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As plantas medicinais vêm sendo utilizadas pela humanidade há milhares de anos. No ocidente a fitoterapia foi a principal fonte de medicamentos até a primeira metade do século XX. As ervas medicinais somente deixaram de ser utilizadas, como origem dos remédios, na segunda metade do século XX com o fortalecimento da indústria farmacêutica associado ao marketing dos remédios feito pelos grandes laboratórios para provar que os medicamentos fitoterápicos eram menos eficientes que as drogas alopáticas.

A Medicina Oriental, como a Medicina Chinesa e o Ayurveda, sempre deu ênfase ao uso terapêutico das plantas medicinais como fonte de medicamentos naturais, mais suaves, porem eficazes e sem os deletérios efeitos colaterais das drogas alopáticas, que muitas vezes tratam uma mazela porem causam outros problemas de saúde. Atualmente é frequente quando o paciente procura ler a bula de um remédio( prescrito por seu médico) surgir uma insegurança, no uso da medicação, devido aos vários efeitos adversos descritos.

Nos últimos anos muitas pesquisas têm sido realizadas, no oriente e ocidente, demonstrando os efeitos terapêuticos das plantas medicinais. Estas descobertas apontam que através da fitoterapia podemos tratar e aliviar as mazelas e enfermidades com muito menos efeitos indesejáveis que as drogas alopáticas. Nós utilizamos as ervas medicinais há mais de 20 anos e observamos que a grande maioria dos pacientes tem um bom resultado com o tratamento. Nós enfatizamos que associado a fitoterapia deve-se ter um dieta saudável pois o alimento é um importante medicamento na visão da Medicina Oriental.

Nós associamos, no tratamento com fitoterapia, as plantas orientais e ocidentais e recomendamos um tempo mínimo de 3 meses de medicamentos fitoterápicos com uma consulta mensal. Após 30 dias é importante reavaliar a medicação, pois temos que, eventualmente, substituir uma erva medicinal, acrescentar uma planta ou até modificar sua dose para aumentar a eficácia do resultado terapêutico. Por isto, no nosso trabalho, a história clínica e o exame físico são fundamentais durante o acompanhamento do paciente.

Nós normalmente utilizamos 3 formas de preparação das plantas medicinais: cápsulas, pós e xaropes. O número de cápsulas que o paciente deve tomar por dia vem escrito no rótulo do medicamento, é recomendável utilizar as cápsulas durante as principais refeições. Os pós vêm envelopados e devem ser misturados em suco de frutas. Os xaropes são mais utilizados em crianças. Recomendamos o trabalho da farmácia Caminhoá ( www.caminhoa.com.br ou tel: (21) 25379943),devido ao seu profissionalismo e ética em mais de 20 anos de experiência com fitoterapia. ( o paciente pode aviar a sua receita em qualquer farmácia de sua confiança).

Ayurveda e a sua relação com a Psicologia

Segundo a tradição indiana milenar conhecida como ayurveda (que significa ciência ou conhecimento da vida), surgido da observação da natureza, não se pode pensar mente e corpo de formas separadas.  Há uma psicologia implícita no ayurveda, que ainda não é o aspecto mais procurado no ayurveda no Brasil, mais conhecido pela sua ligação com a dietética, meditação e yoga.

Sendo um conhecimento voltado para a saúde integral e que faz a prevenção da doença, na medida em que equilibra o indivíduo, obviamente o ayurveda é muito mais do que apenas cuidados com a alimentação adequada a cada pessoa. Apesar da nutrição e dieta serem os aspectos que mais se têm destacado na mídia atualmente, deve-se cuidar também da nutrição, digamos, mental. Por vezes, é mais difícil fazer uma reeducação nos nossos maus hábitos mentais do que cortar alguns alimentos do cardápio e experimentar outros temperos…

Alguns recursos que o ayurveda indica e que auxiliam nesta “reeducação mental”  são a meditação e o yoga. Ambas, nas suas variadas correntes, contemplam a necessidade de cada pessoa. No dia-a-dia, fora das academias de yoga, hábitos de leitura ou programas e filmes a que se assiste também podem influir e agravar um estado mental.

Outro recurso para ajudar a reequilibrar o paciente são as afirmações de cura. Associadas a alguns mantras, podem ajudar a mudar o padrão mental. E não podemos deixar de mencionar a massagem (abhyanga).

E que pontos temos em comum entre a psicologia ocidental e a psicologia contida no pensamento ayurvédico? Talvez seja mais fácil apontar no que se diferenciam… Na Índia, na sua prática, o terapeuta ayurvédico já contempla o aspecto psicológico do paciente. No Ocidente, Medicina e Psicologia têm andado separadas e, como ao psicólogo não é permitido prescrever, o ideal é realizar um trabalho multidisciplinar, em parceria com um médico e um nutricionista da mesma abordagem, para que o paciente esteja amparado.

O profissional de psicologia, na abordagem ayurvédica – como qualquer outro terapeuta da mesma linha – vai tentar nas primeiras entrevistas chegar a um diagnóstico sobre o equilíbrio/ desequilíbrio dos doshas (humores biológicos) no paciente. São três os doshas existentes: vata, pitta, kapha. Tem-se uma constituição, “de nascença”, muitas vezes ancestral. Constantemente saímos do equilíbrio em função do meio ambiente (estresse, dieta inadequada), ou simplesmente pelas mudanças de estação.

A partir daí, são feitas recomendações individualizadas, observando também as qualidades cósmicas (em sânscrito, seriam os gunas: sattva, tamas, rajas). Em cada caso, o psicólogo trabalhará de forma diferente. Um exemplo banal: pessoas que normalmente têm dificuldade de dormir (o que pode ser um sintoma de um dosha desequilibrado), ao assistirem a filmes de ação – ou seja, muito rajásicos – pouco antes de dormir, terão maior dificuldade para conciliar no sono. Ou pessoas muito sonolentas, apáticas, podem estar com predomínio de tamas. E os recursos serão acionados de acordo com cada caso. E, obviamente, ouvindo o discurso do paciente e observando as alterações ao longo do processo psicoterapêutico.

Outro exemplo: no manejo da agressividade do cliente, enquanto várias linhas psicoterápicas frisam a importância de expressar a raiva (característico de rajas), usando técnicas para fazer uma catarse no consultório – no ayurveda, a observação do sentimento/ sensação é o mais importante. Expressá-lo pode mesmo reforçar a sua existência, pelo hábito ou condicionamento. Se nas psicoterapias ocidentais, o ego é o rei, segundo o pensamento ayurvédico, o ego não deve ser nutrido…

A Medicina Ayurvédica apresenta uma visão psico-física das disfunções mentais, ou seja, mente e corpo não podem funcionar separadamente. Melhorias no corpo físico refletem-se na mente e promoção da função psico-emocional influencia positivamente a nossafisiologia. O Ayurveda afirma que existem os Doshas físicos: Vata ( ar e espaço), Pitta ( fogo e água) e Kapha ( água e terra), que atuam principalmente no corpo, mas também ensina que a nossa psique sofre influência dos Doshas mentais denominados: Rajas (paixões e apegos) e Tamas ( inércia e ignorância). O objetivo desta filosofia médica oriental é aumentar na nossa mente a qualidade Sattva ( equilíbrio e espiritualidade), para isto os textos clássicos indianos recomendam as seguintes abordagens terapêuticas:

Yuktivyapasrya (tratamento racional), Satvavajaya (abordagem da psico-terapia), Daivavyapasrya (terapia espiritual) e por último a prática regular e bem orientada do Yoga.

O Yuktivyapasrya é o tratamento racional e depende do diagnóstico adequado associado a definição e consequente eliminação da causa do adoecimento. Nesta metodologia utiliza-se: terapias purificadoras, dieta individualizada de acordo com o desequilíbrio vigente, massoterapia com óleos vegetais, indicação de uma rotina diária de hábitos saudáveis, desde o acordar até a hora de dormir, de acordo com a estação do ano e a desarmonia do paciente. Os medicamentos a base de plantas medicinais estão indicados para promover o equilíbrio mente-corpo, entre eles destacam-se: Brahmi ( Bacopa monieri) e Ashwagandha (Withania somnifera), ervas com atividade anti-estresse, antidepressivas e ansiolíticas.

O Satvavajaya é a metodologia de tratamento baseada na psicoterapia, o objetivo é aumentar a qualidade Sattva ( equilíbrio e espiritualidade) e diminuir as qualidades Rajas ( paixões e apegos) e Tamas ( inércia e ignorância) da nossa mente. Esta abordagem da psicoterapia gera força de vontade, aumento do autocontrole e desapego. Sem o autodomínio nós ficamos a mercê de nossos desejos e aversões e somos meros personagens no roteiro de nossas vidas. Os sábios orientais ensinam que devemos nos tornar autores do nosso destino através da autodeterminação que surge do desenvolvimento do poder da vontade.

O Daivavyapasrya é a terapia espiritual que utiliza diversas ferramentas terapêuticas sutis e energéticas no tratamento dos desequilíbrios psico-emocionais. Na tradição indiana nós encontramos os seguintes métodos: tratamentos com mantras específicos, Homa (rituais associados a preces e oferendas), Niyama ( pureza, contentamento, ascetismo, estudo e devoção ao senhor), peregrinações a lugares sagrados, jejum como meio de auto-purificação e o jyotish ( astrologia hindu) associado a indicação do uso de metais, pedras preciosas e semi-preciosas de acordo com o mapa astrológico.

Por último enfatizamos a prática de Yoga, regular e diária, com orientação de profissional experiente. A meditação do Yoga é uma importante ferramenta no treinamento da mente e na transmutação dos samskaras; tendências condicionadas do nosso pensamento e ação que estão enraizados profundamente no nosso inconsciente através da repetição, por vários anos, de um padrão mental. Os samskaras promovem “canyons” de sinapses neurológicas que tornam a nossa dimensão psico-emocional dependente de determinados padrões. Isto nos leva a ter as mesmas reações em situações semelhantes, muitas vezes deletérias ao sistema mente-corpo. A transformação destes condicionamentos necessita de um “estar atento” e neste sentido a meditação do Yoga é uma metodologia que necessita de regularidade, persistência e paciência. Terminamos com as palavras de Sri Ramakrishna, um dos maiores mestres e místicos da Índia moderna:

“ Mergulhe profundamente, ó mente, mergulhe profundamente No Oceano da Beleza Divina;
Se você descender as profundezas extremas
Lá, você encontrará a gema do Amor…”