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Fitoterapia Ayurvedica: Malva Branca

A Malva Branca é uma planta ayurvedica, conhecida na Índia como Bala, seu nome cientifico é Sida cordifolia, deve-se evitar confundir com a Malva sylvestris que não é uma erva indiana. A Malva Branca vegeta em quase toda a extensão de nosso país e é uma planta histórica pois foi cantada pelo poeta romano Virgilio do século I antes de Cristo. Atinge cerca de um metro de altura com folhas de 2,5 a 5,0 cm com formato de coração. As pequenas flores são amareladas ou esbranquiçadas. Bala em sânscrito significa força, vigor e vitalidade, as raízes são resistentes e promovem energia e nutrição. Externamente o óleo medicado com Malva Branca é muito usado nas desordens do Dosha Vata: dores, reumatismos e edemas. Já internamente pode ser usado em uma decocção com leite para distúrbios do sistema nervoso ( Vata) e como rasayana ( rejuvenescedor), nutridor e estimulante do coração.
A erva é uma depuradora do sangue, promotora do tecido muscular, aumenta a vitalidade, sendo indicada nos casos de debilidade e fadiga. No Ayurveda utiliza-se, principalmente, as folhas, raízes e o óleo da semente para uso externo. Apresenta um sabor adocicado e uma potencia fria, beneficia os três Doshas mas pode agravar Kapha quando usada em excesso. Tem uma ação promotora dos tecidos orgânicos, fortalecedora, anabolizante, afrodisíaca, diurética, gera aumento de Ojas ( vitalidade), facilita a função respiratória, é tônica do coração, anti-oxidante, adaptógena ( anti-estresse), analgésica, anti-inflamatória e atua harmonizando o sistema nervoso.
Devido a suas múltiplas qualidades é indicada para as seguintes mazelas: fadiga, fraqueza muscular, disfunção erétil, distúrbios do sistema nervoso, sangramentos do tipo Pitta, neuralgias, dores ciáticas, dormências, reumatismos, processos inflamatórios, doenças neurológicas e respiratórias. O óleo medicado da planta está indicado na forma de massagens no caso de reumatismos, distúrbios músculo-esqueléticos e dores ciáticas. A dose diária é 1 a 2 gramas do pó que pode ser fervido com leite. Também pode ser utilizado 2 a 3 gramas da planta seca ou 4 a 5 gramas da planta fresca na forma de decocção em 200 ml de água, tomar 2 a 4 vezes ao dia. Lembre-se que esta erva ayurvedica não deve ser usada na gestação, em pacientes com hipertensão arterial, aumento do Dosha Kapha, obesidade e acumulo de Ama ( toxinas digestivas). “ Respeitando estas contra-indicações e as doses terapêuticas indicadas é uma planta medicinal segura e sua utilização segue a recomendação tradicional do Ayurveda: “Na região que nós vivemos é onde encontramos os alimentos, ervas e medicamentos naturais para tratar nossos desequilíbrios”.
Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha, médico de família, reumatologista, especialista em Acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Telefone: (21) 25373251, www.ayurveda.com.br

O coentro ou Coriandrum sativum é uma planta anual de talo cilíndrico, ereto e estriado que mede cerca de meio metro de altura, possui folhas de cor verde brilhante e flores brancas ou róseas. a erva exala um cheiro forte até que os frutos ( equivocadamente chamados de sementes) de aroma doce característico amadureçam. Após secos os frutos exalam um odor especial quando triturados. Encontra-se à venda inteiros ou moídos.
A planta foi mencionada na Bíblia e era usada junto com o cominho e o vinagre para conservar a carne, porem na idade média foi utilizado como afrodisíaco e esta fama provem de sua citação no famoso livro“As Mil e Uma Noites “. Os frutos moídos entram na preparação do “curry” e em muitas massalas, ou seja, misturas de condimentos encontradas nos supermercados indianos e muito valorizadas na culinária da Índia.
O professor e pesquisador indiano Bharat Aggarwal PhD, do M.D. Anderson Cancer Center no Texas, no seu tratado “ Healing Spices” refere-se ao coentro como “acalmando os problemas da barriga”. Aggarwal afirma que a planta medicinal pode contribuir na prevenção ou no tratamento dos seguintes distúrbios e doenças:

Inchaços, aumento do colesterol, cólicas, constipação e flatulência, diabetes, eczemas, hipertensão arterial, má digestão, insônia, síndrome do intestino irritável, distúrbios do fígado, psoríase, rosácea, gastrite, ulcera e candidíase.

Pesquisadores afirmaram na revista “Phytoterapy Research” que o coentro é um medicamento usado nas culturas tradicionais para má digestão, diabetes, reumatismo e dores articulares. Pesquisa em animais que tiveram o diabetes induzido, em laboratório, demonstrou diminuição do nível de açúcar no sangue e aumento de insulina ( hormônio que controla o açúcar no sangue) com o uso de extrato de coentro.
No Ayurveda a erva apresenta sabores adocicado, amargo, picante e adstringente, potencia quente para os frutos e fria para as folhas e tem a capacidade de equilibrar os 3 Doshas na nossa fisiologia. As suas principais ações são:
Estimula a digestão, tira calor do corpo, elimina toxinas, alivia cólicas e gases intestinais, antiparasitário, diurético, febrífugo.
Porem apresenta as seguintes Indicações: externamente uma pasta dos frutos e folhas da planta pode ser utilizado para inflamações, alergias e conjuntivites. Internamente é indicado na acidez ( agravação de Pitta), má digestão, síndrome do intestino irritável, parasitoses, infecção urinaria, febre e na disfunção erétil. A comissão E alemã aprovou seu uso nos seguintes distúrbios: dispepsia ( má digestão) e perda de apetite. Evitar a utilização na gravidez.
As sementes de coentro podem ser utilizadas em associação com as sementes de funcho e cominho pois apresentam propriedades medicinais semelhantes o que induz a um efeito sinérgico desta combinação fitoterápica: sementes secas socadas de coentro 2 g, sementes secas socadas de funcho 2g e sementes secas socadas de cominho 2g, colocar em uma panela, jogar 200 ml de água fervente, abafar por 20 minutos, coar e tomar 3 vezes ao dia, antes das refeições. Isto beneficia as funções digestivas, alivia a gastrite, flatulência e má digestão.

A canela ou Cinnamomum zeylanicum, é uma especiaria adocicada, quente e picante derivada da casca interna da bonita árvore de canela. A planta medicinal é um dos condimentos mais usados no planeta na mistura de temperos do curry, junto com gengibre e o açafrão da terra. Ao longo de toda a antiguidade a canela, junto com a pimenta, era uma especiaria muito cara e cobiçada, que somente os ricos e poderosos tinham acesso. Foi citada várias vezes na Bíblia, e era considerado poderoso afrodisíaco.
No livro dos Provérbios, do antigo testamento, lemos a seguinte passagem: “…um jovem homem desprovido de sabedoria, ao caminhar na rua durante uma noite escura, foi abordado por uma mulher, astuta de coração, vestida de forma libertina…ela o abraça e beija e afirma:

“ aspergi minha cama com mirra, babosa e canela…vamos nos amar até de manhã e nos consolar com carinhos, pois o meu marido não está em casa, ele partiu para uma longa viagem…”

A bela arvore da canela alcança até 16 metros de altura com uma característica casca marron-avermelhado, já suas folhas são ovaladas, pontiagudas com 5 a 15 cm de comprimento. Encontrada no Sri Lanka e sul da Índia na sua forma silvestre. Em sânscrito é denominada Tvak que significa pele, refere-se a casca da planta que é utilizada para fins medicinais. Afirma-se que a canela foi mencionada pelo historiador grego Heródoto e alcançou Egito e Europa no século V a.C. Foi uma das especiarias que movimentou as grandes navegações no século XV e XVI e fez os portugueses conquistarem o Ceilão ( atual Sri Lanka) em 1505, movido pelo interesse comercial pois a planta era um precioso produto extrativo da região.
No Ayurveda a parte utilizada é a casca e óleo essencial. Apresenta sabores picante, adocicado e adstringente, tem uma potencia ( energia) quente e sabor pós-digestivo picante. Nesta visão indiana pacifica os Doshas Vata e Kapha, porem pode agravar o Dosha Pitta. Apresenta as seguintes ações: aumenta o apetite ( dipana), elimina toxinas ( Amapachana), tônico, anti gases ( carminativo), afrodisíaco, tônico cardíaco, antibacteriano, antifúngico e antialérgico. Possui as seguintes indicações terapêuticas: gripes, tosse, secreção, bronquite, má digestão ( dispepsia), flatulência, diarréia, artrites e reumatismos do tipo Vata ( friorentos), má circulação, extremidades frias, infertilidade, disfunção erétil, cólicas menstruais, TPM e endometriose. A comissão E alemã aprovou seu uso nos seguintes distúrbios: perda de apetite e dispepsia ( má digestão).
A dose diária é uma a três gramas do pó. Porem o óleo essencial pode ser usado, externamente na forma de massagens, em áreas dolorosas e reumatismos.
O pesquisador e professor Bharat Aggarwal PhD, do M.D. Anderson Câncer Center do Texas, afirma no seu texto “ Healing Spices” que as pesquisas com a canela sugerem, que a planta medicinal, pode prevenir e tratar os seguintes distúrbios: câncer, aumento do colesterol e triglicierídeos, diabetes, doença do coração, hipertensão arterial, síndrome metabólica, ovário policístico, úlcera ( combate o H. pylori) e candidíase. Já o famoso médico indiano, dr. Deepak Chopra, no seu recente livro “ Você Tem Fome De Quê ?” coloca que o perfume da canela ajuda a melhorar as funções cognitivas, inclusive a concentração, memória e a agilidade visual e motora. Ele nos dá a seguinte dica:

“Quando compramos canela, seja em pau ou em pó, devemos cheirá-la para garantir que esteja com o perfume pronunciado e adocicado”.

Nós terminamos com a receita “ leite com canela e açúcar queimado” retirado do livro “Essência da Saúde” do dr. Danilo Maciel Carneiro: açúcar mascavo – 1 colher de sopa, queimar ( caramelar) ao fogo brando e em seguida acrescentar: canela, em casca, 2 pedaços grandes, gengibre em pó, uma colher de chá rasa e açafrão da terra ou Cúrcuma longa, meia colher de chá rasa. Mexer e rapidamente acrescentar 1 copo cheio de leite de vaca orgânico, ferver bem em fogo baixo, esfriar e tomar morno, 2 vezes ao dia. Este é uma forma de medicar o leite orgânico e torná-lo mais digestivo, melhorar sua absorção, aumentar vitalidade e o sistema imunológico, além de ficar delicioso.

O cominho é uma planta anual com talos ramificados que medem 30 a 40 centímentros de altura. Apresenta folhas longas estreitas e verde-escuras, flores brancas e rosadas, frutos oblongos com meio centímetro de comprimentos, pardo-amarelados, são popularmente chamados de sementes. Possui um forte sabor aromático, amargo, mas agradável, são utilizadas como condimentos na culinária oriental. Nos tempo bíblicos era apreciado por suas propriedades digestivas e empregado na preparação de pão e assados. Em sânscrito é chamado Jiraka e muitas vezes é utilizado, no Ayurveda,em associação ao coentro por ter efeito sinérgico e propriedades semelhantes.
Esta especiaria é muito conhecida desde a mais remota antiguidade no Egito e Oriente pois foi encontrada no mausoléu dos faraós.  No Novo Testamento, em Mateus 23, o mestre Jesus afirma:
“ Maldição a vós doutores e fariseus ! Hipócritas, que pagam o dizimo da menta,
do funcho e do cominho, desdenhando o essencial da Lei: a fidelidade, a justiça e a misericórdia…”

Com isto o grande mestre evoca a menta, o funcho e o cominho que assim desfrutam da honra de figurar nos sagrados textos dos Evangelhos Cristãos.
O professor e pesquisador indiano BharatAggarwal PhD, do MD Anderson Câncer Centerdo Texas, no seu tratado “ HealingSpices” cita o cominho da seguinte forma “ Keeping Diabetes Under Control”, ou seja, “mantendo o diabetes sob controle”. Ele afirma que pesquisas indianas demonstraram diminuição do colesterol, triglicerídeos e açúcar no sangue de animais em laboratório com o uso da planta medicinal. No seu livro, Aggarwal, refere que a especiaria pode ser utilizada para prevenir ou tratar os seguintes distúrbios: alimentos contaminados ( ação antibacteriana), diabetes, aumento do colesterol e triglicerídeos, epilepsia, catarata, osteoporose, tuberculose e até câncer.
No Ayurveda a parte utilizada é o fruto, chamado popularmente de semente, apresenta uma sabor picante e amargo,Sua potencia é quente (alguns autores ocidentais consideram a planta fria), possui as qualidades de ser leve e seco e além disto acalma o DoshaVata e Kapha mas pode agravar Pitta.  Suas principais ações são: anti-gases, antiespasmódico, diurético, febrífugo ( baixa a febre), melhora a digestão, elimina toxinas, drena secreções, purificador do útero e afrodisíaco. Indicações: má digestão ( dispepsia), desnutrição, diarreia, secreções respiratórias e disfunção erétil.
Porém deve-se tomar cuidado nas agravações de Pitta e não utilizar na gravidez. A dose diária é 3 a 6 gramas ao dia do pó do fruto ( semente). Pode-se fazer as seguintes combinações: associar ao funcho e coentro em doses iguais para má digestão e gases e junto com gengibre e canela para quadros respiratórios como tosse, secreções, rinite e sinusite.
O livro“ Essência da Saúde”, recomenda a seguinte receita: cominho, funcho e coentro, sementes secas, 2 gramas de cada, colocar em uma panela e jogar 200 ml de água fervente, abafar 10 minutos, coar e tomar 3 vezes ao dia para melhorar a função digestiva.

A árvore da Noz Moscada ou Myristicafragrans encontra-se sempre verde, com uma configuração piramidal, com cerca de 10 a 12 metros de altura com folhas longas e intensamente verdes e pode viver por 80 anos. Apresenta pequenas flores, amarelo-clara e suavemente perfumada, já os frutos são piriformes, amarelo ou avermelhados, grandes e carnosos como o damasco que se abrem quando amadurecidos. Alojam uma semente dura, oleaginosa, ovalada e de cor parda medindo 4 cm de comprimento por dois de largura, a Noz Moscada, envolta por um arilo vermelho denominado macis
(chamado de mace em inglês). A planta foi citada nos antigos textos clássicos ayurvédicos, em sânscrito, o que confirma sua utilização na Índia antiga, é cultivada no sul do subcontinente indiano e foi levada para Europa, pelos comerciantes árabes, na idade média.
A planta medicinal foi muito utilizada na Europa pelos médicos. Em 1702 o doutor Louis Lemery em seu “Tratado dos Alimentos” faz da Noz Moscada uma verdadeira panaceia: “Ajuda a digestão, fortifica o coração, o cérebro e o estomago, expulsa gases, provoca a menstruação nas mulheres e corrige mau hálito; como aquece bastante – eis por que devemos usá-la moderadamente – é recomendável em clima frio aos idosos, aos fleumáticos e aqueles que digerem com dificuldade, sendo de grande utilidade para aqueles que frequentam o mar…”. Já em Veneza, em 1704, Paullini redige um tratado de novecentas páginas sobre ela, indicando o seu uso terapêutico em cento e trinta e oito doenças distintas. Como a erva entra em preparações destinadas ao embalsamento o autor conclui:“ Saudável ou doente, vivo ou morto, ninguém pode prescindir dessa Noz, a mais salutar de todas”.

A planta foi citada nos antigos textos clássicos ayurvédicos, em sânscrito, o que confirma sua utilização na Índia antiga, é cultivada no sul do subcontinente indiano e foi levada para Europa, pelos comerciantes árabes, na idade média.

O pesquisador e professor indiano BharatAggarwal, PhD, do M.D. Anderson Câncer Center no Texas afirma, no seu tratado “ HealingSpices”, que a Noz Moscada pode prevenir e tratar os seguintes distúrbios: câncer, ansiedade, depressão, diarreia, aumento do colesterol, epilepsia, memoria ruim e baixo desejo sexual ( libido). No Ayurveda a planta medicinal tem os sabores picante amargo e adstringente, potencia quente e acalma os DoshasVata e Kapha porem pode agravar Pitta. Apresenta as seguintes ações: promove a digestão, elimina toxinas, rejuvenescedor,antiespasmódico, adstringente, afrodisíaco, tônico do coração, hipnótico ( induz ao sono), sedativo,expectorante e hipotensor. Suas principais Indicações são : má digestão, má absorção intestinal, flatulência, cólicas intestinais, náuseas, diarreia, ansiedade, insônia, disfunção erétil, ejaculação precoce, hipertensão, tosse, secreção, incontinência e distúrbios da próstata. O óleo pode ser usado em dores e reumatismo na forma de massagens. Evita-se na gravidez e hipotensão. Sua dose vai de 300 mg a 2 gramas ao dia.
Como sugestão pode-se utilizar uma grama do pó fervido no leite orgânico, tomar uma hora antes de dormir para quadros de insônia. Outra recomendação oriental é misturar uma grama do fruto seco ralado de Noz Moscada, duas gramas das sementes socadas de Cominho e duas gramas das sementes socadas de Coentro colocar em uma panela, jogar 200 ml de água fervente e abafar por 10 minutos, coar, tomar duas vezes ao dia como digestivo e anti gases, após as refeições.

O açafrão ou Cúrcuma é uma planta medicinal que cresce nos países tropicais com características singulares, chega a 90 cm. de altura, apresenta um caule alongado e folhas grandes com 30 a 40 cm de comprimento, os belos rizomas medicinais se destacam, quando a erva é retirada do solo, com uma cor alaranjada, formato cilíndrico e 2 a 6 cm de comprimento. Possui uma mistura dos sabores amargo e picante, sua fragrância é aromática e temperada.  Em sânscrito é chamada de haridra que significa aquela que melhora a compleição da pele  pois tem ótimos resultados em dermatologia. A planta medicinal tem uma poderosa ação antioxidante e depuradora. Destaca-se na culinária indiana e nos festivais hindus há muitas centenas de anos.

Um importante principio ativo da Cúrcuma é a curcumina que não é facilmente absorvido pelo organismo porem a piperina encontrada na pimenta do reino facilita a sua absorção..Tanto o açafrão como a pimenta do reino estão presentes nas misturas do curry em pó e estudos realizados por epidemiologistas indicam que na Índia, onde o curry é muito utilizado na dieta cotidiana, as taxas de doença de Alzheimer estão entre as mais baixas do planeta. A hipótese dos pesquisadores é que as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias presentes nas misturas de condimentos com cúrcuma e pimenta do reino são fatores relevantes na prevenção do Alzheimer. Por esta razão, a curcumina, tem sido utilizada nas pesquisas cientificas realizadas nesta doença, cada vez mais comum no ocidente.

Nos últimos anos mais de 300 artigos científicos mencionam a curcumina, segundo estas pesquisas, este principio ativo do açafrão, e seus compostos relacionados, os chamados curcuminoides,  apresentam as seguintes propriedades: antioxidante, anti-inflamatória, antiviral, antifúngica, antisséptica, com atividade contra Alzheimer, Parkinson, câncer, diabetes, alergias, artrites, auxilia no tratamento do aumento do colesterol, doenças autoimunes e cardiovasculares. O Centro de Câncer M.D. Anderson da Universidade do Texas, líder mundial em pesquisas sobre a doença, recomenda que os pacientes  adotem, de forma gradual, uma dose de 8 gramas de curcumina ao dia, o que é cerca de 40 vezes a quantidade presente na dieta indiana.  O pesquisador

indiano Bharat Aggarwal, do M.D. Anderson, foi questionado por possíveis efeitos colaterais, e declarou que ensaios clínicos menores, de outras instituições, ministram até 12 gramas e se houvesse qualquer efeito desfavorável os pacientes teriam notado.

O médico indiano Deepak Chopra no seu recente livro “ Você Tem Fome De Quê ?” coloca alguns importantes usos e efeitos terapêuticos da planta medicinal: A Cúrcuma tem efeito protetor sobre o fígado e ajuda a reduzir os níveis de colesterol elevado no sangue, já nos tratamentos de artrite ajuda a diminuir a dor e rigidez, porem estudos em animais demonstrou que o açafrão pode diminuir ou inibir o desenvolvimento de células cancerígenas, apresenta efeito calmante na digestão e reduz o risco de ulceras e por ultimo, como antibiótico natural, ele pode inibir o desenvolvimento de bactérias, leveduras e vírus em laboratório. ( ver Chopra, Você Tem Fome De Que ?, p. 127).

Uma planta medicinal para ser utilizada no Ayurveda deve, necessariamente, ser interpretada pela farmacologia indiana ou Dravya Guna. Nesta ciência, o açafrão, tem sabores amargo, picante e adstringente, potencia quente, equilibra os 3 Doshas ( humores biológicos) e beneficia todos os tecidos. Apresenta as seguintes ações: digestivo, anti-inflamatório, depurador do sangue, antibiótico, antialérgico, anti-anemico, anti-diabético, hepatoprotetor, remove doenças de pele, beneficia a mama, anti-tumoral, trata doenças respiratórias, antioxidante, melhora o fogo digestivo ( jatharagni) e beneficia a função ginecológica.

Devido as suas importantes propriedades apresenta as seguintes indicações na Medicina Ayurvedica: distúrbios do fígado, reumatismo, doenças de pele, diabetes, anemia, gastrite, endometriose, corrimento, colite, asma, bronquite e aumento do colesterol no sangue. Externamente é usado em dermatites, eczemas e psoríase. Na Europa foi aprovado pela comissão E alemã nos seguintes distúrbios: dispepsia ( má digestão) e perda de apetite. A dose diária é de 1 a 3 gramas do pó seco, que pode ser misturado no mel ou fervido no leite orgânico ( leite medicado). Porem seu uso deve ser evitado na gravidez, agravação importante do dosha Pitta ( fogo) e obstrução biliar.

A mensagem do Ayurveda é que podemos utilizar o poder terapêutico dos condimentos, como açafrão, gengibre, alho, canela, noz moscada, hortelã, coentro e cominho para melhorar nossa digestão e absorção dos alimentos, prevenir a formação de toxinas no tubo digestivo ou Ama e beneficiar a nossa saúde como um todo. A sabedoria ayurvedica recomenda o uso dos 6 sabores na dieta e podemos alcançar esta meta utilizando os temperos, de forma moderada, em um programa de alimentação natural e saudável ao fazermos escolhas mais simples e inteligentes.

Na maestria cada vez maior que temos do planeta, através das tecnologias e invenções modernas, podemos esquecer que há uma singular inteligência subjacente que se expressa na natureza. Nos que vivemos em grandes centros urbanos muitas vezes passamos semanas e meses sem a oportunidade de vivenciar um ambiente natural. Dirigir em horários de trafego intenso, trabalhar em salas fechadas, iluminadas e refrigeradas artificialmente, fazer refeições rápidas em lanchonetes e estar sempre atrasado e com pressa aumenta nosso estresse e nos aliena da natureza e finalmente de nós mesmos…Acreditamos que no fundo do nosso coração ansiamos por uma ligação mais intima com a “ Mãe Natureza”. As plantas medicinais podem fazer este papel ao nutrir esta parte do nosso espírito que clama por uma vida mais simples e uma época mais inocente quando nos sentíamos mais próximos do mundo natural

Uma planta medicinal para ser usada no Ayurveda deve ser interpretada dentro dos conceitos da farmacologia ayurvedica, denominada Dravya Guna, de sabor ou rasa, potencia ou virya, sabor após a digestão ou vipaka, efeitos especiais conhecidos como prabhava e ação terapêutica ou karma. Estes parâmetros foram desenvolvidos pelos mestres antigos do Ayurveda nos tradicionais livros em sânscrito, chamados de textos clássicos, em um numero limitado de ervas medicinais. Provavelmente aquelas mais estudadas e utilizadas na Índia antiga. Nos anos 1980 vários médicos indianos estiveram no Brasil, em Goiânia,e cerca de 100 plantas brasileiras foram classificadas como ayurvedicas ou com propriedades similares. Este trabalho foi desenvolvido no Hospital de Medicina Alternativa que tornou-se referência em Ayurveda e fitoterapia, no nosso país, hã mais de 2 décadas.

Nos últimos anos  muitas pesquisas tem sido realizadas no ocidente e oriente com as plantas medicinas e resultados terapêuticos promissores tem sido encontrados pelos pesquisadores. Apesar do uso da fitoterapia ser tão antigo quanto a história da humanidade ainda é muito pouco utilizada pelos profissionais da área da saúde. Isto acontece devido ao pequeno interesse e também a um certo preconceito e desconhecimento do assunto. Eu já ouvi  de uma colega endocrinologista de bom padrão cientifico, que fazia tratamento com acupuntura, a seguinte afirmação: “ o uso das plantas medicinais vai contra a minha medicina alopática”. Nada pode estar mais distante da realidade pois a fitoterapia está mais próxima da alopatia que a homeopatia ou a acupuntura. As ervas tem princípios ativos, que podem ser isolados em laboratório, com uma metodologia de ação contraria a patologia de forma semelhante aos medicamentos alopáticos mas com muito menos efeitos adversos e sem causar dependência aos pacientes.

O gengibre é uma das plantas medicinais mais utilizadas na fitoterapia, no Ayurveda é conhecido como remédio universal e é reverenciado em todo planeta por suas importantes propriedades culinárias e terapêuticas. Trata-se de uma planta herbácea cujos rizomas, erradamente chamados de raízes, são subterrâneos, carnosos e espessos, originaria da Ásia tem um sabor adocicado e picante e é utilizado para fazer o famoso “curry” e para temperar pratos com carnes, legumes, sopas, pães, tortas e sorvetes. Até hoje o gengibre é cultivado e valorizado pelos povos do oriente como parte importante da sua dieta e medicina. Suas virtudes curativas foram citadas pelo filósofo chinês Confúcio ( 551 a 479 a.C.), pelo médico grego Dioscórides e também pelo Corão, o livro sagrado do islamismo.

A planta medicinal é famosa por sua concentrada potencia aquecedora, tem sido usado na Ásia e África para acender o fogo interno do corpo. Na medicina ayurvedica é separado em gengiber fresco ( ardraka) e gengibre seco ( shunti) com propriedades distintas. Khalsa recomenda tomar 2 colheres de sobremesa de gengibre seco em um copo de água no inicio das alterações visuais que antecedem a enxaqueca ( aura) se o quadro recomeçar algum tempo depois repetir o tratamento, segundo o autor isto interrompe o inicio da dor de cabeça ( ver Khalsa e Tierra, The Way of Ayurvedic Herbs 2010, p 137).   O shunti entra no famoso composto Trikatu: gengibre seco, pimenta do reino e pimenta longa ( pode-se substituir pela pimenta dedo de moça em pó seca) considerado um poderoso digestivo que estimula o Agni ou fogo digestório.

Segundo o Ayurveda o gengibre tem as seguintes Ações ( karma): melhora a digestão ( dipana), elimina toxinas ( Ama pachana), rejuvenescedor ( rasayana) afrodisiaco ( vajikarana), alivia a tosse e secreção, anti-inflamatório e analgésico, anti-espasmódico, anti-emético,  beneficia a menstruação e tonifica a função cardiovascular. Alem disto

apresenta as seguintes Indicações terapêuticas: gripes, secreção, tosse, bronquite, reumatismo, artrose, má digestão, náuseas e vômitos, flatulência, cólicas menstruais, disfunção erétil e cefaléias. A dose diária recomendada é de 500 mg a 3 gramas do pó seco, outra opção é ferver 300 ml de leite orgânico com 2 gramas do pó seco, ou então  o sumo fresco da planta de 30 a 90 ml com mel, dividido em 2 tomadas ao dia. Podemos fazer as seguintes combinações para aumentar o poder terapêutico da planta

  • Decocção de gengibre fresco, um pitada de sal marinho e 5 gotas de limão, tomar 30 minutos antes das refeições para melhorar a digestão e evitar formação de Ama ( toxinas no tubo digestivo)
  • Associado ao capim limão e canela para gripes e febres
  • Associado ao açafrão e capim limão para cólicas menstruais

Como foi dito o gengibre é o remédio universal e deve ser utilizado na dieta, como importante condimento, mas também como uma auspiciosa erva medicinal. Na filosofia médica ayurvedica a nossa cozinha é a nossa farmácia, isto significa que devemos usar os alimentos como medicamentos sempre procurando optar por qualidade e saúde na escolha dos ingredientes da nossa dieta. O Ayurveda tem uma abordagem universal e ensina que é na região que nós vivemos que encontramos os alimentos, plantas medicinais e medicamentos naturais para tratar os nossos

desequilíbrios. Finalizamos com as palavras do professor e erudito ayurvedico J.K. Ojha, da Benares Hindu University: “A sabedoria é superior ao intelecto, a ciência é estruturada no intelecto, enquanto o processo do pensamento antigo do Ayurveda é estruturado na sabedoria”.


Neem ou Azadirachta indica que ”e uma planta medicinal muito utilizada na Medicina Ayurvedica. Possui propriedades terapeuticas fantasticas. O oleo de Neem ”e utilizado para problemas de pele como eczemas, dermatites, pruridos, sensacao de queimacao, micoses e ulceras na pele. A erva ”e um pesticida natural utilizada largamente na lavoura e tambem possui propriedades auspiciosas sendo cultivada nos templos na India ( na verdade ”e uma arvore bem grande).

O Neem ou Nimba tambem apresenta uso interno na forma de po, decoccao ou tintura. Neste caso ”e utilizado no diabetes melitus, hipertensao arterial, ulcera peptica alem de possuir propriedade antiinflamatoria importante. Neste caso ”e empregado no reumatismo, artrite e artrose. Outra propriedade milagrosa da planta ”e ser uma poderosa purificadora do sangue, limpando o organismo de toxinas. Esta ”e a verdadeira panaceia indiana.

Namaste

As plantas medicinais vêm sendo utilizadas pela humanidade há milhares de anos. No ocidente a fitoterapia foi a principal fonte de medicamentos até a primeira metade do século XX. As ervas medicinais somente deixaram de ser utilizadas, como origem dos remédios, na segunda metade do século XX com o fortalecimento da indústria farmacêutica associado ao marketing dos remédios feito pelos grandes laboratórios para provar que os medicamentos fitoterápicos eram menos eficientes que as drogas alopáticas.

A Medicina Oriental, como a Medicina Chinesa e o Ayurveda, sempre deu ênfase ao uso terapêutico das plantas medicinais como fonte de medicamentos naturais, mais suaves, porem eficazes e sem os deletérios efeitos colaterais das drogas alopáticas, que muitas vezes tratam uma mazela porem causam outros problemas de saúde. Atualmente é frequente quando o paciente procura ler a bula de um remédio( prescrito por seu médico) surgir uma insegurança, no uso da medicação, devido aos vários efeitos adversos descritos.

Nos últimos anos muitas pesquisas têm sido realizadas, no oriente e ocidente, demonstrando os efeitos terapêuticos das plantas medicinais. Estas descobertas apontam que através da fitoterapia podemos tratar e aliviar as mazelas e enfermidades com muito menos efeitos indesejáveis que as drogas alopáticas. Nós utilizamos as ervas medicinais há mais de 20 anos e observamos que a grande maioria dos pacientes tem um bom resultado com o tratamento. Nós enfatizamos que associado a fitoterapia deve-se ter um dieta saudável pois o alimento é um importante medicamento na visão da Medicina Oriental.

Nós associamos, no tratamento com fitoterapia, as plantas orientais e ocidentais e recomendamos um tempo mínimo de 3 meses de medicamentos fitoterápicos com uma consulta mensal. Após 30 dias é importante reavaliar a medicação, pois temos que, eventualmente, substituir uma erva medicinal, acrescentar uma planta ou até modificar sua dose para aumentar a eficácia do resultado terapêutico. Por isto, no nosso trabalho, a história clínica e o exame físico são fundamentais durante o acompanhamento do paciente.

Nós normalmente utilizamos 3 formas de preparação das plantas medicinais: cápsulas, pós e xaropes. O número de cápsulas que o paciente deve tomar por dia vem escrito no rótulo do medicamento, é recomendável utilizar as cápsulas durante as principais refeições. Os pós vêm envelopados e devem ser misturados em suco de frutas. Os xaropes são mais utilizados em crianças. Recomendamos o trabalho da farmácia Caminhoá ( www.caminhoa.com.br ou tel: (21) 25379943),devido ao seu profissionalismo e ética em mais de 20 anos de experiência com fitoterapia. ( o paciente pode aviar a sua receita em qualquer farmácia de sua confiança).

Apesar da utilização milenar das plantas medicinais a história dos adaptógenos inicia-se na antiga União Soviética em 1943 com o decreto que tratava do trabalho de investigação cientifica com o objetivo de encontrar substancias tônicas para os soldados na segunda guerra mundial. O decreto estimulou a produção de muitas pesquisas, que não foram divulgadas, durante a guerra fria entre 1945 a 1991. Neste período várias plantas medicinais foram avaliadas no sentido de reduzir os danos causados pelo estresse á saúde e também empregadas com a finalidade de promover a cognição, o condicionamento físico de atletas e soldados, além do desempenho dos astronautas no programa aeroespacial russo. Infelizmente os resultados, destas relevantes pesquisas, foram mantidos em segredo devido a sua importância estratégica.

A definição mais recente vem de 2007 através da Agencia Reguladora da Comunidade Européia por intermédio do seu Comitee on Herbal Medicine Products: “As plantas medicinais adaptógenas estão indicadas por terem a capacidade de normalizar as funções do corpo e fortalecer os sistemas comprometidos pelo estresse. São relatados efeitos protetores sobre a saúde contra uma grande variedade de agressões ambientais e condições emocionais”. Em uma visão mais clínica os adaptógenos auxiliam o nosso organismo a se adaptar as situações de estresse emocional, fadiga mental, nervosismo, dificuldade de raciocínio e concentração,promovem o equilíbrio dos sistemas imunológico e endócrino, são tônicos psicofísico, além de apresentarem uma importante ação antioxidante ao combaterem radicais livres.

Na literatura internacional encontramos várias plantas medicinais com ação adaptógena: Rhodiola rósea ou raiz dourada da Sibéria, Schisandra chinenses ou magnólia chinesa, Eleutherococus senticosus ou ginseng siberiano, Panax ginseng ou ginseng coreano, Panax quinquefólio ou ginseng americano, Withania somnifera ou ashwagandha e Ocimum sanctum ou tulsi ( ambas são utilizadas regularmente no Ayurveda). O Brasil, com sua biodiversidade incomparável, apresenta algumas ervas que possuem propriedades adaptógenas: Paulinia cupana ou guaraná, Ptycopetalum olacoides ou marapuama, Anemopaegama arvensia ou catuaba, Pfaffia paniculata ou pfafia ( ginseng brasileiro), Theobroma cacao ou cacau, Ilex paraguaiensis ou mate e Heteropteris afrodisíaca ou nó de cachorro.

Nós temos utilizado as plantas medicinais adaptógenas há muitos anos e observamos uma boa segurança dentro das doses terapêuticas indicadas na literatura. No Ayurveda o adaptógeno mais utilizado é a Withania somnifera ou ashwagandha, erva com fantásticas propriedades terapêuticas: tônico psicofísico, afrodisíaco, calmante, sedativo, antioxidante, anti-inflamatório, antiestresse, rejuvenescedor do sistema nervoso, imuno-modulador ( fortalece o sistema imunológico) e promove um sono profundo e reparador. O ocidente ainda subutiliza as plantas medicinais devido, principalmente, ao desconhecimento dos profissionais da área de saúde das pesquisas orientais e ocidentais sobre os fitoterápicos. A farmacologia ayurvedica ou dravya guna apresenta um enorme conhecimento das ervas medicinais, segundo a sabedoria milenar tradicional do Ayurveda, que deveria ser seriamente estudado pelos profissionais que têm verdadeiro interesse em melhorar a saúde das pessoas sem os deletérios efeitos das drogas alopáticas.