que eles passaram a meditar, e isso atingia todas as categorias (maconha, narcóticos, barbitúricos, alucinógenos e anfetaminas). À medida que a prática de MT prosseguia, a dependência dos estudantes diminuía, até a maioria ter abandonado completamente, depois de vinte e um meses. A maconha ainda era usada por 12 por cento do grupo; nas outras categorias havia uma variação de 1 a 4 por cento.
  • Em estudo efetuado em 1974 sobre a maconha, pessoas que meditavam foram comparadas com outras que não meditavam. Depois de um a três meses de prática da MT, cerca da metade de seus adeptos tinha diminuído ou abandonado o uso de drogas; por comparação, menos de um sexto dos que não meditavam tinha diminuído ou abandonado o hábito. Esses resultados aumentavam drasticamente de acordo com o tempo da prática de meditação. Entre os que meditavam há dois anos, 92 por cento diminuíram o uso da maconha e 77 por cento a abandonaram inteiramente. Um estudo similar chegou aos mesmos resultados sobre o álcool.
  • Em estudo efetuado com alunos do curso secundário e universitário (Katz, 1974), foram questionados os hábitos de 150 adeptos da meditação e de 110 estudantes que não meditavam. Constataram-se diminuições importantes no consumo de maconha, vinho, cerveja e bebidas mais fortes entre os que meditavam, enquanto não houve mudança entre os que não meditavam.

Todas essas descobertas se basearam em pessoas que não tinham participado de nenhum programa de reabilitação. Ninguém pediu que abandonassem o hábito, acompanhou os progressos ou premiou sua abstenção. E, principalmente, nenhum participante foi escolhido porque queria abandonar o hábito. Na verdade, no ambiente de estudantes de nível secundário e superior a pressão existe em sentido contrário, valorizando os que abusam do álcool, dos cigarros e das drogas. As diminuições em todo o ambiente estudado sugerem que a redução do estresse e da ansiedade com a elevação do nível de satisfação interior pode motivar os dependentes a abandonarem o hábito.

Um teste de campo mais restrito sobre esse princípio ocorre nas prisões. Vários estudos focalizaram a atuação da MT entre prisioneiros que não têm motivação para abandonar suas dependências. Uma avaliação de cinco estudos desse tipo, em 1978, concluiu que os resultados tinham suficiente importância para merecer uma autorização oficial tornando a MT como um dos tratamentos principais contra o abuso de drogas.

Um estudo feito em 1972 na Alemanha examinou setenta e seis dependentes que participavam de programa de reabilitação. Depois de doze meses de meditação, diminuiu o consumo de todos os tipos de drogas, inclusive heroína, barbitúricos e anfetaminas, considerados os hábitos mais difíceis de abandonar.
Os estudos estatísticos, por sua própria natureza, tendem a ser inexpressivos. Eu gostaria de voltar aos casos individuais, como o que um veterano profissional de reabilitação me contou em Nova York. Ele estava orientando uma adolescente que tinha começado a beber aos 12 anos de idade e aos 15 era alcoólatra. Ela demonstrava grande resistência à reabilitação convencional e, por fim, depois de meses de frustração, o orientador admitiu sua derrota. Quando ele liberou-a do programa, deu um último conselho:
– Por que você não tenta a meditação?
Ela pareceu interessada, mas ele não teve oportunidade de acompanhar o caso.
Alguns anos mais tarde, quando estava em um shopping center, ele reparou em uma moça atraente. Com espanto, reconheceu a adolescente naquela jovem radiante e feliz, com sua filhinha de dois anos, e foi cumprimentá-la.
– O que aconteceu com você? – ele perguntou.
Descobriu que a moça começara a praticar a MT logo depois de largar o programa de reabilitação e tinha parado de beber em poucos meses. Ela elogiou a meditação, que ainda praticava, por ter ficado livre da dependência e até por salvar sua vida, O orientador, desde então, incorporou a MT a seu trabalho, iniciando muitos outros dependentes no mesmo caminho.