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O ayurveda é um sistema holístico que integra corpo, mente e espírito. Sendo a ciência da vida, ou conhecimento da vida, o terapeuta ayurvédico originalmente deve ser capaz de cuidar do ser humano em sua inteireza. No entanto, no Ocidente, ainda não há uma formação reconhecida pelo MEC. Nossos cursos de graduação ainda não contemplam esta filosofia e, até o momento, nos cursos de Psicologia e Medicina, no Brasil, não há uma disciplina voltada para as filosofias orientais. Se alguma existir, provavelmente ainda é eletiva.
Sendo assim, falar em uma Psicologia Ayurvédica parece totalmente estranho à maioria dos clientes e dos profissionais. É um desafio conciliar práticas e conceitos orientais, em essência muito diferentes daqueles adotados pela maioria dos psicoterapeutas no consultório.
No Brasil, praticar Psicologia com base no ayurveda implica em um trabalho multidisciplinar, já que alguns dos recursos ayurvédicos competem a áreas em que não é permitido ao profissional atuar. E que recursos são estes? O ayurveda engloba meditação, yoga, massagem, dieta, astrologia védica, mantras, gemoterapia, aromaterapia, dentre outros recursos. A visão sobre os problemas e como lidar com eles é diferente da Psicologia tradicional e assim o  papel do psicoterapeuta ocidental também é muito diferente daquele que, na sociedade oriental, o terapeuta ayurvédico desempenha. Por lá, é considerado, muitas vezes como um mestre, reverenciado até.
De uma forma resumida, podemos dizer que o ayurveda, no que diz respeito a equilibrar a mente vai utilizar terapias exteriores (como dieta, aromaterapia, gemoterapia) aliadas a algumas internas (meditação).

Ayurveda e a sua relação com a Psicologia

Segundo a tradição indiana milenar conhecida como ayurveda (que significa ciência ou conhecimento da vida), surgido da observação da natureza, não se pode pensar mente e corpo de formas separadas.  Há uma psicologia implícita no ayurveda, que ainda não é o aspecto mais procurado no ayurveda no Brasil, mais conhecido pela sua ligação com a dietética, meditação e yoga.

Sendo um conhecimento voltado para a saúde integral e que faz a prevenção da doença, na medida em que equilibra o indivíduo, obviamente o ayurveda é muito mais do que apenas cuidados com a alimentação adequada a cada pessoa. Apesar da nutrição e dieta serem os aspectos que mais se têm destacado na mídia atualmente, deve-se cuidar também da nutrição, digamos, mental. Por vezes, é mais difícil fazer uma reeducação nos nossos maus hábitos mentais do que cortar alguns alimentos do cardápio e experimentar outros temperos…

Alguns recursos que o ayurveda indica e que auxiliam nesta “reeducação mental”  são a meditação e o yoga. Ambas, nas suas variadas correntes, contemplam a necessidade de cada pessoa. No dia-a-dia, fora das academias de yoga, hábitos de leitura ou programas e filmes a que se assiste também podem influir e agravar um estado mental.

Outro recurso para ajudar a reequilibrar o paciente são as afirmações de cura. Associadas a alguns mantras, podem ajudar a mudar o padrão mental. E não podemos deixar de mencionar a massagem (abhyanga).

E que pontos temos em comum entre a psicologia ocidental e a psicologia contida no pensamento ayurvédico? Talvez seja mais fácil apontar no que se diferenciam… Na Índia, na sua prática, o terapeuta ayurvédico já contempla o aspecto psicológico do paciente. No Ocidente, Medicina e Psicologia têm andado separadas e, como ao psicólogo não é permitido prescrever, o ideal é realizar um trabalho multidisciplinar, em parceria com um médico e um nutricionista da mesma abordagem, para que o paciente esteja amparado.

O profissional de psicologia, na abordagem ayurvédica – como qualquer outro terapeuta da mesma linha – vai tentar nas primeiras entrevistas chegar a um diagnóstico sobre o equilíbrio/ desequilíbrio dos doshas (humores biológicos) no paciente. São três os doshas existentes: vata, pitta, kapha. Tem-se uma constituição, “de nascença”, muitas vezes ancestral. Constantemente saímos do equilíbrio em função do meio ambiente (estresse, dieta inadequada), ou simplesmente pelas mudanças de estação.

A partir daí, são feitas recomendações individualizadas, observando também as qualidades cósmicas (em sânscrito, seriam os gunas: sattva, tamas, rajas). Em cada caso, o psicólogo trabalhará de forma diferente. Um exemplo banal: pessoas que normalmente têm dificuldade de dormir (o que pode ser um sintoma de um dosha desequilibrado), ao assistirem a filmes de ação – ou seja, muito rajásicos – pouco antes de dormir, terão maior dificuldade para conciliar no sono. Ou pessoas muito sonolentas, apáticas, podem estar com predomínio de tamas. E os recursos serão acionados de acordo com cada caso. E, obviamente, ouvindo o discurso do paciente e observando as alterações ao longo do processo psicoterapêutico.

Outro exemplo: no manejo da agressividade do cliente, enquanto várias linhas psicoterápicas frisam a importância de expressar a raiva (característico de rajas), usando técnicas para fazer uma catarse no consultório – no ayurveda, a observação do sentimento/ sensação é o mais importante. Expressá-lo pode mesmo reforçar a sua existência, pelo hábito ou condicionamento. Se nas psicoterapias ocidentais, o ego é o rei, segundo o pensamento ayurvédico, o ego não deve ser nutrido…

Na anamnese feita ao início da psicoterapia, detectamos no  discurso do cliente, e pelos sintomas, cada vez mais a presença da  ansiedade. Antes de buscar ajuda psicoterápica, muitos buscaram tratamento exclusivamente medicamentoso, para dar uma ‘acalmada’. Quando se dão conta de que a medicação não soluciona todos os seus problemas, procuram então  psicoterapia. Ao chegar ao consultório psicológico,  vários anos podem ter se passado desde o início do problema, após terem tentado vários remédios, depois de muito sofrimento. Dependendo do grau de autoconhecimento, a pessoa já percebe que a ansiedade origina sua insônia, tem relação com transtornos alimentares (tanto compulsões alimentares como anorexia ou bulimia), crises conjugais (incluindo também as disfunções sexuais) ou insatisfação profissional, dentre outras tantas queixas.

Enfim, a ansiedade é pervasiva e pode atrapalhar toda e qualquer relação – seja  profissional, familiar ou amorosa. E em que momento do nosso dia ela aparece? Às vezes, ao sair da cama, já se sai ansioso, estressado com a possibilidade de enfrentar o trânsito, chegar atrasado, pensando nas inúmeras tarefas que terá de enfrentar ao longo do dia.  Fazem suas refeições “pilhadas” (quando fazem!). Rumam – ansiosas – pra escola ou para o trabalho. Ao enfrentarem engarrafamentos (o que é cada vez mais comum, nos centros urbanos), chegam onde têm de estar em um nível de ansiedade alto. Não é de se estranhar que, em casa, a ansiedade também as acompanhe na hora de dormir – é o mesmo trânsito, no sentido inverso e provavelmente deixou pendências pro dia seguinte. Não é de se estranhar que haja tantos casos de insônia – e tantos fármacos vendidos para combatê-la. Mas não é só! Como já dito inicialmente, a ansiedade também pode atrapalhar a vida conjugal:  quando atrapalha a comunicação ou quando resvala para a sexualidade do casal,  graças à ansiedade de desempenho. Sim, ela existe! É quando o homem ou mulher acham que tem de estar sempre prontos para o ato sexual, cumprindo o ‘checklist’ de pessoa ‘saudável’.

Já  que erradicar totalmente a ansiedade é praticamente impossível, deve-se procurar aprender a manejá-la. Já se descobriu que uma pequena dose de ansiedade pode ser mesmo desejável, para tirar a pessoa da inércia, colocando-a em movimento. ”Manejar” para não se deixar dominar ou paralisar por ela.

Pesquisadores acadêmicos têm percebido e divulgado que a meditação é um importante recurso natural no combate à ansiedade. Antes restrita a  alguns grupos ‘religiosos’, atraiu a atenção dos cientistas. Com tantas pesquisas comprovando seus benefícios, céticos descobriram que a meditação não é apenas para quem é místico. Ateus ou agnósticos também podem praticá-lá e se beneficiar – inclusive aqueles executivos estressados. Os que conseguem, abrir um espaço na agenda (e na mente), ganham muito com a prática e a recomendam. Então, “medita che te fa bene” .

Cada vez mais, os psicoterapeutas (principalmente da abordagem cognitivo-comportamental) ensinam o mindfulness à sua clientela. Oriundo das técnicas de meditação budistas para reduzir a ansiedade, e sem cunho religioso, tem por objetivo focar no aqui e agora, Observando e aceitando o fluxo dos pensamentos, com a mente no momento presente, suspende-se o juízo de valor. Parece simples, mas alguns pacientes ainda resistem. Aqueles mais flexíveis percebem que a ansiedade reduz bastante – dependendo da prática.

E por que reduz? Porque basicamente a ansiedade nos projeta para o futuro, tentando antecipá-lo, adivinhá-lo. Ou apenas prevê-lo, o que às vezes é impossível. Muitas vezes se vê o futuro como ameaçador. A meditação traz a pessoa para o aqui e agora. É uma mudança no padrão.

Elege-se um foco – que pode ser um objeto, uma palavra, um som ou ainda a respiração, dentre outros. A concentração sobre o objeto foco e a simples observação dos pensamentos, que invadem a mente, mas não são alimentados, ajudam a pessoa a se distanciar dos problemas do dia-a-dia. Não estimulando o fluxo do pensamento nem a imaginação, consegue-se um grande relaxamento e também se melhora a concentração – permitindo que a vida possa ser analisada sob outra perspectiva.

Como principal benefício, desta mudança de foco, espontaneamente surgem soluções para problemas, mesmo que não tenha sido este o objetivo ao parar para meditar. Vale a pena o esforço para estabelecer a prática, já que os benefícios são permanentes e preventivos. View Profile: jwilliams – Casinomeisters Online Casino and Poker Forum- Free Slots