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NO ultimo mês de setembro passei 4 semanas na Gujarat Ayurved University, em Jamnagar, noroeste do subcontinente indiano estudando Ayurveda e praticando Yoga e meditação. Nós éramos 5 profissionais brasileiros buscando aprimorar nosso conhecimento em um grande centro de ensino e pesquisa da Medicina Ayurvedica.  Ficamos amigos do hoteleiro Mustak, muçulmano, que é o proprietário do Hotel Presidente e também organiza viagens pelo estado de Gujarat.  A noite visitávamos seu hotel pois a comida era excelente e em um destes encontros ele perguntou : “ Vocês já ouviram falar em Dholaviira ? Nos olhamos em um sinal de interrogação e ele explicou: “ A civilização do Vale do Indu com mais de 5000 anos tem um famoso sitio arqueológico aqui em Gujarat, seria interessante vocês conhecerem”. Claro que topamos na hora…

No ultimo sábado do curso acordamos cedo para a nossa aventura pelo interior do estado de Gujarat em direção ao sítio arqueológico de Dholavira, há cerca de 6 horas de distancia, de carro, ao norte da  cidade de Jamnagar, próximo a fronteira do Paquistão. O carro era um potente Land Rover com ar condicionado. Tínhamos nos abastecido com frutas e muita água pois o calor beirava os 40 graus. O pequeno grupo era formado por 7 pessoas; 5 estudantes brasileiros de Ayurveda, Mustak ( proprietário do Hotel Presidente de Jamnagar) e um experiente e habilidoso motorista. Após mais de 6 horas de uma cansativa viagem em uma região inóspita e desértica chegamos a isolada ilha de Kadir, onde encontra-se um pequeno vilarejo com apenas uma simples pousada controlada pelo governo indiano.

A pousada tinha pequenos chalés redondos, muito simples e rústicos. Ao entrar no meu chalé, surpreso, descobri que ele já tinha um habitante mais antigo: um bonito pássaro indiano que entrava e saia através dos buracos no teto que era feito de madeira com sape. Olhei detalhadamente o quarto e observei um bom ar condicionado, uma cama com lençóis brancos e limpos porem com pequenos insetos, que retirei pacientemente, um banheiro singelo e ainda um ventilador de teto. Foi ai que “ caiu a ficha”, perguntei aos meus botões:  “o que poderá acontecer se chover a noite ?” As minhas preocupações aumentaram quando fui informado que a região era infestada por Najas venenosíssimas que costumavam rondar os chalés. A única solução que encontrei foi rezar para os Deuses indianos nos protegerem das chuvas e das cobras venenosas…

Passado o susto inicial me juntei a Mustak e os outros brasileiros e fomos encontrar o motorista e nosso guia local para a nossa travessia ao sítio arqueológico. O nosso guia chamava-se Jamal, tinha cerca de 50 anos, um típico indiano de Gujarat, moreno, simpático, robusto e receptivo as nossas perguntas. Ele era a pessoa certa para nos orientar pois tinha participado das escavações na cidade arqueológica de Dholavira nos anos 1990 e guardava muitas informações interessantes sobre esta cultura de mais de 5000 anos que é considerada o berço da civilização indiana. Após um pequeno percurso de 20 minutos chegamos ao nosso destino final: O sitio arqueológico de Dholavira da antiga civilização do vale do Indu.

Eu me senti voltando no passado de 5000 anos atrás, já tinha estudado e escrito sobre esta antiga cultura mas nunca me imaginei pisando em uma de seus principais sítios arqueológicos., além de Dholavira as outras 2 importantes cidades são Mohenjo Dharo e Harappa que ficam no inacessível Paquistão.  A emoção de estar visitando o berço da civilização do subcontinente indiano é indescritível.  Os arqueólogos descobriram que estes sítios eram únicos para o seu tempo, as suas ruas bem planejadas formavam uma rede , já as casas eram de tijolos cozidos e muitas com 2 andares tinham banheiros próximos as ruas para facilitar a drenagem. Este desenho arquitetônico das construções aponta para uma preocupação com a saúde pública e o saneamento e sugere uma crença explicita em um ritual de purificação que é prevalente no posterior pensamento indiano dos Vedas. Com tamanha preocupação com higiene e saneamento, com certeza, eles tinham um sistema organizado de medicina. Mas como afirma Wendy Doniger no seu espetacular livro “ The Hindus”: “ A Civilização do Vale do Indu não é silenciosa, nós é que somos surdos. Nós não podemos ouvir suas palavras mas podemos ver suas imagens”. A escrita deste antigo povo asiático não foi, apesar de inúmeros esforços, decifrada. Muitos selos e artefatos foram descobertos mas a mensagem escrita continua inacessível aos pesquisadores. Acredita-se que  este povo sucumbiu devido a mudanças climáticas e catástrofes geológicas por volta de 1500 a. C

No final do sábado voltamos para a pousada com seus esburacados tetos de sape e suas prevalentes cobras asiáticas mas, graças aos Deuses, não sofremos nenhum ataque porem ficou a mensagem que esta misteriosa e enigmática civilização ainda apresenta muitos segredos que não foram, ainda, decifrados pelos pesquisadores. Um tema interessante revelado pelos arqueólogos foram os sinetes exibindo “ figuras em postura de Yoga”. Destaca-se um personagem com 3 rostos, sentado em um trono baixo, diante do qual estão 2 gazelas uma de frente para a outra. Além disto apresenta 4 animais: um tigre, um elefante, um rinoceronte e um búfalo. Na sua cabeça observa-se um enfeite com 2 imensos chifres e um  objeto semelhante ao tridente. Os pesquisadores que analisaram esta figura perceberam nela um protótipo do deus Shiva, o senhor do Yoga. Será que eles tinham alguma prática semelhante ao Yoga desenvolvido no subcontinente indiano posteriormente ? Somente o tempo poderá responder esta e muitas outras perguntas ainda sem respostas.  Os leitores interessados, nesta arcaica cultura indiana, podem acessar o site:   www.harappa.com

 

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha, clínico geral, reumatologista, especialista em Ayurveda e Acupuntura. Presidente da Associação Brasileira de Ayurveda e autor do livro “ A Tradição do Ayurveda”. Tel: (21) 25373251,   visite: www.ayurveda.com.br

 

 

 

 

De volta  há um mês de uma viagem à Índia , as impressões  registradas começam a se processar e se elaborar  na mente. É mesmo impossível ficar indiferente à esse exótico país, onde tudo mexe com os nossos sentidos o tempo todo: as cores, os aromas, os sabores, os hábitos que constantemente nos surpreendem. O ideal é colocar-se aberto e receptivo às novas experiências, refletindo sobre elas  sem julgamento  depois.

Se o som rude do hindi, a língua mais falada no país fere por vezes os ouvidos mais sensíveis (o hindi não é tão melódico e poético como o sânscrito, usado nas escrituras sagradas), em compensação a melodia das canções folclóricas e religiosas como os mantras enternecem a alma dos ouvintes. Foi interessante notar na televisão local tantos canais onde só se apresentam cantores ou grupos de mantra, se sucedendo o tempo todo sem parar. O contraste vem quando se depara também com os canais tipo MTV, infelizmente com a marca da globalização, exibindo mulheres com roupas e poses provocativas e sensuais e cantores-galãs locais, cheios de moças suspirando aos seus pés. Isso é muito recente por lá, prática antes inimaginável, já que a sociedade indiana sempre foi muito conservadora. Mas ver tv nas poucas horas vagas era enriquecedor, a tv sempre reflete o povo local, havia uma emissora que transmitia aulas de Yoga num grande estádio com cerca de 2000 pessoas praticando. Isso, normal para um país de mais de um bilhão de habitantes, é muito curioso para nós, acostumados a alguma privacidade, que é quase impossível por lá.

As ruas, lojas, transportes, templos, monumentos, são sempre lotados. Certamente lá mais de um corpo ocupa o mesmo espaço. E o espaço ainda é dividido sem questionamento com todo tipo de animal, mas as vacas imperam. Se no início elas causam estranheza, de repente você se vê transitando entre elas sem nenhum constrangimento. Também partilhei ruas com cabritos, cachorros, elefantes, macacos, ah, e ratos, claro. Na Índia eles são muitos mesmo, não dá pra escapar. Confesso que na maioria dos templos era difícil conseguir sentar no chão, fechar os olhos, fazer uma oração ou meditar, sem sentir receio  de receber uma visita inesperada. Mas felizmente encontrei alguns lugares limpos e bem conservados onde isso foi possível. Agora, a maioria é mesmo suja e não recebe apenas fiéis e visitantes da raça humana, cheguei a ver vacas e macacos dentro de templos.

O quesito higiene é um complicador na Índia para nosso padrão ocidental. Muitas das ruas não são  asfaltadas, fezes de animais se espalham ( é impossível não pisar,acabei deixando meu sapato de guerra usado na viagem por lá, não tinha mais condição de uso aqui),não há tratamento de água ou esgoto. É preciso um cuidado grande com o que se bebe e se come, há muitos alimentos preparados na rua, e mesmo nos restaurantes há  problemas na manipulação. Estava com um grupo grande, de quase 30 pessoas, das quais fui uma das duas únicas a não adoecer por  infecção gastro-intestinal, em função da vigilância constante e por ter privilegiado o consumo de frutas(lavadas co água mineral e sem casca), biscoitos industrializados e chocolate.  Os pratos da culinária local são bastante atraentes, cheirosos e coloridos, mas extremamente condimentados, o que os tornam intragáveis para alguém que não aprecia  especialmente a pimenta como eu. Já os doces são bastante apetitosos, e pode-se comê-los desde que se confiar na procedência.

Deslocar-se pelas cidades é uma aventura  que a princípio assusta, mas com o tempo torna-se divertido. O trânsito é maluco, não se respeita qualquer regra, nem mesmo  mão e contra-mão, inclusive nas estradas, e buzina-se muito, muito, muito! Eu costumava dizer que eles devem aprender a dirigir desde a auto-escola com uma mão só, pois a outra está sempre na buzina. Quase não há sinais nos cruzamentos, atravessar a rua é questão de se jogar mesmo. E considerando que os veículos também disputam  as ruas com os animais, por vezes tudo pára mesmo, até que se abra passagem. A mão é inglesa, e no meio da loucura  do trânsito, estive algumas vezes envolvida em batidas, pequenos acidentes, eles se jogam uns por cima dos outros disputando passagem loucamente, cheguei a ver um capotamento, derrubadas de motos e um atropelamento. Mas por mais incrível que pareça, acabei me habituando, no final da viagem já tinha incorporado a doideira. O meio de transporte mais barato e comum para o turista é o rikishaw ou tuc-tuc, como também é chamado. Trata-se de uma moto ou bicicleta com um pequeno assento atrás para três passageiros, com uma pequena carroceria, e o veículo não tem janelas. O preço deve ser sempre bem barganhado, e a vantagem é o condutor aceitar levar tantos quantos couberem, o que é amedrontador, considerando a fragilidade do carrinho.

O povo das cidades grandes como Delhi ou Mumbai já está com hábitos e comportamentos ocidentalizados, incluindo explorar o turista incauto, como no mundo todo, mas na Índia rural encontrei pessoas adoráveis, puras, gentis, generosas, prestativas e desinteressadas. São espiritualizadas, religiosas e demonstram interesse genuíno em saber sobre a terra do visitante. Muitos pedem lembranças daqui como bilhete de metrô, por exemplo. Outros pedem que sejam fotografados e que recebam a foto, uma vez que nunca tiveram na vida uma foto sua. Enviei fotos reveladas para 2 pessoas, com o maior carinho.

O folclore do país é riquíssimo, mas tive mais contato como folclore do Rajastão, região de deserto no noroeste  da Índia. As danças as vestes e os sons são espetaculares. O mesmo se pode dizer do artesanato indiano, que é rico, precioso e muitíssimo barato. Mesmo quem não vai com a intenção de fazer compras acaba não resistindo, e volta com roupas, peças de prata, tecidos, colchas, estatuetas, cds, xales, saris, incensos, especiarias, pedras. Muitos do meu grupo compraram malas lá para  trazer as compras inesperadas.

Outro foco de interesse são os palácios dos marajás e os monumentos, como o famoso Taj Mahal. São de tirar o fôlego. A arquitetura, o trabalho de auto-relevo em mármore, incrustação de pedras preciosas atraem a nossa atenção pra mil coisas ao mesmo tempo. Cada lugar mereceria uma visita de dias para apreciar cada detalhe. Nesses lugares você encontra também muitos indianos de todo o país, além de muitos estrangeiros e os grupos indianos, um bloco de roupas multicoloridas que se avista de longe. As mulheres, mesmo as não em condições financeiras muito favoráveis, sempre com muitas jóias  e incrustações de diamantes  na asa do nariz. O corpo é visto como um templo do Divino, e enfeitá-lo com roupas bonitas, pinturas e jóias é visto como uma prática religiosa, ainda mais a mulher, que é vista sempre como uma manifestação da Mãe Divina.

Como professora de Yoga, tinha, claro, interesse em conhecer institutos e mesmo praticar por lá, mas infelizmente foi impossível, uma vez que nessa época de final de ano e janeiro quase todos estão com as atividades em recesso. Nos ashrams (comunidades  onde se mora, estuda e pratica Yoga) a maioria dos residentes vai para seus locais de origem visitar a família. Estive  por uma semana hospedada no Dayananda Ashram, que se dedica ao estudo de Vedanta, a parte final das  sagradas escrituras do Hinduísmo. Lá se experimenta uma vida de recolhimento e austeridade, muita simplicidade e nenhum luxo. Todos trabalham, estudam, e pela manhã bem cedo, das 5:00 às 6:30 e pela tarde das l8:00 às l8:30 comparecem ao templo  do próprio ashram para  os rituais religiosos de Puja (reverências, adorações e oferendas). O templo era limpo, agradável, bem cuidado e as cerimônias muito belas e bem conduzidas por um sacerdote, com lindos cânticos. O ashram fica na beira do Rio Ganges, que nesse trecho, perto dos Himalaias, é bastante limpo e bonito. Foi bastante impactante estar diante desse rio sagrado pela primeira vez, é um contato muito emocionante. Era bom estar perto de suas águas, fazer puja no rio, ir até lá várias vezes por dia ou mesmo ouvir seu barulho ao longe, pois é um rio bastante pedregoso e caudaloso, suas águas correm com uma força impressionante. Não pude deixar de trazer comigo um pouco dessa água transcendental para borrifar e purificar minha casa e a sala onde dou minhas aulas. Esse rio tem realmente uma energia muito especial, pena não ter sido possível me banhar, pegamos uma onda de frio, estávamos no inverno, no sopé dos Himalaias, a temperatura estava realmente muito baixa, e só conseguíamos sair com camadas e camadas de roupas, meias, botas e grandes casacões. No norte da Índia faz realmente muito frio!

A cidadezinha onde está o ashram, Rishikesh, é repleta de ashrams e templos, é conhecida como a capital mundial do Yoga. As esculturas que enfeitam os telhados dos templos são fantásticas, e visitei também templos mais inacessíveis, no alto das montanhas, locais que só recebem mesmo peregrinos, não turistas comuns. Tive a oportunidade de visitar um mestre renunciante (sadhu) que vive há muitos anos numa gruta na montanha. Foi interessante constatar de perto que isso realmente ocorre, uma vez que a gente somente ouve falar  sobre essa opção de vida, onde a pessoa se despoja de tudo e se recolhe para total dedicação à vida espiritual, vivendo apenas de doações esporádicas. Mas é preciso ter olho clínico, pois a gente se depara com falsos sadhus aos montes, interessados somente nas doações, mas por vezes a performance é muito convincente!

Enfim, a Índia é impactante! Tem sujeira, dificuldades de alimentação, falsos mestres, aproveitadores de turista, mas tem também um povo adorável, apesar de sofrido e miserável, uma produção artística inacreditável, um folclore deslumbrante, construções admiráveis. Além do mais é a terra do Hinduismo, da linda mitologia hindu, berço do Yoga. E me ofereceu ainda a oportunidade de um contato mais estreito com o Ayurveda, ciência milenar que estudo, pratico e  incorporo em meu trabalho.

As experiências, boas ou nem tanto, me enriqueceram, e o saldo é sempre positivo. Se eu voltaria? Sim, claro!

Om Shanti, Namaste.

Quando a Terra estava se formando, a Índia era uma ilha e ao chocar com o continente deu-se a formação do Himalaia. É incrível pensar que esta cadeia de montanhas tenha sido praia um dia, mas foram encontrados fósseis de animais marinhos e conchas em suas terras. Isto ocorreu há vinte ou trinta milhões de anos atrás, antes do aparecimento de humanos na Terra.

Os três rios principais da Índia: Indus, Ganga (Ganges) e Brahmaputra nascem no Himalaia. O Indus começa no Tibet, perto do lago Mansarovar, e corre por 2880 km até encontrar o Mar da Arábia no leste de Karachi. É o mais longo dos três rios. O Ganga nasce no Himalaia em Uttar Pradesh. O Brahmaputra também nasce no Tibet, na região conhecida como Tsang Po. O Ganga e o Brahmaputra se encontram antes de desaguar na Baía de Bengala. Na planície entre o Ganga e o Indus há o Deserto Thar e as colinas Aravalli.

Os mais antigos sinais de vida humana na região foram encontrados em Rawalpindi (no atual Paquistão). Ferramentas de 2 milhões de anos foram achadas neste sítio e no estado de Maharashtra, em Bori. Nas colinas Shivalik, no Himalaya, foi encontrado o esqueleto de um “homem macaco” do tipo Ramapitecus de 10 a 14 milhões de anos. Um sítio arqueológico interessante do período mesolítico é Bagor, no Rajastão. Nas cavernas de Bhimbekta, em Madhya Pradesh, podemos ver pinturas rupestres.

Até este estágio da vida humana, os povos de todo o mundo viveram uma vida simples, caçando animais e colhendo frutos e sementes para comer. Todos viviam da mesma maneira, até o período neolítico, quando mudaram o modo de vida para um modo mais seguro, passando a cultivar a terra e domesticar os animais. Isso ocorreu por volta de 10 000 anos AC.

Apesar da multiplicidade étnica e cultural que caracteriza a Índia, ela sempre possuiu uma tendência essencial à unidade, tendência essa que a manteve uma cultura viva até nossos dias. O grande acontecimento histórico que fundamentou a cultura indiana foi a invasão dos ários que penetraram pelo noroeste da Índia, região do Punjab, entre 1500 e 800 A.C., ou mesmo antes disto. Eles encontraram no Paquistão, no vale do Indus, uma das primeiras civilizações do mundo, maior que a do Egito e Mesopotâmia juntas, com uma organização social grandemente desenvolvida.

Provavelmente num período aproximado de 3000 a 2000 anos aC, floresceu no vale do Indus a civilização do mesmo nome. De 1921 a 1931, escavações realizadas por John Marshal e sua equipe desenterraram as ruínas das cidades de Moenjodaro e harappa. A civilização do Indus foi notadamente urbana e um ápice de cultura no mundo da época.

Toda dividida em bairros cortados por ruas formando quadras, geometricamente exatas, Moenjodaro é chamada de “cidade moderna da antiguidade”. As casas eram simples, mas com infraestrutura como cisternas, banheiros e andares superiores e inferiores. Havia também edifícios públicos e supõe-se, pelo que foi encontrado, que havia um sistema de troca de gêneros e uma administração central, composta principalmente por autoridades religiosas.

Harappa é também considerada outra “capital” do Império do Indus, mas tinha algumas diferenças, como o fato de o celeiro estar localizado fora da cidade, pois a proximidade com o rio Ravi permitia que toda a vizinhança transportasse por via fluvial os gêneros para serem estocados. O tradicional banho ritual dos hindus é refletido pelos intrincados sistemas de fornecimento de água de Harappa, assim como um organizado sistema de coleta de lixo.

Vemos nesta civilização pré-védica, anterior à invasão dos ários, obras importantes de arquitetura. Situada na margem esquerda do agora seco rio Ghaggar, no Rajastão, Kalibangan revela o mesmo padrão das cidades citadas acima, mostrando grande desenvolvimento, assim como Lothal, situada não muito longe do Golfo de Cambay, e Surkotada, a 270 km de Ahmedabad, no Gujarat.

A cerâmica é muito presente nestes sítios todos, e além da utilitária, temos também objetos artísticos, como figuras de terracota delicadas mostrando o grau avançado da civilização. O povo do Indus desenvolveu também a tradição de esculturas em pedra, como a bela representação de um homem em estado de meditação em Mohenjo-daro e as esculturas representando jovens dançarinas em Harappa. O trabalho em metal é significativo, como a figura feminina de Mohenjo-daro com seus adornos finamente representados.

A fertilidade do vale proporcionava uma vida de abundância, provavelmente trabalhndo na agricultura, usando a bacia do Indus como meio de transporte, negociando por terrra e, segundo indícios, também por via marítima com a Asia Central, o Sul da Índia, com a Pérsia e o Afeganistão.

As causas do declínio e desaparecimento desta civilização podem ter sido enchentes, epidemias e secas. Mas a hipótese mais possível é de que sucessivas incursões de arianos vindos do Noroeste tenham, aos poucos, dizimado a população.

Os arianos viviam provavelmente na Ásia Central, no planalto que é hoje o deserto de Gobi. Segundo vários achados arqueológicos e também segundo as narrações Históricas budistas pensa-se que neste deserto havia um mar interior e que numa ilha deste mar existia uma cidade. Era desta ilha que partiam os arianos, migrando em várias direções e subjugando outros povos. Eles foram empurrados provavelmente por cataclismos naturais tornando-se assim invasores que impunham facilmente sua inteligência e força. Eles possuíam elevada estatura e pele clara e muitos excursionaram para o oeste, tornando-se antepassados dos gregos, celtas e latinos.

As origens do Hinduísmo podem ser traçadas desde esta precoce civilização. A sociedade era dirigida mais pelos sacerdotes do que pelos reis, pois aqueles intercediam com os deuses, ditavam as regras sociais e também assuntos legais, como posse de terras.

Figuras de barro foram encontradas representando a Deusa Mãe, mais tarde personificada como Kali, e também uma representação masculina, com três faces sentada em atitude de yoga, rodeada por quatro animais, uma das mais antigas representações do deus Shiva. Pilares de pedra preta (adoração ao falo de Shiva como princípio criativo) também foram encontrados. Estas são as mais antigas formas de adoração, mostrando rituais ainda simples, que depois foram substituídos pelos rituais dos brâamanes que passaram a ter exclusividade neste papel.

Talvez a civilização do Indus já estivesse em declínio quando da invasão ária, e isso somente acelerou a derrocada. Isso pode explicar o porquê de os Vedas considerarem os dravidas como bárbaros e primitivos. Sabemos, entretanto que a língua dos dravidas do sul era falada antes da invasão, indicando a coexistência pré-ariana da escrita dravidiana e do Indus. Talvez com a invasão ária, muitos drávidas tenham migrado para o sul, explicando a presença de tal língua fora do vale do Indus. Hoje a língua dravidiana é falada no sul da Índia e no Beluquistão Central, e tem o brahmi como um de seus ramos.

A civilização Védica foi criação dos ários, que elaboraram uma série de hinos religiosos que foram organizados e são conhecidos como os “Vedas”. Essas escrituras são o fundamento do Hinduísmo, absolutamente intrínseco à própria história da Índia.

A ordem social que reflete a assimilação dos Ários e a supremacia dos sacerdotes se consolidou no sistema de castas, que sobrevive até hoje de certa forma. O controle sobre a ordem social foi mantido por regras estritas destinadas a assegurar a posição dos Brãmanes, os sacerdotes. Foram elaborados tabus concernentes a casamentos, dietas, e convívio social.

Durante um curto período de tempo (séculos V a.C. a III a.C.) os persas tomaram o noroeste da Índia. Um jovem príncipe iniciou uma dinastia (o Império Mauna).e seu neto, Ashoka, acabou sendo o governante que mais marcou a India antiga, pois viajou por toda ela, tornando-se muito popular.

Nos séculos seguintes, vários reinos se formaram, todos independentes, e com características culturais e línguas diferentes.

Consulado Geral da India | São Paulo

Uma das civilizações mais antigas do nosso planeta, a Índia é um país de contrastes. A diversidade de línguas, hábitos e modo de vida não impedem que haja uma grande unidade na cultura do país.Ao mesmo tempo que cada estado tem seu próprio modo de expressão, como na arte, música, linguagem ou culinária, o indiano é profundamente arraigado ao sentimento de amor à sua nação e tem orgulho de sua civilização ancestral, o que mantém vivas até hoje muitas tradições.

Talvez pela profusão de deuses adorados por diferentes segmentos da sociedade, a tolerância religiosa é algo inerente aos indianos acostumados a conviver com a diversidade, como as línguas diferentes faladas muitas vezes por vizinhos. Nos dias de hoje ocorrem conflitos religiosos, mas isso não pode ser considerado característico.

Muita coisa causa estranheza no ocidente, pois são muitos símbolos, muitas deidades, muitos rituais. A maioria é relativo ao Hinduísmo, que ainda é a religião com mais seguidores na Índia, seguido pelo Islamismo e o Budismo. O Hinduísmo é tão antigo quanto a civilização da Índia, tanto que a palavra “hindu”é erroneamente usada para dizer ” indiano”, e toda a simbologia é vista pelos outros países como se representasse a própria Índia.

“Por quê Ganesha tem cabeça de elefante? Como o ratinho tão minúsculo pode ser o seu veículo? Porque algumas pinturas mostram os deuses e deusas com tantos braços? “Não podemos entender a Índia sem entender o significado de símbolos como o Om , a swastika, o lotus que revelam fatos sobre a cultura do país, desenvolvidos por centenas de milhares de anos. Apenas aqueles que estudaram a cultura intensamente podem entender o significado intrínseco desses símbolos, mas é uma obrigação moral de todo indiano se dedicar ao conhecimento da simbologia cultural da Índia.

SÍMBOLOS

A principal mensagem dessa cultura é a aquisição de conhecimento e a remoção da ignorância. Enquanto a ignorância é como a escuridão, o conhecimento é como a luz.
A lamparina, chamada de deepak tem muita importância como símbolo pois, tradicionalmente feita de cerâmica, representa o corpo humano porque assim como o barro, também viemos da terra. O óleo é queimado nela como um símbolo do poder da vida. Uma simples lamparina quando imbuída desta simbologia chama-se deepak e nos dá a mensagem de que toda e qualquer pessoa no mundo deve remover a escuridão da ignorância fazendo o seu próprio trabalho.Nos templos, sempre se oferece uma chama, significando que tudo que fizermos é para agradar a Deus.

Outro símbolo que causa curiosidade para os ocidentais é o Om, que representa o poder de Deus, pois é o som da criação, o princípio universal, entoado começando todos os mantras. Diz-se que os primeiros yoguis o ouviram em meditação, e esse som permeia o cosmos. É o número um do alfabeto, é o zero que dá valor aos números, é o som da meditação.

A flor de lótus, presente em muitas imagens, devido ao fato de crescer na água pantanosa e não ser afetada por ela representa que devemos ficar acima do mundo material apesar de viver nele. As centenas de pétalas do lótus representam a cultura da “unidade na diversidade”.

A swastica, que causa estranheza quando é vista, pois para o ocidente é relacionada com o nazismo, é na verdade um símbolo de auspiciosidade, bem estar e prosperidade. Acima de tudo é uma bênção.

As divindades, com seus muitos braços, cada um deles carregando objetos ou armas, símbolos em si, como o lotus, livro, indicam as direções, a maioria representa os quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. Qualquer poder do espírito supremo é chamado deus ou deusa, apesar de Deus ser Uno e Absoluto. Por isso são tantos, pois são muitas as manifestações de Deus.

RELIGIÃO

Outra coisa que é absolutamente importante para entendermos a cultura indiana é a crença na reencarnação, que para os hinduístas, assim como para muitas outras religiões, é um preceito básico e incontestável. Sómente considerando isso é que um ocidental pode entender o sistema de castas. Na filosofia indiana a vida é um eterno retorno , que gravita em ciclos concêntricos terminando no ceu centro, coisa que os iluminados atingem. Os percalços do caminho não são motivo de raiva , assim como os erros não são uma questão de pecado , mas sim uma questão de imaturidade da alma.. O ciclo completo da vida deve ser percorrido e a posição da pessoa em cada vida é transitória. Essa hierarquia implica em que quanto mais alto se chega na escala maiores são as obrigações. A roda da vida cobra mais de quem é mais capaz. Um Brâmane, por exemplo, que é da casta superior, dos filósofos e educadores, tem uma vida dedicada aos estudos e tem obrigações com a sociedade. As outras castas são: Kshatriya, administradores e soldados, Vaishya , comerciantes e pastores e Sudras , artesãos e trabalhadores braçais. Antigamente esse sistema de castas era seguido como lei, mas depois que Mahatma Gandhi, o grande personagem da libertação da India, contestou isso em nome dos direitos humanos, hoje na India a mobilidade social já se faz presente.

Mas nem tudo é hinduísmo na India. O seu maior cartão postal, o Taj Mahal, é uma construção muçulmana, um monumento ao amor, pois foi construido pelo rei para sua amada que morreu prematuramente. É uma das maravilhas do mundo, feito com mármore branco e ricamente decorado com pedras preciosas.

O Islamismo é fundamentado sobre a crença de que a existência humana é submissão (Islãm) e devoção a Allah, Deus onipotente. Para os muçulmanos, a sociedade humana não tem valor em si, mas o valor dado por Deus. A vida não é uma ilusão, e sim uma oportunidade de bênção ou penitência. Para guiar a humanidadde, Deus deu aos homens o Corão, livro revelado através do Anjo Gabriel, ao seu mensageiro, o Profeta Maomé, por volta do ano 610 DC. Um século depois, houve a grande invasão a Sind, que hoje está fora da India, na região do Paquistão, onde a língua Urdu , introduzida naquela época na região, permanece até hoje .Devido a fatores políticos, o Islamismo se espalhou pelo norte e hoje temos um grande crescimento dos seguidores do Islãm por toda a India.

Por volta do século XV o Islam estava dominando o norte da India e se tornou muito intolerante, não admitindo a existência daqueles que não acreditavam na sua religião. Os hindus estavam vivendo em condições desumanas, sendo reprimidos e até massacrados e as mulheres eram maltratadas. Por outro lado os hindus , com suas divisões de classes, suas superstições e parafernália de rituais, depois de séculos de invasões e dominação, passaram a ser humilhados em seu próprio país, proibidos de construir seus templos e até velar seus mortos. Nesse contexto surgiu o Guru Nanak , que mostrou que ambas as religiões estavam se distanciando dos princípios de Deus, de paz e amor na humanidade e inaugurou o Sikhismo, uma religião baseada em valores universais : amor, liberdade, dignidade, tolerãncia, harmonia, amizade, realização pessoal , auto confiança, serviço, caridade e sacrifício. Para um Sikh a geração de riqueza não é irreligioso, se for em benefício da sociedade e não apenas para si próprio. È uma fé baseada na realização de Deus dentro de cada um neste mundo e não depois da morte. .

O Budismo também se faz presente, já que a India é a terra onde nasceu Buda, e onde tudo começou. No tempo do Imperador Ashok, o grande rei unificador da Nação indiana, a maior parte se converteu ao Budismo, que alguns chamam de filosofia e não religião, pois não existe adoração a Deus e o ser humano é levado a conquistar a paz interior pelo caminho do meio, ou seja, o equilibrio. O sofrimento é causado pelo desejo e a prática da meditação é usada para aquietar a mente e procurar atingir o Nirvana, o estado de perfeita paz. As mais impressionantes representações do Budismo da época áurea se encontram nas cavernas de Ajanta e Ellora ,em Aurangabad. Esta última consiste em templos e monastérios erguidos pelos monges budistas , hinduístas e jainistas e contam a história das três religiões.

A vida do indiano é dividida em quatro fases, e essa divisão se chama Ashrama: a infãncia , a juventude, que é absolutamente devotada aos estudos, (não existe namoro nesta fase) , o tempo de se constituir familia, que é pela tradição arranjada pelos pais (este hábito está caindo em desuso com os tempos modernos) e na velhice a vida é dedicada à realização espiritual. Tal modo de vida mostra a grande importância dada ao conhecimento, e um grande número de indianos , apesar do alto índice populacional do país, e da pobreza que é conseqüencia disso, tem escolaridade e fala mais de uma língua.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Quase tudo na India é espiritualidade, mas na verdade o grande propósito da cultura indiana é o conhecimento, e toda essa importância dada às religiôes se deve ao princípio de que o propósito da vida na terra é sair da escuridão da ignorância e chegar à luz do conhecimento. O que muita gente não sabe é que o conceito do Zero nasceu na India, e também que a primeira Universidade , com o significado que a palavra deve ter, existiu em Nalanda, no estado de Bihar ,nos tempos ancestrais.

A matemática do modo como entendemos hoje em dia deve à India todo o seu fundamenrto,pois todo o sistema de numeração é indo-arábico, ou seja, os árabes buscaram na India e difundiram os algarismos que usamos até hoje. A fórmula de Bhaskara que foi criada na India é usada para resolver todas as equações de segundo grau.

A grande contribuição para o mundo além da filosofia , que faz parte da vida e todos os indianos, são os avanços na tecnologia da informação , pois a Índia hoje tem exportando Phd””””s na área de Softwares principalmente para a Europa e EUA. No Brasil, o Departamento de Microeletrõnica da Universidade de São Paulo, USP, o nosso Instituto de Pesquisas Espaciais, INPE, e o IPEN, Instituto de Pesquisas Nucleares contam com profissionais indianos em cargos importantes. No campo da pesquisa espacial, o telescópio Chandra, da NASA, que leva o nome do físico indiano, é superior em tecnologia ao Hubble, mais conhecido por ser responsável por telecomunicações.Outra área importante é a biotecnologia, campo que a India domina sobre muitos países.

ATUALIDADE

A contribuição da Inglaterra, país que colonizou a India, foi principalmente a introdução da lingua inglesa, que permite que haja uma língua comum falada em todos os estados, cada qual com sua lingua nativa. Mas, além disso, introduziram o sistema de trens , que cobre todo o país, o telégrafo e toda a modernização nas comunicações. A independência foi conquistada em 1947, após a célebre resistência pacífica liderada por Mahatma Gandhi, o grande personagem do século XX, que deu o exemplo para o mundo, ensinando que a paz é possível. Ele mobilizou a população a produzir os próprios tecidos, para mostrar que não precisavam depender da Inglaterra, por isso vemos sempre seu retrato com uma roca. Isso tornou-se um símbolo e hoje a produção e tecidos é um dos setores mais prósperos . A marcha do sal foi com a mesma intenção, provar que a India podia ser autosuficiente.

A auto-suficiência é uma realidade, principalmente com relação a alimentos. O fato de ter uma população em grande parte vegetariana, e mesmo os não vegetarianos não comerem carne de vaca porque ela é sagrada, faz com que os espaços não sejam ocupados com pasto, propiciando assim maior incentivo à agricultura. Mesmo que muitas pessoas na India não tenham teto, talvez sapato, sempre existe comida fácil e barata, além da disposição de ajudar uns aos outros ser uma coisa natural no indiano.

Da mesma forma , a população cuida de sua própria segurança.É muito raro assaltos à mâo armada, situações de risco desta natureza, pois o povo religioso como todos sabem, tem uma atitude diferente da ocidental perante a miséria , talvez por ter uma cultura que não é baseda no “ter”.Mas quando ocorre algo, os próprios cidadãos se encarregam de punir o delinqüente. Todos os templos exigem que se tirem os sapatos e estes são deixados do lado de fora. Mesmo com grande número de pessoas sem poder aquisitivo para comprar um sapato, estes não são roubados.

Outro aspecto da auto suficiência é o sistema de conselho municipal, chamado panchayati; cinco membros, geralmente mais idosos, portanto mais sábios, que cuidam dos assuntos da comunidade. Isso vem dos tempos ancestrais, decorrente dos clãs, que são chamados gotra, e foi caindo em desuso, mas a autoridade legal desses conselhos foi restaurada oficialmente em 1989 por Rajiv Gandhi. Não há melhor meio de se exercer uma educação em direitos democráticos do que a chance de exercitar eles mesmos. Dois milhões e meio de habitantes das vilas são eleitos para posições no panchayat e o governo exercido por pessoas comuns fazem da democracia um fenômeno genuínamente de massas

A democracia da India é a maior do mundo pela sua população e o sistema político é parlamentar. Há duas câmaras, a câmara baixa ou “Câmara do Povo” (Lok Sabha) com 544 membros e a câmara alta ou “Conselho de Estados” (Rajya Sabha) co 245 membros . esta última não pode ser dissolvida. Há um Chefe de Estado e um Chefe de Governo, diversos partidos políticos e sindicatos.

CINEMA E ARTE

A Índia moderna, como todos os outros países, absorveu a cultura ocidental, mas talvez devido ao orgulho de sua identidade própria, sem perder as características culturais. Um grande exemplo é a indústria cinematográfica, que é a maior do mundo. O número de filmes feitos na India é maior que em qualquer outro país. A indústria cinematográfica surgiu em Bombay em 1913. Sete anos mais tarde produziu-se em Calcutá o primeiro filme em língua bengali e em 1934 foram inaugurados em Madras os estúdios destinadoss à produção de filmes em tâmil e telugo. Essa é a maior paixão do indiano. Os cinemas vivem lotados, eles adoram seus astros, e o estilo “bollywood” (Bombay é o pricipal centro cinematográfico) se faz presente nas ruas, com músicas que são presentes em alto e bom som em todos os lugares, o colorido que os indianos tanto gostam saindo dos saris, que ainda são uma constante, para as roupas ocidentalizadas, pelo menos nos grandes centros. Mas tudo tem a cara da India, não se vê uma invasão cultural como ocorre em outros países, que perdem a sua identidade em nome de serem modernos.

Esta diversidade colorida, esta mistura de línguas, religiões, saris e turbantes, além de arquiteturas diferentes, é o que o fazem da India este “Caldeirão Cultural”. A princípio o ocidental acha que um sari é sempre igual ao outro, mas um olhar mais atento vai mostrar que conforme a região o modo de amarrar difere do outro, assim como dependendo da religião vemos os diferentes modos de se amarrar um turbante.

As religiões são o fator mais determinante nas expressões do povo, como podemos ver em todas as manifestações da arte. A literatura e a poesia nasceram como mais uma maneira de se conectar com o divino, assim como toda pintura ou escultura. Os poemas de Tagore e Kabir são lidos até hoje, e muitos quadros contemporâneos que podemos ver no Museu de Arte de Delhi fazem referência às tradições e mitos.

Apesar de tudo, quem imagina a India um país místico, com cheiro de incenso e cheio de guirlandas e santos vagando pelas ruas, deve saber que é tudo verdade, mas convivendo lado a lado com um povo extremamente progressista, que gosta da modernidade e com uma identidade cultural única no mundo.

 

Consulado Geral da India | São Paulo