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Atualmente sabe-se que a inflamação está associada a muitas doenças comuns na nossa realidade ocidental do século XXI: obesidade, doenças crônicas, distúrbios mentais, doenças autoimunes, reumatismos, artrites e artrose, colite, doenças cardiovasculares, câncer e diabetes. Por isto faz sentido preferir os alimentos que diminuem a inflamação e evitar a comida que aumenta o processo inflamatório.

Alimentos anti-inflamatórios 

  • Beterraba, tomate, abobrinha, nabo, cenoura, pepino e verduras de folhas escuras
  • Soja e derivados ( incluindo leite de soja, tempeh e tofu)
  • Oleaginosas ( castanhas e nozes)
  • Alho, gengibre, açafrão da terra ( cúrcuma), curry e manjericão
  • Cereais integrais
  • Sementes ( gergelim e pasta de gergelim ou tahine)
  • Frutas vermelhas
  • Peixes
  • Pimentas e molho de pimentas
  • Cogumelos
  • Azeite de oliva
  • Leite orgânico desnatado e seus derivados
  • Cacau e chocolate amargo
  • Repolho, brócolis, couve flor e acelga
  • Suco de laranja natural sem açúcar
  • Óleo de semente de linhaça
  • Ácidos graxos ômega 3

Alimentos que aumentam a inflamação:

  • Carne vermelha
  • Gorduras trans e saturadas ( gorduras animais e gorduras hidrogenadas)
  • Pão branco
  • Arroz branco
  • Batata frita
  • Refrigerantes
  • Açúcar branco e xarope de milho
  • Álcool
  • Glutamato monossódico
  • Ácidos graxos ômega 6

Toda pessoa normal deseja uma vida longa, produtiva e feliz, mas para isto se realizar é necessário ter svastha ou saúde. Para o Ayurveda um ser humano saudável é aquele que apresenta Doshas ( humores) e Agni ( fogo digestivo) em equilíbrio, Dhatus ( tecidos) e Malas ( excreções) cumprindo suas funções adequadamente e um bem estar com relação a sentidos, mente e alma ( Atma).. A definição da Organização Mundial de Saúde é semelhante a visão da Medicina Ayurvedica: “saúde não é apenas a ausência de doença mas o completo bem estar físico, mental e social”. Para alcançarmos este objeti-vo necessitamos de uma rotina diária de hábitos saudáveis denominada dinacharya.
O médico e mestre de Ayurveda, dr. Robert Svoboda, afirma que Svasthavritta significa “estabelecer-se em bons hábitos”.A Medicina Ayurvedica tem recomendações para uma vida saudável desde o momento que se acorda até a hora de dormir. A regra de ouro na tradição indiana é a moderação, ou seja, todos os excessos e deficiências são prejudiciais a saúde. Este talvez seja uma das maiores dificuldades na vida ocidental: seguir o “caminho do meio”. Durante uma interessante aula, em um curso na Índia, o professor, médico ayurvedico e sacerdote brâmane, afirmou de forma contundente: “uma rotina diária equilibrada deve ser dividida em 3 partes: 8 horas de descanso noturno ( sono), pois o repouso é a base da atividade, 8 horas de trabalho e as outras 8 horas para família, higiene, atividade física, transporte, alimentação saudável e meditação”. Quando ele disse isto uma pergunta surgiu na minha mente “será que eu sigo esta sábia recomendação no Brasil ?”

“saúde não é apenas a ausência de doença mas o completo bem estar físico, mental e social”.

Quando nós olhamos para a natureza observamos que ela segue um ritmo. Podemos ver isto nos ciclos de dias e noites e nas estações do ano. O ser humano é um “mini universo”, ou seja, um microcosmo dentro do macrocosmo. As mesmas leis que regem o universo também controlam a fisiologia humana. Se nós queremos ter mais saúde é necessário uma sintonia com estas leis. Semelhante a um jogo de futebol: quando nós entramos em campo temos que respeitar as regras se não podemos ganhar um cartão amarelo, um aviso, e se continuamos violando as normas somos punidos com cartão vermelho, ou seja, estamos expulsos de campo. Desta mesma forma é interessante equilibrar nossas ações e hábitos com as leis da natureza, pois estas são invencíveis. Infelizmente não existe outra maneira de alcançar o bem estar físico, mental e emocional que nós buscamos. O Ayurveda enfatiza esta harmonia com a natureza.
O Ayurveda recomenda acordar cedo, e o ideal é após levantar beber água, em jejum, a temperatura ambiente, deve-se tomar um ou dois copos d água bem cheios pois isto ajuda a ir ao banheiro e evacuar. Deve-se habituar o intestino a funcionar todo dia pela manhã. O Ayurveda afirma que o intestino é o jornal do corpo, deve-se ler o jornal todo dia pela manhã para saber como está o corpo. Qualquer distúrbio nas excreções pode ser um sinal de uma digestão inadequada e acumulo de Ama ( toxinas digestivas) princi-palmente se estiver associado a uma cobertura espessa e pegajosa na língua. Neste caso o ideal é não se alimentar e utilizar chá de ervas como o gengibre e erva doce ( Foeniculi vulgaris), que auxiliam a regularizar a função digestiva, até normalizar a evacuação. Claro que se o distúrbio persistir procure um profissional de saúde.

O Ayurveda recomenda acordar cedo, e o ideal é após levantar beber água, em jejum, a temperatura ambiente.

O Ayurveda recomenda acordar cedo, e o ideal é após levantar beber água, em jejum, a temperatura ambiente, deve-se tomar um ou dois copos d água bem cheios pois isto ajuda a ir ao banheiro e evacuar. Deve-se habituar o intestino a funcionar todo dia pela manhã. Após o banho matinal tire alguns minutos para a introspecção e autoconhecimento. Com este objetivo é importante ter um “cantinho de meditação”, onde você pode colocar uma almofada no chão ou cadeira para a prática, porem se você for um devoto, como eu, pode fazer um pequeno altar com seus mestres. Claro que ninguém tem a necessidade de ter um altar para meditar regularmente. Isto é algo pessoal pois sigo o caminho devocional chamado de Bhakti Yoga. O mais importante é comprometer-se a sentar diariamente e praticar meditação, 15 a 20 minutos, 2 vezes ao dia, manhã e noite, são suficientes para os iniciantes. Um livro, que comecei a ler recentemente, que estimula e explica esta metodologia é “Meditação para Leigos” de Stephan Bodian. Boas meditações!

O coentro ou Coriandrum sativum é uma planta anual de talo cilíndrico, ereto e estriado que mede cerca de meio metro de altura, possui folhas de cor verde brilhante e flores brancas ou róseas. a erva exala um cheiro forte até que os frutos ( equivocadamente chamados de sementes) de aroma doce característico amadureçam. Após secos os frutos exalam um odor especial quando triturados. Encontra-se à venda inteiros ou moídos.
A planta foi mencionada na Bíblia e era usada junto com o cominho e o vinagre para conservar a carne, porem na idade média foi utilizado como afrodisíaco e esta fama provem de sua citação no famoso livro“As Mil e Uma Noites “. Os frutos moídos entram na preparação do “curry” e em muitas massalas, ou seja, misturas de condimentos encontradas nos supermercados indianos e muito valorizadas na culinária da Índia.
O professor e pesquisador indiano Bharat Aggarwal PhD, do M.D. Anderson Cancer Center no Texas, no seu tratado “ Healing Spices” refere-se ao coentro como “acalmando os problemas da barriga”. Aggarwal afirma que a planta medicinal pode contribuir na prevenção ou no tratamento dos seguintes distúrbios e doenças:

Inchaços, aumento do colesterol, cólicas, constipação e flatulência, diabetes, eczemas, hipertensão arterial, má digestão, insônia, síndrome do intestino irritável, distúrbios do fígado, psoríase, rosácea, gastrite, ulcera e candidíase.

Pesquisadores afirmaram na revista “Phytoterapy Research” que o coentro é um medicamento usado nas culturas tradicionais para má digestão, diabetes, reumatismo e dores articulares. Pesquisa em animais que tiveram o diabetes induzido, em laboratório, demonstrou diminuição do nível de açúcar no sangue e aumento de insulina ( hormônio que controla o açúcar no sangue) com o uso de extrato de coentro.
No Ayurveda a erva apresenta sabores adocicado, amargo, picante e adstringente, potencia quente para os frutos e fria para as folhas e tem a capacidade de equilibrar os 3 Doshas na nossa fisiologia. As suas principais ações são:
Estimula a digestão, tira calor do corpo, elimina toxinas, alivia cólicas e gases intestinais, antiparasitário, diurético, febrífugo.
Porem apresenta as seguintes Indicações: externamente uma pasta dos frutos e folhas da planta pode ser utilizado para inflamações, alergias e conjuntivites. Internamente é indicado na acidez ( agravação de Pitta), má digestão, síndrome do intestino irritável, parasitoses, infecção urinaria, febre e na disfunção erétil. A comissão E alemã aprovou seu uso nos seguintes distúrbios: dispepsia ( má digestão) e perda de apetite. Evitar a utilização na gravidez.
As sementes de coentro podem ser utilizadas em associação com as sementes de funcho e cominho pois apresentam propriedades medicinais semelhantes o que induz a um efeito sinérgico desta combinação fitoterápica: sementes secas socadas de coentro 2 g, sementes secas socadas de funcho 2g e sementes secas socadas de cominho 2g, colocar em uma panela, jogar 200 ml de água fervente, abafar por 20 minutos, coar e tomar 3 vezes ao dia, antes das refeições. Isto beneficia as funções digestivas, alivia a gastrite, flatulência e má digestão.

A canela ou Cinnamomum zeylanicum, é uma especiaria adocicada, quente e picante derivada da casca interna da bonita árvore de canela. A planta medicinal é um dos condimentos mais usados no planeta na mistura de temperos do curry, junto com gengibre e o açafrão da terra. Ao longo de toda a antiguidade a canela, junto com a pimenta, era uma especiaria muito cara e cobiçada, que somente os ricos e poderosos tinham acesso. Foi citada várias vezes na Bíblia, e era considerado poderoso afrodisíaco.
No livro dos Provérbios, do antigo testamento, lemos a seguinte passagem: “…um jovem homem desprovido de sabedoria, ao caminhar na rua durante uma noite escura, foi abordado por uma mulher, astuta de coração, vestida de forma libertina…ela o abraça e beija e afirma:

“ aspergi minha cama com mirra, babosa e canela…vamos nos amar até de manhã e nos consolar com carinhos, pois o meu marido não está em casa, ele partiu para uma longa viagem…”

A bela arvore da canela alcança até 16 metros de altura com uma característica casca marron-avermelhado, já suas folhas são ovaladas, pontiagudas com 5 a 15 cm de comprimento. Encontrada no Sri Lanka e sul da Índia na sua forma silvestre. Em sânscrito é denominada Tvak que significa pele, refere-se a casca da planta que é utilizada para fins medicinais. Afirma-se que a canela foi mencionada pelo historiador grego Heródoto e alcançou Egito e Europa no século V a.C. Foi uma das especiarias que movimentou as grandes navegações no século XV e XVI e fez os portugueses conquistarem o Ceilão ( atual Sri Lanka) em 1505, movido pelo interesse comercial pois a planta era um precioso produto extrativo da região.
No Ayurveda a parte utilizada é a casca e óleo essencial. Apresenta sabores picante, adocicado e adstringente, tem uma potencia ( energia) quente e sabor pós-digestivo picante. Nesta visão indiana pacifica os Doshas Vata e Kapha, porem pode agravar o Dosha Pitta. Apresenta as seguintes ações: aumenta o apetite ( dipana), elimina toxinas ( Amapachana), tônico, anti gases ( carminativo), afrodisíaco, tônico cardíaco, antibacteriano, antifúngico e antialérgico. Possui as seguintes indicações terapêuticas: gripes, tosse, secreção, bronquite, má digestão ( dispepsia), flatulência, diarréia, artrites e reumatismos do tipo Vata ( friorentos), má circulação, extremidades frias, infertilidade, disfunção erétil, cólicas menstruais, TPM e endometriose. A comissão E alemã aprovou seu uso nos seguintes distúrbios: perda de apetite e dispepsia ( má digestão).
A dose diária é uma a três gramas do pó. Porem o óleo essencial pode ser usado, externamente na forma de massagens, em áreas dolorosas e reumatismos.
O pesquisador e professor Bharat Aggarwal PhD, do M.D. Anderson Câncer Center do Texas, afirma no seu texto “ Healing Spices” que as pesquisas com a canela sugerem, que a planta medicinal, pode prevenir e tratar os seguintes distúrbios: câncer, aumento do colesterol e triglicierídeos, diabetes, doença do coração, hipertensão arterial, síndrome metabólica, ovário policístico, úlcera ( combate o H. pylori) e candidíase. Já o famoso médico indiano, dr. Deepak Chopra, no seu recente livro “ Você Tem Fome De Quê ?” coloca que o perfume da canela ajuda a melhorar as funções cognitivas, inclusive a concentração, memória e a agilidade visual e motora. Ele nos dá a seguinte dica:

“Quando compramos canela, seja em pau ou em pó, devemos cheirá-la para garantir que esteja com o perfume pronunciado e adocicado”.

Nós terminamos com a receita “ leite com canela e açúcar queimado” retirado do livro “Essência da Saúde” do dr. Danilo Maciel Carneiro: açúcar mascavo – 1 colher de sopa, queimar ( caramelar) ao fogo brando e em seguida acrescentar: canela, em casca, 2 pedaços grandes, gengibre em pó, uma colher de chá rasa e açafrão da terra ou Cúrcuma longa, meia colher de chá rasa. Mexer e rapidamente acrescentar 1 copo cheio de leite de vaca orgânico, ferver bem em fogo baixo, esfriar e tomar morno, 2 vezes ao dia. Este é uma forma de medicar o leite orgânico e torná-lo mais digestivo, melhorar sua absorção, aumentar vitalidade e o sistema imunológico, além de ficar delicioso.

O funcho ou erva-doce é uma bela plantinha aromática, perene, de raiz lenhosa,. Com um caule que pode chegar a um metro e meio de altura e ramos cilíndricos de cor verde brilhante. Seu nome botânico é Foeniculum vulgare, apresenta folhas finas divididas em segmentos estreitos, suas flores são amarelas ( o que o diferencia da Pimpinela anisum, que também é conhecida como erva doce mas apresenta flores brancas) e frutos com pequenas cápsulas contendo sementes ovais. Com um sabor semelhante ao do anis a erva é bastante utilizada na culinária. Conhecido desde a antiguidade na Índia, China e Egito, o funcho era símbolo de vitoria na Grécia e os romanos atribuíam a ele cerca de 22 propriedades terapêuticas, destacando-se seu uso nos distúrbios oculares.
Os soldados e gladiadores preparavam sua comida com a planta medicinal para aumentar sua força e coragem.A partir do Renascimento, o funcho, é amancebado ao peixe, do qual é um tempero usual. No ano da morte de Shakespeare, em 1616, o gastrônomo Culpeper escrevia:

“ Um bom e velho método de se cozinhar o peixe e ainda não abandonado consiste em faze-lo ferver junto com o funcho. Isso absorve o humor ( muco) fleumático que o peixe contem em abundancia e que perturba o corpo, embora poucos que usam este procedimento saibam por que o fazem…”

O pesquisador e professor indiano, Bharat Aggarwal PhD, do M.D. Anderson Cancer Center no Texas escreve no seu tratado “Healing Spices” um capitulo sobre a planta medicinal com o título “ Semente de Funcho, acalma caibras e cólicas”. Segundo Aggarwal a erva tem fantásticas propriedades terapêuticas e tem indicação para prevenir ou tratar os seguintes distúrbios e doenças segundos pesquisas contemporâneas: menopausa ( atividade como fitoestrogenio), cólicas menstruais, hirsutismo ( excesso de pelos ), cólicas em bebes, age como anti-inflamatório e antioxidante em doenças infamatórias, demência e doença de Alzheimer, artrose e artrites, hipertensão arterial e doença do coração, flatulência, colites, glaucoma.
Além disto uma dieta diária contendo sementes de funcho inibiu a formação de tumores em animais, em laboratório, expostos a produtos químicos causadores de câncer. Os pesquisadores da “Food and Chemical Toxicology” afirmaram: “ A inclusão de sementes de funcho na dieta tende a reduzir o risco de câncer na população humana”.
No Ayurveda o funcho tem os sabores adocicado, picante e amargo, potencia fria, qualidades leve e oleosa e equilibra os Doshas Vata e Pitta. Apresenta as seguintes ações: promove a digestão ( dipana), elimina toxinas ( Amapachana), alivia cólicas e gases ( carminativo), diurético, expectorante, antitussígeno e promove a lactação. Suas Indicações são: má digestão ( dispepsia), cólicas intestinais e gases, insônia e nervosismo, dificuldades na menstruação, leite materno insuficiente, disfunção erétil, infecção urinária. O óleo do funcho é aprovado pela comissão E alemã para o seu uso nos seguintes distúrbios: tosse, bronquite e dispepsias ( má digestão). Porem deve-se evitar seu uso na gravidez. A sua dose diária é de 3 a 6 gramas do pó.
O funcho pode ser usado com gengibre e canela para melhorar o fogo digestivo ( agni) em problemas relacionados a má digestão, 30 minutos antes das refeições. Com o objetivo de melhorar o sono pode-se associar a erva ao capim limão e hortelã na forma de infusão ( jogar 200 ml de água quente e abafar por 10 minutos) ao deitar. Porem nos casos de estresse e ansiedade faz-se uma infusão de camomila, funcho e melissa , utiliza-se 2 a 3 vezes ao dia nas principais refeições.

A árvore da Noz Moscada ou Myristicafragrans encontra-se sempre verde, com uma configuração piramidal, com cerca de 10 a 12 metros de altura com folhas longas e intensamente verdes e pode viver por 80 anos. Apresenta pequenas flores, amarelo-clara e suavemente perfumada, já os frutos são piriformes, amarelo ou avermelhados, grandes e carnosos como o damasco que se abrem quando amadurecidos. Alojam uma semente dura, oleaginosa, ovalada e de cor parda medindo 4 cm de comprimento por dois de largura, a Noz Moscada, envolta por um arilo vermelho denominado macis
(chamado de mace em inglês). A planta foi citada nos antigos textos clássicos ayurvédicos, em sânscrito, o que confirma sua utilização na Índia antiga, é cultivada no sul do subcontinente indiano e foi levada para Europa, pelos comerciantes árabes, na idade média.
A planta medicinal foi muito utilizada na Europa pelos médicos. Em 1702 o doutor Louis Lemery em seu “Tratado dos Alimentos” faz da Noz Moscada uma verdadeira panaceia: “Ajuda a digestão, fortifica o coração, o cérebro e o estomago, expulsa gases, provoca a menstruação nas mulheres e corrige mau hálito; como aquece bastante – eis por que devemos usá-la moderadamente – é recomendável em clima frio aos idosos, aos fleumáticos e aqueles que digerem com dificuldade, sendo de grande utilidade para aqueles que frequentam o mar…”. Já em Veneza, em 1704, Paullini redige um tratado de novecentas páginas sobre ela, indicando o seu uso terapêutico em cento e trinta e oito doenças distintas. Como a erva entra em preparações destinadas ao embalsamento o autor conclui:“ Saudável ou doente, vivo ou morto, ninguém pode prescindir dessa Noz, a mais salutar de todas”.

A planta foi citada nos antigos textos clássicos ayurvédicos, em sânscrito, o que confirma sua utilização na Índia antiga, é cultivada no sul do subcontinente indiano e foi levada para Europa, pelos comerciantes árabes, na idade média.

O pesquisador e professor indiano BharatAggarwal, PhD, do M.D. Anderson Câncer Center no Texas afirma, no seu tratado “ HealingSpices”, que a Noz Moscada pode prevenir e tratar os seguintes distúrbios: câncer, ansiedade, depressão, diarreia, aumento do colesterol, epilepsia, memoria ruim e baixo desejo sexual ( libido). No Ayurveda a planta medicinal tem os sabores picante amargo e adstringente, potencia quente e acalma os DoshasVata e Kapha porem pode agravar Pitta. Apresenta as seguintes ações: promove a digestão, elimina toxinas, rejuvenescedor,antiespasmódico, adstringente, afrodisíaco, tônico do coração, hipnótico ( induz ao sono), sedativo,expectorante e hipotensor. Suas principais Indicações são : má digestão, má absorção intestinal, flatulência, cólicas intestinais, náuseas, diarreia, ansiedade, insônia, disfunção erétil, ejaculação precoce, hipertensão, tosse, secreção, incontinência e distúrbios da próstata. O óleo pode ser usado em dores e reumatismo na forma de massagens. Evita-se na gravidez e hipotensão. Sua dose vai de 300 mg a 2 gramas ao dia.
Como sugestão pode-se utilizar uma grama do pó fervido no leite orgânico, tomar uma hora antes de dormir para quadros de insônia. Outra recomendação oriental é misturar uma grama do fruto seco ralado de Noz Moscada, duas gramas das sementes socadas de Cominho e duas gramas das sementes socadas de Coentro colocar em uma panela, jogar 200 ml de água fervente e abafar por 10 minutos, coar, tomar duas vezes ao dia como digestivo e anti gases, após as refeições.

O Capim Limão ou Capim Santo é muito conhecido no Brasil pois ocorre em beira de estradas e prefere clima quente porem é originário da Índia. Uma planta perene com tufos de folhas longas que chegam a 90 cm de comprimento, com propriedades aromáticas e odor característico que lembra a fruta limão. Apesar de ser muito comum no nosso pais é uma planta ayurvedica descrita segundo os critérios da farmacologia do Ayurveda ( Dravya Guna). É muito útil em quadros de febre, beneficia a digestão, utilizada no caso de dores, cólicas, ansiedade, insônia e TPM. O Seu nome botânico é Cymbopogonis citratus e é uma das ervas mais seguras da Fitoterapia.
O Instituto de Medicina Integrativa da Índia estudou o poder do óleo de Capim Limão contra 12 tipos diferentes de células humanas de câncer. Quanto maior a concentração do óleo maior a atuação contra as células cancerígenas. Os pesquisadores afirmaram na revista “ Chemical and Biological Interactions”: “ o óleo de Capim Limão tem uma atividade anticâncer e leva a destruição da viabilidade da célula tumoral”. No seu tratado “Healing Spices” o professor e pesquisador indiano, Bharat Aggarwal PhD, do M D Anderson Câncer Center no Texas, afirma que a planta medicinal pode ajudar a prevenir ou tratar os seguintes distúrbios: câncer, ansiedade, diabetes tipo 2, epilepsia, insônia, aumento do colesterol e triglicerídeos e candidíase oral e vaginal.
No Ayurveda a parte utilizada são as folhas e o óleo essencial, apresenta um sabor picante e amargo e uma potência quente (alguns autores ocidentais afirmam que a erva é fria). Tem as seguintes ações: melhora a digestão, reduz toxinas, alivia febre, beneficia a função respiratória, sedativa suave, analgésica, reduz flatulência, atividade anti-afrodisiaca (diminui a libido) e antiespasmódica. As suas Indicações são: má digestão, flatulência, gripes, secreções, bronquite, febre, TPM, cólicas menstruais, cefaleias, ansiedade e insônia. O óleo essencial pode ser usado para a massagem em articulações dolorosas, reumatismo e como estimulante da circulação. A dose diária é 1 a 9 gramas do pó, infusão de 20 gramas das folhas em um litro de água, tomar 4 a 5 xicaras ao dia. Seu uso é contra-indicado na gravidez.
Terminamos esta introdução ao uso do Capim Limão com indicações de combinações com outras plantas medicinais ayurvedicas descritas na farmacologia indiana:

1-Com funcho, coentro e hortelã como digestivo e anti-gases
2- Com gengibre fresco e açafrão para cólicas menstruais
3- Com alfavaca e canela para febre
4- O óleo essencial da planta pode ser misturado ao óleo de coco ou de gergelim para massagens locais (diluir 1 parte do óleo essencial para 5 partes do óleo vegetal) nos casos de dores, reumatismos, cervicalgias e lombalgias.