Posts

Com a rotina cheia e muitos prazos a cumprir, facilmente nos sentimos estressados e entediados. Podemos produzir muito, mas corremos o risco de perder o sabor de nossas conquistas. Por isso, quando caímos na sensação de que a vida ficou sem graça, é hora de fazer algo para recuperar seu frescor.

O que lhe dá a sensação de encanto pela vida? Escutei respostas como: despertar de bem com a vida, compartilhar descobertas ao participar de uma rede interdependente de pessoas e eventos, enfrentar os erros e acertos com a intenção de se conhecer e se aprimorar, ter contato com a natureza e relacionar-se com bebês, ler um bom livro e estar com amigos.

Em outras palavras, o que gera encanto pela vida é manter um estado aberto para a existência. Isto é, deixar-se surpreender pelas pessoas, lugares, ideias, sentimentos e emoções. Quando estamos abertos ao mundo, deixamo-nos ser atravessados pelas experiências à medida em que elas surgem. O ponto mais importante aqui é compreender que este “atravessamento” só pode ocorrer quando há espaço em nós para deixar o outro entrar.

Quanto mais receptivos estivermos para o outro, mais ele poderá nos oferecer. Neste sentido, quando perdemos o encanto pelo mundo e temos um sinal de que estamos demasiadamente ego-centrados: tornamo-nos o centro do mundo. Ao usarmos a nós mesmos como referencial de percepção do mundo, passamos a nos comparar demasiadamente com tudo e todos.

Quando nada mais nos surpreende, é sinal de que já estamos tão fechados e rígidos em nossos hábitos e crenças que perdemos a abertura necessária para nos deixarmos ser tocados pelo desconhecido. Estamos cheios de “nós mesmos”!

Com o domínio do mundo tecnológico perdemos o contato entre as pessoas. O excesso de automatismo tornou nossos relacionamentos tão superficiais que perdemos a profundidade humana sem nos darmos conta. Apenas quando reconhecemos a fragilidade dos vínculos afetivos, como a falta de um comprometimento num relacionamento, confiança e respeito, é que paramos para pensar onde erramos. Cabe ressaltar que este já não é mais um erro pessoal, é um risco coletivo!

Uma vez que a automatização nos distanciou da realidade externa, ficamos “desconectados” pelo excesso de conexão superficial. A superficialidade e o automatismo nos tornaram áridos, sem brilho existencial. Pelo excesso de conhecimento e informações e não de experiências, pensamos mais do que vivenciamos. No entanto, a experiência de vivenciar o conhecimento é que dá o prazer de conhecer algo.

Segundo o mestre budista Lama Yeshe, nos tornamos inseguros ao desenvolvermos um conhecimento intelectual que não é capaz de tocar nossa experiência interna. Ele dizia: “Muita gente adquire um incrível entendimento intelectual do budismo com facilidade, mas este entendimento é estéril se não fertiliza o coração.” Desta forma, Lama Yeshe estava nos alertando para não deixarmos nossos pensamentos tornarem-se mecânicos pois se isso ocorrer eles deixarão de produzir algo que nos despertará interiormente. Com a nossa espiritualidade não é diferente.

Portanto, se quisermos recuperar o encantamento pela vida, teremos que nos abrir para sermos transformados pelas experiências que a vida nos oferece. Sejam elas agradáveis ou não. Desta forma, aceitamos lidar tanto com o prazer como com a dor.

A vida tem sua graça quando há um constante senso de interesse e curiosidade. Superar nosso medo da abertura é um obstáculo que teremos inevitavelmente que enfrentar. Mas, lembre-se: essa dificuldade não é só sua!

Para que possamos ter mais graça na vida precisamos tomar consciência de si. O objetivo da psicoterapia é tomar consciência de si, do outro e do mundo, o sujeito torna-se cônscio de seu projeto de vida, de como esse projeto vem sendo realizado, se está de acordo com o que se pretendia para sua vida e a vida ao seu redor. A revelação do cliente é esclarecedora.

A psicoterapia é um convite a experenciar (viver uma experiência nova ou velha), entrar em contato no aqui-e-agora, se conhecer como humano. É um caminho e uma forma de você expressar-se diante da vida, de encontrar um modo particular de estar no mundo e saber lidar com ele.

Sofremos muito na busca da perfeição. Esquecemos que são justamente as nossas diferenças que fazem a diferença. Quando nos encontramos em sofrimentos, paralisados, e não sabemos pedir ajuda, ficamos tristes e são sabemos o porquê. Temos muita dificuldade em pedir ajuda. A maioria das pessoas prefere estar sempre a disposição para oferecer ajuda, mas nem sempre se abre para receber. Para muitos, precisar dos outros é mostrar-se fraco, quando o sofrimento chega e se constata que não basta ser auto-suficiente.
O mestre Paramahansa Yogananda nos fala: “Ao analisar o que você é, tenha o firme desejo de eliminar suas fraquezas e transformar-se no que deveria ser. Não se permita desanimar com imperfeições que são comumente reveladas através de uma auto-análise sincera”.
Importante reconhecer que quando buscamos nos conhecer, nos deparamos com fortes resistências, devido a uma construção de uma auto-imagem que nem sempre é a verdadeira, mas foram as ferramentas que precisamos para nos construir e sobreviver no mundo. Construímos idéias sobre nós mesmos porque precisamos nos adaptar e ser aceitos nos locais onde vivemos e nos relacionamos. Mas como lidar com isto?
Falar das coisas que nos incomodam como os nossos vícios, e dos nossos objetivos que parecem inatingíveis é reconhecer que muitas vezes sentimos inveja, ciúmes e pensamos mal das pessoas – este não é um tema atual. Isto é a nossa sombra. A sombra é só mais um termo específico para o nosso lado sombrio, lado que tentamos esconder das pessoas ao nosso redor a até de nós mesmos. Este efeito sombra acontece quando tudo aquilo que abrigamos e escondemos em nosso lado sombrio vem à tona. E o pior: as pessoas veem – sofremos e nos escondemos – do outro e nós mesmos. Mas, precisamos fazer as pazes com a gente.
Não há como lutar contra a sombra, ela não pode ser derrotada. Devemos identificá-la, conhecê-la a fundo e fazer as pazes com ela, nos perdoar, pois nela está cada sentimento obscuro e reprimido que ela abriga. O ser humano só tem acesso a sua natureza sombria quando tem a intrepidez necessária para mergulhar em si mesmo e empreender a imprescindível jornada de auto-conhecimento, processo que pode ser facilitado pela psicoterapia, mas que assim mesmo cabe a cada um realizar.
Geralmente, porém, as pessoas têm medo de olhar para si mesmas, de se verem como realmente são, e assim transmutar o que pertence ao campo das sombras. Normalmente prefere projetar no outro aquilo que ele rejeita em si mesmo, daí a importância de analisar com lucidez os aspectos da própria personalidade que são comumente transferidos para outras pessoas e situações.
Minha tarefa como psicoterapeuta desenvolve o lugar da escuta e percepção, onde minha sombra é refletida no outro e a do outro em mim. Uma dialética que necessita distinguir o que é meu do que é do outro. Escuto para ajudar o paciente a perceber uma saída para as situações de sofrimento e conflito. Vejo em meus pacientes uma vontade enorme para conseguir a aprovação dos outros, rejeitando o que nós acreditamos não ser aceitável para os outros e que, por esta razão se converteu em rejeitável para eles próprios – quando é dito sobre a pessoa o que ela rejeita, imediatamente ela transfere para o outro. Esse não aceitável tanto pode ser positivo como negativo. É positivo quando neste mecanismo eu me vejo, é negativo quando nego me ver e desenvolvo emoções destrutivas para mim e para o outro. Por tanto a sombra está configurada por tudo aquilo que não se encaixa com a imagem que nós próprios acreditamos e que queremos dar aos outros, não encaixa com as expectativas que acreditamos terem aquelas pessoas às quais queremos agradar, para conseguir a sua aprovação e carinho, ou então, não encaixam com os “princípios” que escolhemos para nós próprios.
Bem, desta forma, pedir ajuda é confrontar estas idéias que acreditamos ter – não precisamos de ninguém – somos auto-suficientes. Pedir ajuda seria manchar a imagem que criamos de super-heróis. Busco sempre, no site terapêutico, orientar que quando nos aceitamos como somos as coisas ficam mais simples. Tento explicar que é através do coração, do amor, da religiosidade que poderemos educar a nossa mente. Paramahansa Yogananda nos fala:
Um segredo para o progresso é a auto-análise. A introspecção é um espelho no qual se vê os recônditos da mente que, de outra forma, permaneceriam ocultos. Faça o diagnóstico de suas falhas e separe as suas boas e más tendências. Analise o que você é, o que deseja tornar-se e quais são as fraquezas que estão obstruindo o seu progresso.
Finalizando trago um questionamento: por que meus defeitos me incomodam? E deixo uma reflexão. Ser melhor para se sentir melhor depende da forma como você, eu, nós todos, nos vemos e encaramos as nossas dificuldades e o que efetivamente aprendemos com elas. Ser melhor dependerá da maneira como se interpretam os problemas que mais se repetem à nossa volta, causados pelo efeito sombra. E que continuarão acontecendo até que assimilemos o que precisamos aprender.

A ansiedade é um conjunto de características fisiológicas e mentais do ser humano para preparar o organismo para reagir a estímulos desconhecidos. Estes processos permitem a adaptações as alterações do ambiente e são benéficos. Porem se estes mecanismos excedem os limites aceitáveis passarão a ser prejudiciais ao organismo gerando transtornos ansiosos além dos níveis fisiológicos normais. Esta é a chamada ansiedade patológica que pode gerar uma série de distúrbios: síndrome do pânico, fobias, transtorno obsessivo-compulsivo ou TOC, hipocondria, hipertensão arterial, palpitações, dificuldade de memória e concentração, insônia, doenças psicossomáticas, decréscimo nas habilidades sociais, alterações digestivas, angústia, fadiga e até depressão.

A ansiedade patológica com seus vários sintomas associados é um sério problema na sociedade moderna e estima-se que acometa 1/8 da população, ou seja, 750 milhões de pessoas em todo planeta.

Os especialistas apontam uma série de causas nos distúrbios de ansiedade, destacam-se: fatores hereditários, desequilíbrio químico-cerebral, personalidade, experiências de vida e o estilo de vida contemporâneo com muitas atividades, excesso de estímulos eletro-magnéticos ( computador, celular, televisão), poucas horas de sono com muito trabalho e dieta inadequada com abuso de alimentos ricos em cafeína ( café, chá preto, mate, refrigerantes, chá verde, chocolate e bebidas energéticas). O tratamento dos distúrbios da ansiedade na medicina ocidental é feito com ansiolíticos ( benzodiazepínicos) e antidepressivos.

Estes medicamentos atuam no sistema nervoso central, apresentam importantes efeitos adversos e alguns destes remédios podem causar dependência ao  O Ayurveda, filosofia médica da milenar tradição indiana, afirma que a ansiedade está relacionada, principalmente, ao Dosha Vata, composto pelos elementos éter (espaço) e ar. Estes elementos também relacionam-se com a nossa mente devido a isto Vata tem uma enorme conexão com os processos mentais.

A Medicina Ayurvedica ensina que para equilibramos nossa mente devemos harmonizar o Dosha Vata e neste sentido indica várias ferramentas terapêuticas naturais: fitoterapia, dieta individualizada, sudação (swedana), oleação através de massagem com óleos medicinais (abhyanga), eliminação de toxinas, prática orientada de Yoga e meditação regularmente e uma rotina de hábitos saudáveis compatível com a nossa constituição e condição vigente.

Na nossa experiência clínica o uso terapêutico das plantas medicinais é uma forma natural de equilibrar o Dosha Vata e tratar os associados distúrbios de ansiedade. Na fitoterapia ayurvedica destaca-se o Brahmi ( este nome vem de Brahma, o criador do universo) ou Bacopa moniera utilizada na Índia há centenas de anos para tratar as alterações mentais e emocionais.

Apresenta as seguintes propriedades terapêuticas: sedativa, promove o intelecto e a mente, antidepressiva, imunomoduladora (beneficia o sistema imune), equilibra os Doshas, rejuvenescedor do sistema nervoso (rasayana), antioxidante, anti-inflamatória e antiespasmódica. No oriente esta erva medicinal tem sido utilizada nas seguintes alterações: ansiedade, depressão, hiperatividade e déficit de atenção (TDAH), distúrbio de concentração e memória, demência senil, doenças psicossomáticas, neurastenia (fadiga mental), insônia e tensão emocional. Nós enfatizamos que associado ao tratamento com fitoterapia o paciente deve, necessariamente, seguir uma dieta natural, equilibrada e saudável que promove Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha, clínico geral, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy.