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A palavra Yoga em Sânscrito significa união, integração. Ao praticar Yoga com regularidade e correção, você fecha um elo entre seu corpo, mente, emoções e espírito (seu nível de consciência mais elevado).

Como resultado você conquista um corpo forte, flexível, purificado e saudável; um bela postura; uma mente clara; um coração calmo e amoroso; espiritualidade desenvolvida; equilíbrio externo e interno; auto-conhecimento.

Se os benefícios são tantos e tão promissores para todos, a conjugação de Yoga e Ayurveda vem potencializar ainda mais essa integração. A felicidade, bem-estar e vitalidade se tornam ainda mais acessíveis.  Quando você se integra, você se desfragmenta. O homem no mundo moderno sofre e adoece por viver “aos pedaços”, na rotina barulhenta da vida. A desunião de todos os aspectos da vida é a causa do todo o sofrimento.

Há mestres que chegam a definir o Yoga como o aspecto espiritual do Ayurveda, e o Ayurveda como o aspecto terapêutico do Yoga, tão profunda a conexão existente.

Do ponto de vista do Ayurveda, cada indivíduo é único e traz em si um potencial de auto-cura. Foca o tratamento levando em conta o respeito à essa individualidade, que gera necessidades particulares para cada ser. O paciente recebe orientação para uso das ervas mais apropriadas, dieta, rotina e hábitos de vida, meditação, proteção térmica, etc.

Ora, olhando deste modo, se cada pessoa tem um humor biológico próprio ( Dosha ) que lhe permeia e determina o tempo todo, porque não se observa isso também na prática de Yoga? E, possuindo também o Yoga instrumentos para trabalhar no auto-conhecimento e na eliminação das disfunções do praticante provocadas pelo desequilíbrio dos Doshas, fica clara a adequação de se integrar as duas abordagens na obtenção do equilíbrio físico e mental. O resultado são práticas muito mais eficientes no caminho do bem-estar e da cura.

Como ficaria isso na prática?

  • Paciente PITTA: se beneficiará com uma prática restaurativa com asanas introspectivos, pranayamas refrescantes, mantras entoados de modo doce e suave, comando de aula tranqüilo, mas dinâmico.
  • Paciente VATA: se beneficiará com uma prática suave, asanas equilibrantes, pranayamas que geram harmonia, mantras entoados de modo doce e suave, comando de aula tranqüilo, tom de voz baixo.
  • Paciente KAPHA: se beneficiará com uma prática mais vigorosa, com asanas revitalizantes, pranayamas energizantes, mantas entoados de modo firme, comando de aula estimulante, tom de voz bem pontuado.

A prática Yóguica sob um perspectiva Ayurveda abre uma nova dimensão não só no campo da saúde, mas também na compreensão do comportamento do ponto de vista energético e emocional.

Dessa maneira, ligações profundas podem ser resgatadas, libertando de todo sofrimento, inclusive físico ( doenças ). As doenças tem raízes emocionais, pois são mensageiras daquilo que o ser interior gerou para si.

Como as aulas de Ayurveda Yoga são recentes entre nós, ainda ocorrem apenas em atendimentos individuais, geralmente na residência do paciente, duas vezes por semana. Mas esse fator limitador acaba resultando num trunfo, já que o professor passa a freqüentar a casa do aluno, estreitando vínculo, oferecendo apoio, conhecendo um pouco a rotina e os hábitos domésticos da pessoa, possibilitando um feedback ao médico, que em geral só está com o paciente uma vez ao mês. O foco do paciente, que recai sobre aquele profissional e muitas vezes gera uma dependência ansiosa sobre sua cura, acaba se diluindo quando dividido com o instrutor, com quem tem contato mais constante. E com a convivência ganha-se um reforço na persuasão quanto à mudança de hábitos e observância das recomendações do tratamento.

Não há como não perceber Yoga e Ayurveda como aliados que se complementam, atuando como pilares que unidos dão sustentação rumo à plenitude física, mental, emocional e espiritual do ser humano.

 

A prática e a filosofia do Ayurveda são úteis não apenas para restaurar o equilíbrio do corpo, mas também do espírito. Assim como podemos identificar nossos doshas predominantes (Vata, Pitta e Kapha) e cultivar hábitos coerentes com nossas necessidades, devemos reconhecer os nossos padrões mentais, que vão determinar a maneira como percebemos e respondemos ao estímulos externos.

Tais padrões são chamados de Gunas e representariam nossas tendências mentais: Sattva, Rajas e Tamas.  Uma mente com predominância de Sattva, o princípio do contentamento, da paz e da harmonia, é mais pura, mais positiva e alegre. É típica de pessoas sensíveis e perceptivas. O predomínio de Rajas, princípio da energia, gera movimento, mudança, emoção e desequilíbrio. Uma pessoa com mente rajásica em geral é irritadiça, passional, agitada e dominadora. Tamas é o princípio da inércia; em excesso na mente gera pessoas rígidas, depressivas e resistentes à mudança. Estas três enrgias coexistem dentro de nós e devemos reconhecê-las para sermos capazes de preservar seu equilíbrio. Para vivermos de maneira harmoniosa, deve-se ter Sattva predominante, com pitadas de Rajas e Tamas que tragam movimento e descanso na medida certa. O Ayurveda ensina que somos responsáveis por nossa saúde e como sermos seletivos em relação ao alimento, aos pensamentos e às ações. Técnicas respiratórias, ásanas e meditação são alguns dos recursos deste milenar sistema de saúde indiano que nos ajudam a equilibrar os Gunas e a viver de maneira mais prazeiroza e plena, mais calmos e integrados com a nossa própria natureza.

 

 

 

 

Ayurveda e a Terceira Idade
De acordo com o Ayurveda, a partir dos 60 anos começa a haveruma influência da energia de Vata em nosso organismo, fazendo com que haja predominância dos elementos Ar e Éter sobre os outros. Essa influência pode gerar desequilíbrios, que vão se manifestar através de sinais e sintomas diversos como insônia, sensação de frio, digestão irregular, prisão de ventre, dor articular,secura de pele e mucosas, memória fraca, etc..

Vata gera irregularidade, instabilidade… o excesso de Vata, tão comum nos idosos, pode ser combatido com uma correção alimentar e adoção de uma nova rotina de hábitos que vão gerar mais equilíbrio e, consequentemente, saúde. As recomendações do Ayurveda para esta faixa etária visam evitar o acúmulo execessivo de “ama”, palavra em sânscrito que designa toxinas, e o rejuvenescimento (Rasaynana). Rejuvenescer para o Ayurveda significa diminuir a velocidade de envelhecimento, restaurar as funções orgânicas e estimular a renovação das células e tecidos
Alimentação nutritiva, quente e úmida (para combater a leveza, o frio e a secura trazidas por Vata), dando prioridade para os sabores doce, salgado e adstringente. Uma dieta com base em frutas e de vegetais frescos e orgânicos, grãos integrais e derivados do leite (sem exagero) traz vitalidade e integridade ao corpo-mente. Evitar sempre que possível alimentos enlatados, congelados ou requentados muitas vezes. Todos eles têm uma coisa em comum: falta de energia vital. Entre a última refeição e o horário de dormir, deve-se dar um espaço de pelo menos 3 horas, para garantir um sono restaurador. As refeições devem ser feitas sempre no mesmo horário, num ambiente de tranquilidade. Deve-se dar atenção especial à ingestão de líquidos – água principalmente – para diminuir a secura. Para uma mente saudável, algumas dicas do Ayurveda: ingestão regular de sementes, como nozes e amêndoas, de plantas medicinais, como o açafrão (Curcuma longae), e uso moderado do ghee, manteiga clarificada. Fazer uma desintoxicação a cada mudança de estação é uma recomendação do Ayurveda para garantir uma boa saúde ao longo dos anos.

Massagem, meditação e Yoga para controle do stress e aumento da energia. 

Auto-massagem com óleos medicinais – Abhyanga – é uma das mais melhores formas de controlar o Vata nesta fase da vida: além dos inúmeros benefícios desta prática, que atua sobre todos os sistemas do corpo, ela traz frescor e brilho, tornando-a mais forte. Massagem nas plantas dos pés antes de dormir atenua os estados de ansiedade e aprofunda mais o sono. O óleo mais indicado para massagem é o de gergelim, tradicionalmente utilizado na India, mas há outras opções no mercado que misturam diversos óleos, como oliva, gergelim e gérmen de trigo, com óleos essenciais, como Ylang-ylang, gerânio e lavanda. Evitar passar muitas horas diante da TV, que embota completamente o pensamento; deve-se treinar o cérebro pra ele mantenha-se saudável – jogo da memória, jogos de carta, leitura, palavras cruzadas, desenho, pintura…coisas simples que estimulem a memória, o raciocínio e a criatividade.

Deve-se sobretudo cultivar o pensamento positivo e a auto-estima.

O mundo moderno, principalmente nosso lado ocidental, está dominado por uma cultura à juventude, o que nos faz sentir cada vez piores à medida que envelhecemos. Contudo, na tradição védica, como em todas as sociedades tradicionais, as pessoas idosas são consideradas como guardiãs da família, da comunidade; compartilham suas experiências e aconselham os mais jovens: esta é uma realidade social saudável. O envelhecimento do corpo faz parte da vida e todos nós chegaremos lá; o que não me parece muito natural é o envelhecimento social, que gera um impacto negativo na saúde destas pessoas.

O idoso não deve isolar-se com pensamentos do tipo “não quero dar trabalho”, “não quero ser um incômodo”. Não se deve confundir com morar sozinho. Uma pessoa idosa pode muito bem viver sozinha, mas não se isolar; ela interage com sua família, faz amizades, vive o momento presente com alegria. Por outro lado, há idosos cercados de pessoas o tempo todo e que, no entanto, são verdadeiras ilhas.

Para ter saúde é preciso disciplina, isso vale em qualquer idade; é uma ilusão acreditar que se pode ter saúde tomando uma pílula mágica que se compra na farmácia. Definitivamente não. A cada fase de nossa vida precisamos fazer um balanço, uma auto-análise. O diferencial do Ayurveda está justamente aí, porque ele coloca em nossas mãos a responsabilidade por nossa saúde, e não o médico ou o psicólogo ou o terapeuta. Na Terceira Idade podemos pensar em trocar um mau hábito por outro mais saudável um hábito, porque não? Esse pensamento cristalizado de que “agora é tarde demais” é que aprisiona nosso ser completamente.

Devemos sempre lembrar que a verdadeira juventude está em nossa mente, está na maneira como percebemos e reagimos às coisas, na intensidade com a qual vivemos o momento. Uma mente leve e sem preconceitos é uma mente livre e é assim que devemos ser para não sermos reféns das circunstâncias que nos rodeiam. A terceira idade pode ser a melhor época de nossas vidas se
soubermos apreciar sua verdadeira beleza.