O funcho ou erva-doce é uma bela plantinha aromática, perene, de raiz lenhosa,. Com um caule que pode chegar a um metro e meio de altura e ramos cilíndricos de cor verde brilhante. Seu nome botânico é Foeniculum vulgare, apresenta folhas finas divididas em segmentos estreitos, suas flores são amarelas ( o que o diferencia da Pimpinela anisum, que também é conhecida como erva doce mas apresenta flores brancas) e frutos com pequenas cápsulas contendo sementes ovais. Com um sabor semelhante ao do anis a erva é bastante utilizada na culinária. Conhecido desde a antiguidade na Índia, China e Egito, o funcho era símbolo de vitoria na Grécia e os romanos atribuíam a ele cerca de 22 propriedades terapêuticas, destacando-se seu uso nos distúrbios oculares.
Os soldados e gladiadores preparavam sua comida com a planta medicinal para aumentar sua força e coragem.A partir do Renascimento, o funcho, é amancebado ao peixe, do qual é um tempero usual. No ano da morte de Shakespeare, em 1616, o gastrônomo Culpeper escrevia:

“ Um bom e velho método de se cozinhar o peixe e ainda não abandonado consiste em faze-lo ferver junto com o funcho. Isso absorve o humor ( muco) fleumático que o peixe contem em abundancia e que perturba o corpo, embora poucos que usam este procedimento saibam por que o fazem…”

O pesquisador e professor indiano, Bharat Aggarwal PhD, do M.D. Anderson Cancer Center no Texas escreve no seu tratado “Healing Spices” um capitulo sobre a planta medicinal com o título “ Semente de Funcho, acalma caibras e cólicas”. Segundo Aggarwal a erva tem fantásticas propriedades terapêuticas e tem indicação para prevenir ou tratar os seguintes distúrbios e doenças segundos pesquisas contemporâneas: menopausa ( atividade como fitoestrogenio), cólicas menstruais, hirsutismo ( excesso de pelos ), cólicas em bebes, age como anti-inflamatório e antioxidante em doenças infamatórias, demência e doença de Alzheimer, artrose e artrites, hipertensão arterial e doença do coração, flatulência, colites, glaucoma.
Além disto uma dieta diária contendo sementes de funcho inibiu a formação de tumores em animais, em laboratório, expostos a produtos químicos causadores de câncer. Os pesquisadores da “Food and Chemical Toxicology” afirmaram: “ A inclusão de sementes de funcho na dieta tende a reduzir o risco de câncer na população humana”.
No Ayurveda o funcho tem os sabores adocicado, picante e amargo, potencia fria, qualidades leve e oleosa e equilibra os Doshas Vata e Pitta. Apresenta as seguintes ações: promove a digestão ( dipana), elimina toxinas ( Amapachana), alivia cólicas e gases ( carminativo), diurético, expectorante, antitussígeno e promove a lactação. Suas Indicações são: má digestão ( dispepsia), cólicas intestinais e gases, insônia e nervosismo, dificuldades na menstruação, leite materno insuficiente, disfunção erétil, infecção urinária. O óleo do funcho é aprovado pela comissão E alemã para o seu uso nos seguintes distúrbios: tosse, bronquite e dispepsias ( má digestão). Porem deve-se evitar seu uso na gravidez. A sua dose diária é de 3 a 6 gramas do pó.
O funcho pode ser usado com gengibre e canela para melhorar o fogo digestivo ( agni) em problemas relacionados a má digestão, 30 minutos antes das refeições. Com o objetivo de melhorar o sono pode-se associar a erva ao capim limão e hortelã na forma de infusão ( jogar 200 ml de água quente e abafar por 10 minutos) ao deitar. Porem nos casos de estresse e ansiedade faz-se uma infusão de camomila, funcho e melissa , utiliza-se 2 a 3 vezes ao dia nas principais refeições.

Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, acupunturista e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Phramacy, tradicional escola de Ayurveda do sul da Índia. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ, presidente da Associação Brasileira de Ayurveda e autor do livro “ A Tradição do Ayurveda” pela editora Águia Dourada.

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