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O Ayurveda e a Meditação
O Ayurveda é a filosofia médica oriental que foi desenvolvida no subcontinente indiano há muitas centenas de anos. Nesta racionalidade a mente e o corpo sempre estiveram interligados pois benefícios ao físico influenciam positivamente a nossa dimensão mental e a bem estar psicoemocional promove harmonia a fisiologia. Afirma-se que o ser humano é uma árvore invertida, se o objetivo é melhorar as flores e frutos deve-se atuar na raiz da planta. A raiz da pessoa está no sistema nervoso e para acessá-lo deve-se abordar a mente e através da dimensão mental atuamos no cérebro. Isto demonstra claramente que não adianta recomendar medicamentos para a doença física sem abordar os distúrbios mentais que invariavelmente estão associados. O Charaka Samhita, principal texto de clinica medica ayurvedica, afirma “ O corpo e a mente constituem o substrato das doenças e da saúde e é a sua utilização equilibrada que torna-se a causa da felicidade”.
A tradição indiana afirma que a mente possui três grandes qualidades ou mahagunas em sânscrito: Sattva traz equilíbrio, paz de espirito, introspecção e autoconhecimento, Rajas promove paixões, desejos, movimento e ação porem Tamas gera inércia, escuridão, preguiça e embotamento. Apesar de ser claro a necessidade das 3 qualidades para nossas atividades diárias o Ayurveda recomenda que deve-se aumentar Sattva e diminuir Rajas e Tamas. Mais uma vez retornamos ao Charaka que ensina: “ Os fatores patogênicos do corpo são os Doshas Vata, Pitta e Kapha, enquanto as causas do adoecimento da mente são Rajas e Tamas”. Mais adiante este autor refere; “ … os fatores patogênicos da mente são apaziguados por sabedoria espiritual, estudo das escrituras, paciência, memória e meditação”.
Desde os anos 1970 que a ciência ocidental vem explorando os benefícios físicos e mentais de uma prática regular e bem orientada de meditação. Foram realizadas centenas de pesquisas, em muitos países, que apontaram para os seguintes efeitos positivos do método: maior estabilidade emocional, aumento da espontaneidade, diminuição dos quadros de ansiedade e depressão, redução da dependência por drogas, benefícios importantes para a memoria, inteligência e a criatividade, desenvolvimento da concentração, melhora a qualidade do sono, aumenta a vitalidade, diminui a pressão arterial em hipertensos, redução de estresse e doenças psicossomáticas, alivio de dores crônicas, melhora o tempo de resposta e a coordenação e diminuiu a frequência dos quadros de asma e reações alérgicas. Lawrence Leshan autor do livro “ How to Meditate” afirma de forma contundente: “…A meditação parece produzir um estado fisiológico de relaxamento profundo conjugado a um estado mental desperto e altamente alerta…O estado fisiológico produzido pela meditação parece ser oposto ao estado produzido pela ansiedade ou pela raiva”.
O autor Victor N. Davich no seu interessante livro “ O Melhor Guia para a Meditação” afirma “ Quanto mais meditação fizer mais você irá entrar em contato consigo mesmo e por conseguinte mais consciente ficará do que faz a cada momento” . A meditação silenciosa é a arte do autoconhecimento mas para atingirmos o estado de meditação profunda é necessário uma regularidade diária na prática e também, não menos importante, a orientação de um professor experiente e bem intencionado. Algo que funciona para mim é ter um cantinho de meditação e me comprometer a sentar diariamente, duas vezes ao dia, manha e noite neste espaço. Mas porque duas vezes ? A meditação da manhã prepara a mente para as atividades do dia, porem a introspecção noturna dissolve as ansiedades e tensões provenientes do estresse diário e promove um sono mais reparador. O melhor é praticar antes das refeições ou pelo menos duas horas após a comida. As melhores meditações que eu tive foram com fome, ou seja, com o estomago totalmente vazio.
Afirma-se que “a repetição é a mãe da habilidade” e este ditado esta relacionado a pratica da meditação. Quanto mais eu pratico melhor fica a minha introspecção. Na minha rotina diária utilizo duas metodologias: a respiração e o uso do mantra. A respiração é algo que está disponível a todos o que torna-se simples porem muito eficaz. Já o mantra é uma ferramenta poderosa para a transcendência. Na Índia quando o aluno recebe o mantra do professor é chamado de “guru-mantra” e este som deve apenas ir da boca do preceptor para o ouvido do estudante, ou seja, não deve ser divulgado. Meu instrutor indiano me ensinou a repetir o mantra 108 vezes a partir do ajna chakra ou terceiro olho. Com a repetição da pratica a mente torna-se mais calma, uma mente tranquila é mais concentrada e o aumento da concentração gera uma mente muito mais eficiente. Então além de melhorar a saúde física e mental a meditação também deixa a mente mais eficiente e melhor capacitada a resolver problemas. Termino com as palavras do incomparável mestre Yogananda autor do belíssimo livro “ Autobiografia de um Iogue” : “ Mergulhe novamente e novamente no oceano da meditação e capture as pérolas da comunhão abençoada”.
Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha, médico de família, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Tel: (21) 25373251, Visite: www.ayurveda.com.br

A Origem do Yoga

A argumentação arqueológica mais recente contesta os antigos arqueólogos. A nova geração de arqueólogos, que utiliza a arqueologia processual como método de trabalho, concebe que “uma civilização é produto de um longo processo de evolução e mudança cultural que envolve longos períodos de tempo e amplas extensões de terra, e não algo que acontece da noite para o dia”.
Esta nova metodologia traz com total clareza a continuidade, entre as culturas Indus-Sarasvatí e do Ganges. Essa continuidade é evidente na tradição oral, na cosmogonia, na linguagem e nos sistemas de pesagem e medição.
Descobriu-se recentemente ruínas da cidade de Mehgahr, cujas origens estão localizadas no período entre 8215 e 7215 a.C.. Foi revelado o uso do cobre, o plantio de cevada e a criação de gado no cercado; estes são alguns elementos da cultura Védica. Tudo isto, juntamente com o achado de alguns altares domésticos de culto ao fogo em Harappa e Mohenjodaro, entre outras, derruba a argumentação dos primeiros arqueólogos, que afirmaram que o cavalo foi levado a esta região através dos invasores Arianos, por volta do ano de 1500 a.C.. O curioso é que há pouco tempo encontrou-se ossos eqüinos em assentamentos humanos anteriores ao surgimento da cidade de Harappa e o Rig-Veda, que é datado de 5000 a.C., descreve através de hinos o amor do povo pela terra que sempre habitaram — o clima, a geografia, a fauna e a vegetação que coincidem com os da Índia Setentrional. Nestes hinos são feitas inúmeras citações ao cavalo e à sua utilização, o que reforça a continuidade entre as culturas do vale do Indo e a Védica, não havendo nenhum registro da tal invasão, nem na memória coletiva, nem nas tradições dos descendentes dos supostos derrotados, os Drávidas.

Existe um número enorme de argumentos que desmontam a versão dos primeiros arqueólogos; a manipulação dos mitos de qualquer cultura, feita por investigadores, historiadores e outros especialistas, tem como único resultado aniquilá-los.

O Yoga surge junto a esta civilização de língua bem desenvolvida, rico artesanato, cidades urbanizadas, escrita pictórica muito avançada, remontando a um período de 10.000 a.C.

O que é Yoga?

A palavra Yoga deriva da raíz sanscrita “YUJ” que significa atar, unir, juntar… e indica o ato de dirigir e concentrar a atenção em alguma coisa para sua aplicação e uso. Da mesma forma significa união ou comunhão e é, na realidade, a verdadeira união de nossa vontade com a vontade do ABSOLUTO. A sujeição de todos os poderes do corpo, pensamento e alma, ao CRIADOR; significa a disciplina da inteligência, da mente, da emoção e da vontade que o próprio Yoga pressupõe; significa um equilíbrio da alma que nos permite olhar da mesma forma todos os aspectos da vida.

O Yoga é um dos seis sistemas ortodoxos da filosofia da Índia que foi codificado por PATAÑJALI.

No movimento que vem sendo efetuado neste século no campo da abertura e da difusão da espiritualidade, no sentido de se aproximar Oriente e Ocidente, tem-se procurado geralmente somar o que há de melhor em cada um, para assim poder otimizar as técnicas e seus resultados.

No Yoga, esta “simbiose” também não podia deixar de ocorrer. Os conhecimentos ocidentais tem servido para comprovar, respaldar e corroborar as milenares teorias e técnicas de que o Yoga dispõe, e para incrementar a eficácia destas mesmas antigas técnicas mediante o auxilio de outras tantas técnicas desenvolvidas aqui no Ocidente.

Hoje, no meio do Yoga, além de Patanjali, asanas e pranayamas, também já se ouve falar em Reich, Lowen, Feldenkreis, RPG, Anti-ginástica, Eutonia, Rolfing… numa busca de se encontrar uma linguagem comum que venha enriquecer todos os caminhos, e passar eficientemente a grande mensagem que é do homem holístico que caminha rumo à plenitude, à Unidade.

E a grande mensagem do Yoga é justamente a de não “vender um peixe” específico, dogmático ou sectário, e sim, traçar diretrizes amplas, porém bem fundamentadas, que levem em consideração que cada um é um conjunto de corpo/mente/emoção/espírito, uno em essência com seu semelhante, mas
profundamente singular em sua manifestação.

Esta singularidade – aliada ao contexto ambiental e histórico em que o homem moderno se encontra, com todas as suas peculiaridades e desequilíbrios sociais, políticos, ecológicos, psicológicos, etc. – tem feito com que o Yoga tenha que se adaptar e se capacitar mais para atender mais eficientemente à demanda corpo/mente/emoção/espírito deste homem moderno estressado, desarmonizado e desequilibrado.

Este esforço para otimização do trabalho do Yoga, unindo Oriente e Ocidente, tem sido realizada por várias pessoas e grupos em vários países do mundo, gerando os mais diversos estilos de trabalho, dependendo da área e da bagagem de quem fez a “releitura” do Yoga.

Na Yogaterapia este trabalho holístico é feito sem que se perca de vista a espinha-dorsal do Yoga, que é a sua filosofia, a sua ética e o seu embasamento teórico. Patanjali ainda é a mola-mestra da maioria das escolas de Yoga, embora não mais sob os auspícios da escola Samkhya (a filosofia dualista que embasa Patanjali em seu “Yoga Sutras”), e sim sob uma visão não-dual da Unidade (mais afeita portanto, à visão da Vedanta).

Yogaterapia é Hatha-Yoga, na medida em que utiliza seu instrumental : asanas (posturas), pranayamas (respiração), mudras (gestos psicossomáticos), bandhas (contrações), kriyas (limpezas) e yoga nidra (relaxamento), para manter e/ou restaurar a saúde fisica.

É Tantra Yoga, na medida em que busca a saúde mental , emocional e energética atravéz do reequilíbrio da personalidade por meio da utilização do instrumental do Hatha-Yoga (de maneira bastante mais ampla) e de diversas técnicas que trabalham as dimensões mais sutis de cada um, estudando e trabalhando profundamente o funcionamento e a importância de elementos tais
como: os tanmatras (os órgãos dos sentidos), os mahabhutas (os 5 elementos, indriyas (órgãos de conhecimento e ação), as gunas (visão dialética tríplice da Criação), os koshas e shariras (os corpos), os chakras (centros energéticos), as nadis (condutos de energia) , os pranas (energia vital) , a kundalini, etc.

E é também Medicina Ayurvédica (Medicina tradicional indiana) na medida em que leva em conta a avaliação e o reequilibrio dos 3 princípios ayurvédicos: vata (ar), pitta (bilis) e kapha (fleuma). E o Hatha Yoga consta entre o arsenal utilizado por esta importante vertente da Medicina.

A Yogaterapia é profundamente interagente com a Medicina ocidental, com a Fisioterapia, com a Educação Física e com a Nutrição, na medida em que trata (também) do corpo físico, e exige do profissional sólidos conhecimentos de Anatomia e Fisiologia.

Interage com a Psicologia ocidental, na medida em que o Yoga trabalha também no campo da psique e das emoções, exigindo do profissional fundamentos das principais escolas psicoterapêuticas ocidentais (que de uma forma ou de outra, tem seu pé no Oriente).

Interage ainda com a Educação, na medida em que Yoga é fundamentalmente um trabalho de (re)educação, que exige do profissional conhecimentos nas áreas de Pedagogia e Didática.

E, por fim, (e sobretudo) a Yogaterapia é uma terapia eminentemente holística e “aquariana” na medida em que está aberta para lançar mão, despreconceituosamente, de técnicas e treinamentos psico-físicos ocidentais que ao final das contas, direta ou indiretamente, também tem seu berço no
Yoga e só vem confirmar sua eficácia, fazendo ver aos ocidentais que Yoga não é só “coisa de gente mística”.

É interessante fazer aqui um pequeno retrospecto histórico, e colocar para os leitores que o Hatha Yoga tal como hoje o conhecemos, com sua metodologia e sua estrutura de aulas (geralmente coletivas ou individuais com sistema de fichas) , é coisa relativamente recente (algo em torno do início do século 20).

O Hatha Yoga foi elaborado inicialmente por Gorakhnath, para que servisse como preparo do corpo e da energia , para a prática do Raja Yoga. Dois textos mais famosos – o Hatha Yoga Pradipika (de Swatmarama) e o Gerandha Samhita – atestam literalmente este fato.

A tradição hindu considera o Hatha Yoga como tendo sua gênese no Tantra, reportando-nos mitologicamente aos diálogos entre Shiva e sua consorte Parvati, como está indicado em outra escritura importante do Hatha Yoga, o Shiva Samhita.

O Hatha Yoga é , na verdade, uma forma resumida do Tantra – mais especificamente do Dakshina Tantra (o Tantra da mão direita), – cuja finalidade principal é preparar o corpo para a meditação (Raja Yoga).

Como dizia acima, a estruturação pedagógica e metodológica do Yoga que conhecemos atualmente, se desenvolveu mais recentemente ,apresentando abordagens e estilos mais ou menos característicos (deixando em aberto a questão se de fato existe realmente um Hatha Yoga “clássico”).
Tradicionalmente, este ensino era feito individualmente de mestre para discípulo.

A grande afluencia de ocidentais interessados em espiritualidade na India a partir do inicio do século, e o crescente agravamento do panorama da saúde nos tempos modernos, recolocou o Hatha Yoga em evidência, e vários mestres resolveram adaptar o ensino tradicional colocando-o mais disponível à realidade agitada do mundo contemporâneo.

Devemos este resgate do Hatha Yoga à vários nomes importantes, tais como: Swami Sivananda de Rishikesh (e seus principais discípulos, tais como S.Satyananda, S. Vishnudevananda e Swami Satchidananda),  que deu um enorme impulso ao Hatha Yoga, trazendo para o ocidente o modelo de aulas coletivas com séries pré-estabelecidas; Shri Yogendra (e seus filhos) de Bombaim, que
instituiu o método de fichas individualizadas, desenvolvendo e divulgando intensamente a Yogaterapia; T.Krishnamacharya e seus filhos, que desenvolveram a técnica de Vinyoga, onde em cada aula enfoca-se uma só asana, desenvolvendo-se uma sequência de posturas que preparam o corpo para
a asana objetivada; e B.K.S. Iyengar de Poona, que, na minha opinião, é o grande responsável pelo que poderíamos chamar de “modernização” do Yoga no que tange ao aspecto físico, de saúde.

Iyengar ousou utilizar “ferramentas” (almofadas, blocos, cavaletes, cordas,etc.) para facilitar a prática dos emperrados ocidentais que à ele afluem abundantemente.

Ainda poderíamos citar Swami Kuvalayananda, Amrit Desai, Yesudian, e tantos outros.

E o trabalho da Yogaterapia deve muito ao trabalho de todos estes Mestres, e bebe de todos os textos, indistintamente.

Sem abandonar o espírito do Yoga, a YI sem preconceitos ou exagerados purismos, utiliza de variado instrumental de apoio físico (almofadas, bolas gymball, apoios de isopor e bambú, bolas de tênis, Yogapro, etc.) ; de variadas técnicas modernas derivadas do Hatha Yoga tradicional (yoga em
duplas, yoga em grupo, yoga restaurativa, yogassage,etc.) e variadas técnicas ocidentais e orientais para a conscientização, sensibilização e reequilibrio fisico/psicológico/emocional (vivências com os 5 elementos, com os chakras, com os 3 doshas, com as 3 gunas, com os 5 koshas , além de
meditações e relaxamentos), sempre buscando unir o que há de melhor e mais eficaz neste encontro entre Ocidente e Oriente.

Toda esta “tecnologia” permite que seja feito um trabalho coletivo ou individual – sempre dentro de uma abordagem absolutamente personalizada – alcançando uma alta eficácia nos casos que mais acometem e afligem o homem moderno : o malfadado stress, as terríveis dores na coluna e os preocupantes problemas cardio-vasculares, respiratórios e digestivos , entre muitos outros.

É importante frisar insistentemente , que todo este trabalho gravita em torno da idéia da Unidade, da busca da plenitude total (sem que isto seja um exercício necessáriamente religioso), e não apenas na conquista do alívio de alguma dor. A grande beleza deste método está no fato de o Yoga abrir um
grande e fraterno leque, absolutamente eclético e ecumênico, que vem atender de forma integrada e profunda à todas as nossas características , diferenças e necessidades.

O caminho da Meditação

Meditação é um estado de consciência totalmente silencioso. Um estado mental de quietude, onde a pessoa percebe-se na mais pura serenidade e integração.

Meditação em si não é método, nem técnica. Ainda assim, certamente, existe uma série de maneiras, métodos e técnicas para propiciar a mente esse estado de meditação. Em meditação a mente ultrapassa a atividade dos pensamentos e experimenta um nível de silêncio profundo, quietude total, um estado de consciência imensa, vasta e ilimitada!

A experiência de meditação não é mórbida e sem graça. Ao contrário, estar em meditação é um estado vibrante, esfuziante ainda que profundamente relaxado. Em meditação percebe-se o ser interior silencioso, inteligente, criativo – manancial de  alegria,  paz e bem-estar. A meditação aguça a mente e a intuição, resultando em mais produtividade e satisfação.

Durante a meditação há um alívio das pressões mentais, o ritmo da respiração cai, os batimentos cardíacos baixam, os músculos relaxam e as emoções se pacificam. Isso ajuda a diminuir em muito os problemas relacionados a stress e tensão e a reduzir hábitos pouco saudáveis, como o fumo, a bebida em excesso, uso de remédios para dormir e de tantas drogas químicas indesejaveis. As mais fortes inclusive.

Fácil de praticar e simples de aprender, pratica-se a meditação sentado confortavelmente por algum tempo em qualquer lugar e a qualquer momento que você considere adequado, usando um método que você tenha aprendido ou já conheça.

 

 

 

 

No mês de setembro passei 4 semanas na  Gujarat Ayurved University em Jamnagar, noroeste do subcontinente indiano,  estudando Ayurveda, praticando Yoga e meditação. Um dos destaques foram as aulas de Pancha Karma com a dra Rajkala MD e PhD em Ayurveda, médica do Kerala especialista nesta metodologia de bio-purificação do corpo das suas impurezas. Na última semana do curso eu descobri que ela era discípula de uma mestra de meditação e solicitei um encontro para conversarmos sobre sua metodologia de introspecção e autoconhecimento. A minha professora foi muito solicita e marcou o encontro para a ultima noite do curso, antes de viajarmos. Ela disse: “ vamos chamar um auto-rikshaw ( tuc-tuc) ? Quantos alunos irão com você ? respondi : “ apenas eu, os outros brasileiros não podem ir pois tem outras atividades…” Ah então sobe ai na minha garupa e vamos com a minha moto..”. ela gritou, “mas professora na sua garupa?, Reclamei. “Sim, isto mesmo, assim chegamos rapidamente.” OK, respondi, muito a contra gosto subi na moto e ela partiu em alta velocidade pelas ruas estreitas de Jamnagar. Neste momento parece que “caiu a ficha”…”uma mulher casada e com filhos no estado mais tradicional da Índia, com um ocidental na garupa de sua moto em altíssima velocidade” pensei com meus botões, no mínimo serei preso por “atentado ao pudor e aos bons costumes” ou talvez sejamos atropelados por um caminhão ou ônibus desgovernado, me encolhi o máximo que pude e agarrei o banco da moto atrás de mim…

Mas como dizem na Índia: “existem 300 milhões de deuses que protegem os indianos e por que não os ocidentais desavisados…” em 15 minutos, meu medo chegou ao fim,  estávamos chegando ao edifício da mestra, que era simples e com apartamentos pequenos mas confortáveis. Subimos alguns lances de escada e tocamos a campainha. A porta foi aberta por uma senhora de cabelos grisalhos, simpática, com um semblante pacifico e olhar profundo e inquiridor. Olhei a pequena mas simpática sala, havia fotos de vários mestres indianos mas se destacava uma bela imagem de Buda, Ela sentou na minha frente e perguntou: “ por que você ficou interessado em me conhecer ?”respondi de forma sincera que estava escrevendo sobre minhas experiências na Índia e tinha ouvido falar bem do seu trabalho, ao ouvir isto ela rapidamente afirmou “Ah, então eu sou apenas mais um dado estatístico para sua pesquisa ?”  Nossa! Fiquei desconcertadamente sem palavras…a primeira coisa que saiu foi um pedido de desculpas e a afirmação que estava realmente interessado em meditação.

Após o qüiproquó inicial, rapidamente, perguntei sobre sua história de vida e Indumathi, este era o nome dela, pacientemente me contou: “ desde pequena tenho interesse em religião e espiritualidade, meu avô era devoto de Krishna e me ensinou sobre o hinduísmo. Quando eu tinha 17 anos participei de um workshop com o famoso mestre Osho, estive com ele pessoalmente mas pude ver que aquilo não era “ minha xícara de chá”. Mais tarde fui aluna de um professor da linha de Yoga de Sri Aurobindo, não tive identificação e senti que também não era a “ minha xícara de chá”. Muitos anos depois eu era diretora da faculdade de educação de Jamnagar e passei por um estresse enorme ao tentarem me envolver em uma tramoia de corrupção. Eu tinha dores de cabeça insuportáveis, insônia, medo, raiva, ansiedade e irritabilidade. Isto já durava cerca de dois meses, procurei um psiquiatra mas acabei não fazendo o tratamento pois queria algo mais natural. Terminei no consultório de um naturopata ( médico naturalista), durante a conversa ele tinha um olhar que parecia que via através do meu corpo, no final me recomendou um retiro de meditação por 10 dias. Eu topei pois estava me sentindo muito mal. Ao chegar no retiro imaginei que todos deveriam ser pacientes do médico, quando fui a minha primeira entrevista somente falava das minhas mazelas e o instrutor estava apenas interessado na minha prática de meditação. Foi ai que “ caiu a ficha”: descobri que as pessoas ali não eram doentes mas meditadores da técnica de Vipassana. Durante aqueles 10 dias fui assídua na introspecção e terminei a reclusão completamente curada dos meus sintomas que nunca mais voltaram. Nossa! Finalmente encontrei a “minha xícara de chá”…

“Este primeiro retiro aconteceu em 1997, nunca mais deixei de praticar assiduamente e um dia li no boletim local de Vipassana que eu tinha sido indicada para instrutora do método pelos outros professores. Fiquei muito surpresa pois não tinha solicitado nenhuma indicação mas acabei aceitando e foi assim que me tornei um professora de meditação. Esta pratica foi ensinada há muitas centenas de anos atrás pelo próprio Buda mas foi re-introduzida na Índia moderna pelo birmanes S. N. Goenka em 1969, proveniente de uma linhagem de professores budistas de meditação Vipassana da Birmânia ( atualmente denominado Mianmar).” A mestra me causou uma boa impressão: uma pessoa simples, solteira, modesta, carismática e totalmente dedicada a meditação e a musica pois também é professora de citara ( instrumento musical de cordas).

Eu aprendi que uma técnica utilizada no Vipassana é tomar consciência da respiração. A respiração é um objeto de atenção que esta disponível a todos. Experimente isto agora: Sente-se confortavelmente em um quarto silencioso, com a coluna ereta, feche os olhos e apenas observe sua respiração. Sem tentar controlar, como se você estivesse observando a respiração de outra pessoa, ou então, como se estivesse em uma praia deserta olhando para as ondas do mar, indo e voltando, ou seja, uma observação totalmente passiva. Se vierem pensamentos, emoções ou sensações, lentamente e pacientemente volte a observar o ar entrando e saindo pelas narinas. Este método é simples e pode ser praticado por qualquer pessoa e não deve causar nenhuma tensão. Tente praticar diariamente, no mesmo horário, por pelo menos 15 minutos.

A nossa mente passa a maior parte do tempo perdida em fantasias e ilusões, revivendo experiências prazerosas ou dolorosas ou antecipando o futuro com ansiedades ou medos. Com isto nós perdemos a percepção daquilo que está acontecendo no agora, porem o momento presente é o mais importante. Nós não podemos viver no passado ele já foi, nem podemos vivenciar o futuro pois está alem do nosso alcance. Nós somente podemos viver no presente e esta técnica de Vipassana, que nos leva a tomar consciência da nossa respiração, ajuda a manter a nossa mente no eterno presente, o aqui e agora. Este é o momento da nossa transformação através do autoconhecimento. Após uma conversa inspiradora de cerca de 2 horas a mestra olhou profundamente nos meus olhos e afirmou: “ eu vejo que você tem potencial… agora eu prevejo que você irá se tornar instrutor de meditação…”