Projeto de tese de Doutorado


 

1-INTRODUÇÃO

Há vários anos vem sendo publicado várias pesquisas sobre as medicinas não convencionais, popularmente conhecidas como “Medicinas Alternativas”, no sentido demonstrar a sua eficácia ( Norton, 2001 e Williamson, 2002 ). Paralelamente ocorreu um processo paulatino de reconhecimento pelos sistemas públicos de saúde e pela sociedade civil, em geral, da capacidade resolutiva dos problemas de saúde por outros sistemas de cura principalmente aquelas conhecidas como Medicinas Orientais.

Dentre as chamadas “ Medicinas Orientais” destacam-se a Medicina Chinesa e a Medicina Ayurvedica na Índia( Svoboda & Lade, 1995: p 7 ). São duas das mais antigas tradições médicas atualmente em prática em todo mundo, racionalidades médicas que surgiram em diferentes regiões do planeta, mas em períodos históricos semelhantes e foram influenciadas pelos pensamentos filosóficos prevalentes nos seus respectivos países de origem. Cada um destes sistemas esclarece sua própria compreensão de saúde e doença, utilizando analogias com as forças da natureza para expressar suas concepções .

Meu propósito neste projeto é levantar um conjunto de questões envolvendo a Medicina Ayurvedica, definida como racionalidade médica, isto é como um sistema médico complexo de acordo com o grupo de pesquisas Racionalidades Médicas e práticas de saúde, coordenado por Luz( Luz, 1988, 1996, 1997 e 2003). Neste grupo de pesquisas tive a oportunidade de desenvolver minha dissertação de mestrado sobre as tradições médicas orientais em 2001 e 2002.

A Medicina Ayurvedica ou Ayurveda ( conhecimento da vida em sânscrito), através de suas várias ferramentas terapêuticas, vem sendo utilizada pelo Sistema Único de Saúde – SUS desde o final dos anos 80, em Goiânia, com o Hospital de Medicina Alternativa. “Em Goiânia no ano de 1988 foi implantado pelo SUDS, um serviço de saúde que presta assistência utilizando a fitotetapia – o Hospital de Terapia Ayurvedica” ( Barbosa, 1990; 8 ). Este Hospital do SUS é referencia, com relação ao pioneirismo, na utilização das plantas medicinais brasileiras segundo os princípios milenares do Ayurveda.

O projeto se insere, portanto, na Linha de Pesquisa “Racionalidades Médicas: Estudo Comparativo da Medicina Ocidental Moderna, Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Ayurvedica e Homeopatia”, em desenvolvimento no Instituto de Medicina Social, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sob a coordenação da Professora Madel Therezinha Luz, desde 1992. Esta linha de pesquisa vem comparando sistemas médicos complexos, ao nível teórico ( filosofia, história e antropologia) e prático, buscando contribuir para o desenvolvimento de políticas publicas de atenção médica que coadunem efetividade e resolutividade com soluções menos onerosas em termos de tecnologias, recursos humanos, organização e gestão de serviços de saúde.

A Linha de Pesquisa dispõe de um eixo de investigação referente a estudos de natureza teórico-conceitual, discutindo questões relativas as concepções e as representações sobre os vários sistemas médicos identificados na sociedade brasileira. O conceito de “Racionalidade Médica”, elaborado pela professora Madel Therezinha Luz ( Luz, 1988 ), estabelece que toda racionalidade médica supõe um sistema médico complexo, simbólico e empiricamente estruturado em seis dimensões fundamentais: uma cosmologia, uma doutrina médica, uma morfologia, uma fisiologia ou dinâmica vital humana, um sistema de diagnóstico e um sistema de intervenções terapêuticas. Todo sistema médico complexo seria, portanto, uma racionalidade médica desde que se constituísse nas seis dimensões mencionadas.

Em 1997, refletindo sobre os resultados da Linha de Pesquisa até aquele momento, Madel Luz ( Luz, 1997 ; 13 a 43 ) lançou a hipótese de que poderia estar em curso uma crise cultural relativas as relacões entre a sociedade e a medicina. Ao longo do seu processo histórico de desenvolvimento, na modernidade, a Medicina Ocidental, teria constituído como objeto central de sua atuação a categoria doença, e concentrado os seus esforços no diagnóstico das patologias, perdendo o seu milenar papel terapêutico ao deixar de dar a devida atenção à arte da cura na prática clínica. Apesar dos incontestáveis avanços da ciência médica ocidental, os pacientes ressentem-se de não receberem os cuidados e a atenção de que sentem necessidade. Foi-se o tempo do médico da família, do clínico geral, que tinha tempo para ouvir o paciente, alem de diagnosticar e prescrever, aconselhava e acompanhava de perto a evolução de seu paciente.

Outro aspecto importante mencionado na crise da Medicina Ocidental Moderna é o fato de as pessoas estarem se tornando mais conscientes dos efeitos colaterais provocados pelas drogas alopáticas, denominados iatrogenia, ou seja da doença causada pelo médico. Esta preocupação chegou a tal ponto que alguns médicos alopatas ao prescreverem um medicamento, recomendam aos pacientes não lerem a bula do remédio. É claro que após este conselho o paciente irá ficar extremamente preocupado com possíveis efeitos indesejáveis da medicação e não raras são as vezes que o paciente, após ler a bula do remédio, não toma a medicação.

Neste contexto geral, em que novas abordagens de cura e saúde baseadas em paradigmas distintos à Medicina Ocidental, vêm se fortalecendo e conquistando adeptos na nossa realidade de país latino americano do denominado “terceiro mundo”. O Ayurveda, medicina tradicional da Índia, nos últimos anos vêm conquistando espaço na mídia, trilhando um caminho semelhante ao da já consagrada e conhecida Medicina Tradicional Chinesa, em que a acupuntura tornou-se especialidade médica em 1995, e possui hoje milhares de praticantes médicos e não médicos em todo o Brasil. ( Nascimento, 1997 ).

A palavra Ayurveda, vem do sânscrito, que é uma língua clássica muito antiga que foi falada no norte da Índia até meados do primeiro milênio antes da nossa era ( Houaiss, 2001, 2511 ). O sânscrito foi descrito pelo gramático indiano Panini no século IV a. C., e é a língua indo-européia de registro escrito mais antigo, deu origem no século XVIII a lingüística histórico-comparativa e à indo-europeistica, quando se perceberam as suas semelhanças com o grego antigo, o latim, o persa antigo e o gótico. O dr. Bhagwan Dash, um dos principais autores do Ayurveda no século XX, no seu livro “Fundamentals of Ayurvedic Medicine” afirma:

“ A palavra Ayurveda formada de 2 termos em Sânscrito:

Ayus significa vida e veda significa conhecimento, colocadas juntas, traduz-se como “Ciência da Vida”. Entretanto, em um sentido limitado,

é sempre utilizada como “A Ciência da Medicina”. Caraca definiu Ayurveda como : “ A Ciência através da qual pode-se obter

o conhecimento sobre o estilo de vida útil e prejudicial, feliz e miserável, a extensão da vida e a natureza essencial da vida”. Através desta definição

nós podemos observer que o Ayurveda não apenas coloca ênfase em levar uma vida repleta de felicidade, mas também em uma vida útil

a sociedade como um todo. O Homem é um ser social, ele não pode se retirar da sociedade. A menos que a sociedade torne-se

feliz não é possível para o indivíduo atingir e manter a sua própria felicidade. Com esta visão é que o indivíduo deve sempre fazer um

esforço para a felicidade da sociedade e os textos Ayurvedicos estão repletos de referências para manter a sociedade feliz. A medicina

social, que é vista como um conceito novo no sistema moderno de medicina, nada mais é que uma recordação do que foi proposto pelo

Ayurveda mais de 2500 anos atrás” ( Dash, 1995; 2 )

Dentro de uma visão holística e integradora do ser humano, a Medicina Indiana ou Ayurveda em sânscrito, se destaca pois necessita de uma demorada anamnese, em que questionamentos como: sensação de calor e frio, poder da função digestiva, sono reparador, sexualidade e alimentação são relevantes procedimentos associados a um exame físico com a pulsologia oriental e o exame da língua, que levam a uma sensação do “estar sendo cuidado” e de maior interesse pelo paciente. O Ayurveda possui uma proposta para a saúde do individuo mas também se preocupa com a saúde da sociedade Neste sentido,

é talvez o sistema médico pioneiro em saúde coletiva pois em seus textos a visão da coletividade está sempre presente e é muito relevante.

De acordo com Lad, ( Lad, 1984) os sábios indianos apresentam uma estreita conexão entre o homem e o universo, o microcosmo e o macrocosmo, uma energia cósmica se manifesta em todas as coisas animadas e inanimadas:

“ Eles perceberam, na relação intima entre o Homem e o Universo, como a energia cósmica se manifesta em todas as coisas vivas e não vivas. Eles, também, realizaram que a fonte

de toda a existência é Consciência Cósmica, que se manifesta como energia masculina e feminina: Shiva and Shakti” ( Lad, 1984: p 15 )

O Ayurveda recomenda uma vida em harmonia com a Inteligência Cósmica, através da qual retornamos, coerentemente com esta visão, a unidade com a Natureza. Daí o conceito de que saúde é harmonia e que doença é gerada por um distanciamento ou um desequilíbrio com as leis da Natureza. Segundo esta racionalidade as doenças seriam provenientes de desequilíbrios ou desarmonias com estas leis.

A Medicina Ayurvedica apresenta-se como uma alternativa a Medicina Ocidental Moderna e como um poderoso coadjuvante nos serviços integrados de atendimento a saúde coletiva. É nossa hipótese que este sistema médico pode se adaptar, com facilidade, a nossa sociedade e suas práticas tradicionais. Pois os medicamentos são feitos a base de plantas medicinais. De acordo com dr. Chowdhury Gullapali, médico indiano, pesquisador da fitoterapia, que esteve no Brasil de 1989 a 2000, cerca de 80% das plantas utilizadas no sul da Índia podem ser encontradas na nossa flora medicinal brasileira ( Gullapalli, 1999 ).

Temos um exemplo de sucesso da adaptação do Ayurveda a nossa realidade no Hospital de Medicina Alternativa de Goiânia( Barbosa, 1990; 42 a 60 ). Em 1986 foi assinado um convênio entre o Estado de Goiás, através da Secretaria de Saúde e o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social, a Universidade Federal de Goiás e o Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia Maharishi, para implantação do programa de Fitoterapia Ayurvedica. Neste mesmo ano foi iniciado, em Goiânia, o primeiro curso de especialização em Fitoterapia, utilizando a metodologia ayurvedica. O curso foi ministrado por médicos indianos provenientes da Universidade Ayurvedica de Gujarat e outras faculdades de Ayurveda da Índia. Posteriormente outros cursos foram realizados, por médicos indianos,com o objetivo de treinar os profissionais de saúde brasileiros, para implantar o serviço de Medicina Ayurvedica no Hospital.

No Hospital de Medicina Alternativa existe uma ampla área externa para o cultivo de plantas medicinais, o chamado Horto Medicinal. Neste espaço, ao ar livre, se realiza o cultivo de ervas medicinais dispostas em linhas em canteiros de 1,00 x 20,00 m ( Barbosa, 1990, 55 a 60 ). Além disto existe também um pomar para plantas de porte arbóreo com fins medicinais. Mais de 50 espécies de plantas, da nossa flora medicinal, são cultivadas no Horto Medicinal do Hospital. Cerca de 83 diferentes tipos de ervas são utilizadas para a manipulação de medicamentos fitoterápicos, segundo os princípios clássicos da Medicina Indiana ou Ayurveda. Cerca de mais de 100 pacientes são atendidos, diáriamente, no Hospital e os remédios, de plantas medicinais, são fornecidos gratuitamente aos pacientes.

Atualmente nos ambulatórios de atenção primária a saúde constatamos que existe um infindável numero de queixas de pacientes, que a biomedicina, não consegue atender adequadamente pois não se enquadram em patologias identificáveis pela racionalidade médica ocidental, são por isto deconsideradas por serem “subjetivas” e classificadas como “psicológicas”. Entretanto, tais formas de adoecimento, encontram diagnóstico e tratamento dentro da Medicina Indiana através de suas ferramentas terapêuticas: massoterapia com óleos medicinais, plantas medicinais, yoga, meditação, dieta, rotina diária adaptada a cada desequilíbrio e panchakarma ou as cinco ações de depuração do corpo físico ( Frawley, 2000; 64 a 77 ). Esta possibilidade de uma nova abordagem, não apenas curativa mas também preventiva, com promoção da saúde e cura das patologias é um dos fortes elementos que justifica o desenvolvimento de uma pesquisa na racionalidade médica indiana através do estudo de suas fontes clássicas.


 

2-OBJETO DE ESTUDO

O objeto de estudo desta tese está constituído pela análise de temas que consideramos fundamentais da teoria do Ayurveda clássico, e que vêm sendo modificados ou adaptados a uma abordagem cientifica ocidental. Associado a este estudo tentaremos resgatar a gênese do Ayurveda que se apresenta, ao nosso ver, de forma confusa e obscura na literatura moderna.

Dentro destes temas destacam-se:

A) Conceitos clássicos do pensamento ayurvedico

B) Estudo comparativo dos autores clássicos nas fontes primárias

O projeto terá uma abordagem teórico-conceitual, com uma perspectiva predominantemente filosófica, embora incluindo, secundáriamente, um olhar sócio-histórico e antropológico. Estes temas serão analisadas à luz das representações da filosofia indiana inseridos no pensamento dos autores classicos, e as suas representações históricas e teóricas conforme se apresentam nas escolas originais do Ayurveda.

Estaremos, assim, investigando comparativamente as duas principais escolas clássicas do Ayurveda: a escola de medicina interna de Caraca e a escola de cirurgia de Susruta. Estas duas escolas clássicas possuem desenvolvimento histórico distintos, segundo a tradição, o que não foi ainda investigado, de nosso ponto de vista, adequadamente pelos autores ocidentais.

Estaremos trabalhando, principalmente, com 2 suposições que acreditamos ser de relevância para a pesquisa:

1- A partir da análise dos autores clássicos, que representam as duas principais escolas tradicionais do Ayurveda, podemos afirmar que este sistema médico é um corpo de conhecimento homogêneo.

2- Existem distinções significativas entre as dimensões do diagnostico e das intervenções terapêuticas nestas duas escolas clássicas.


 

3 – OBJETIVOS

O objetivo deste projeto é esclarecer diversas questões importantes da Medicina Ayurvedica através de pesquisa nas fontes primárias e secundárias desta racionalidade médica:

3.1-As diferenças entre os textos e principais autores clássicos dentro de duas dimensões da racionalidade ayurvedica: sistema de diagnostico e sistema de intervenções terapêuticas.

3-2Conseqüências teórico-práticas da visão dos autores clássicos nas fontes primárias em relação aos autores modernos ocidentais.


 

4- METODOLOGIA

A estratégia metodológica, deste projeto de tese, consiste em explorar a literatura clássica médica indiana no sentido de compreender, através do estudo analítico das fontes primárias e secundárias, esta racionalidade médica, nas suas distintas dimensões: cosmologia, dinâmica vital, morfologia, doutrina médica, diagnose e abordagem terapêutica, conforme descrito por Madel Luz (Luz, 1993). Durante a pesquisa iremos explorar duas dimensões da tradição medica indiana, o sistema de diagnostico e as intervenções terapêuticas, de forma comparada nas duas principais fontes primarias.

As fontes primárias de estudo a serem analisadas seriam as obras clássicas do Ayurveda que chegaram aos nossos dias:

Caraka Samhita:
Este tratado é considerado o mais importante texto do Ayurveda que chegou aos nossos dias. Nas palavras de Sharma e Dash tiraqdas da introdução da tradução sua tradução para o inglês:

“ Alguns dos antigos textos do Ayurveda não estão disponíveis.Entre os textos existentes, o Caraka Samhita de Agnivesa, o

Susruta Samhita de Susruta e o Ashtanga Hrdrayam de Vagbhata são reconhecidos como o “Grande Trio”. Destes três, Caraka é

considerado a maior autoridade, desde que representa um tesouro autentico dos vários aspectos desta ciência, com especial refe-

rência aos princípios fundamentais da medicina” ( Sharma e Dash,1995; xxi ). O nome Caraka é proveniente da raiz do sânscrito “car” que significa mover-se, provavelmente Caraka era um médico errante, que propagava seus conhecimentos e dava alívio aos seus pacientes. Havia também um médico da corte do rei Kaniska, século II da nossa era, com este nome, provavelmente não era o mesmo médico que escreveu o famoso tratado. Com relação a identidade de Caraka, Ramachandra Rao afirma:

“ A identidade de Caraka é inteiramente incerta. Nós não estamos certos se este era o nome pessoal de um autor que foi o principal

responsável pela atual versão do Caraka Samhita. Foi sugerio ( em Brhajjaka ) que o médico especialista, que viajava de aldeia em al-

déia, não apenas administrando remédios mas também ensinando a ciência médica era denominado Caraka ( médico errante ) assim

como o cirurgião era conhecido como “ Dhanvanthari” ( Rao, 1985;44 )

Susruta Samhita
Na tradição milenar do Ayurveda é dito que existem duas escolas principais:

A escola de Caraka – Atreya, de medicina interna, e a escola Dhanvanthari – Susruta, que é a escola de cirurgia. O clássico Susruta Samhita é considerado o primeiro livro de cirurgia da história da medicina. Susruta, se é que existiu um médico com este nome, era um cirurgião da Índia antiga, que foi discípulo de uma figura mítica chamado Dhanvantari, Bhishagratna na sua tradução do Susruta Samhita para o inglês coloca:

“… quando o santo Dhanvantari, o maior dos poderosos celestiais, encarnou na forma de Divodasa, rei de Kashi, estava sentado em

Seu eremitério, cercado pelos sábios, Suruta e outros lhe falaram o seguinte: “ ó senhor, nos aflige muito encontrar os homens

caindo vitimas das doenças mentais, físicas, traumáticas ou naturais, e lamentavelmente gemendo em agonia como criaturas sem amigos…nós suplicamos a vós, ó senhor, para ilumi-

nar nossa mentes com o eterno Ayurveda para que nós possamos aliviar o sofrimento da humanidade como um todo.

Bem-aventurança nesta vida e após, é a dádiva deste eterno Ayurveda, e para isto, ó senhor, nós nos fizemos destemidos

para aborda-lo como vossos humildes discípulos”. Para eles, o santo Dhanvantari respondeu: “ bem-vindos todos vocês a este

bem-aventurado eremitério. Todos vocês são dignos da honra do discipulado” ( Bhishagratna, 1991; 1 e 2 )

Neste primeiro parágrafo do primeiro capítulo do texto, notamos a forte influência da religião hindu, pois Dhanvantari na mitologia da Índia é o deus da medicina, que encarna em Kashi, cidade de Benares ou modernamente chamada Varanasi. Considerada uma das cidades mais antigas do planeta, com uma continuidade espiritual desde o século IV a.C., justamente no período da vida de Buda, o iluminado. ( Abram e cols, 1996; 322)

Suruta, em sânscrito, significa “ aquele que escutou bem”, o autor do clássico refere-se a Suruta na terceira pessoa e o descreve como “ o digno filho de Visvamitra” . No Rig Veda, mais antigo dos quatro vedas, existe um sábio autor do hino Gayatri que possui o nome de Visvamitra. Ramachandra Rao coloca que existiu um Visvamitra, provavelmente descendente deste autor, que era médico e possivelmente pai de Suruta. A data exata deste Samhita é desconhecida, mas Filliozat, autor francês, tenta chegar a um consenso:

“ Provisoriamente nós podemos considerar o Susruta Samhita como um trabalho dos últimos séculos antes da nossa era, o qual atingiu a sua forma definitiva nos primeiros séculos

da era cristã” ( Filliozat, 1964: 15 ).

O principal comentário do Suruta Samhita foi escrito por um famoso monge budista chamado Nagarjuna, considerado grande filósofo e alquimista da Índia antiga, que viveu no século II da nossa era.

“ No campo da medicina ele é reconhecido como ter reescrito todo o Suruta Samhita, que provavelmente estava em um pobre estado de preservação durante os seus dias” ( Rao, 1985: 71)

Alem das fontes primarias trabalharemos também com fontes secundárias, constituídas pelo que Umberto Eco designa por “literatura crítica” ( Eco, 1988; 41 ). No caso da nossa proposta de pesquisa as fontes secundárias são muito importantes, não apenas pelo conhecimento que agregam para uma melhor compreensão do pensamento clássico do Ayurveda, mas, também, e principalmente pelos valiosos extratos das fontes primárias que freqüentemente apresentam com interessantes comentários. Consideramos aqui como fontes secundárias os comentários feitos por sucessivos mestres do Ayurveda, aos trabalhos clássicos, acumulados ao longo da história deste sistema médico.

Eco chama a atenção que “o verdadeiro objeto da tese” ( Eco, 1988; 35 ) depende da acessibilidade as fontes. Onde podem ser encontradas? São facilmente acessíveis? Como resposta a esta questão, foi possível, ao longo dos últimos dez anos, reunir os textos clássicos do Ayurveda e os comentários feitos pelos principais autores modernos a estas obras.

A maioria dos autores modernos ocidentais parece não ter conhecimento do desenvolvimento heterogêneo do pensamento filosófico dentro da tradição médica indiana (Zysk, 1996; 1 a 11 ). Os primeiros textos que falam de medicina na Índia são os Vedas, como afirmou o professor Max Muller, indólogo alemão de Oxford, no seu trabalho “The Six System of Indian Philosophy” publicado logo após a sua morte em 1900:

“ Qualquer nome que os Vedas possam ser chamados, eles são únicos guias sem preço ao abrir perante nossos olhos tumbas de pensamen-

Tos mais ricos em relíquias do que as tumbas reais do Egito, e mais antigos and primitivos em pensamento do que os mais velhos hinos

da Babilônia… se nós podemos supor que eles pertencem ao segundo milênio anterior a nossa era, nós estaríamos provavelmente em solo

seguro, nós não devemos esquecer que esta é uma data construtiva, e uma data e uma data não se torna real pela mera repetição.”( Muller,

em Feuerstein, Kak e Frawley, 1999, 42 )

Os Vedas são a fonte e origem de toda a tradição hindu e a medicina dos Vedas é encontrada em dois dos quatro textos; o Rig Veda e o Atharva Veda. Alguns autores chamaram esta medicina de mágico-religiosa pois foi um sistema de cura baseado no contato com as forças do sobrenatural:

“ Existem evidências indicando que a medicina dos Vedas, era fundamentalmente um sistema de cura baseada na magia. Acreditava-se que a doença era produzida pelas

forças demoníacas ou malévolas, quando elas atacavam e entravam nos corpos de suas vitimas, levando as manifestações das condições mórbidas do corpo.” ( Zysk, 1998; 15 )

Os autores indianos afirmam que o Ayurveda é proveniente dos Vedas,( Sharma, 2004: 7) ou seja da medicina mágico-religiosa prevalente na época Védica, que Max Muller colocou como sendo o segundo milênio anterior a era cristã. Porem a racionalidade médica do Ayurveda é distinta dos Vedas, sendo definida como um sistema empirico-racional pois considera a falta de harmonia com as leis da natureza como a verdadeira causa das patologias, negando a etiologia sobrenatural de invasão por espíritos e demônios.

“ O vasto corpo de conhecimento, que o termo Ayurveda se refere, é algumas vezes considerado um quinto Veda. A primeira expressão do conhecimento ayurvedico pode ser

encontrado no Atharva-Veda, um dos quatro hinos que compõe os Vedas. A partir destes uma longa e obscura linha de desenvolvimento levou aos tratados médicos da era cristã :

o Caraka-Samhita ( 150 A. D. ) e o Susruta-Samhita ( 350 A. D. ). Este ultimo trabalho é atribuído ao santo e médico Susruta, que parece ter vivido no século IV antes

da era cristã, por conseguinte pode ter sido um contemporâneo de Gautama, the fundador do Budismo.( Feuerstein, Kak e Frawley; 1999, 212 )

Os autores acima colocaram “…From there a long but still obscure line of development led to the great medical compendiuns of the pos- Chistian era…” esta “linha obscura de desenvolvimento” será o fundamento para a nossa pesquisa pois as raízes históricas do clássico Ayurveda ainda se encontram na “escuridão”. Do período védico, 2000 a 1000 antes da nossa era, até os autores clássicos temos centenas de anos de “trevas” que não são questionados pelos autores modernos. A mera aceitação da origem mítica do Ayurveda, como colocam os autores clássicos indianos, não pode ser validada pelos historiadores modernos e não sendo aceita pelos autores ocidentais.

“ De acordo com a tradição médica Indiana, o conhecimento da medicina tem uma dupla origem. Por um lado, foi transmitido pelo deus Indra para sabio Bharadvaja, e dele

para Atreya: de outra maneira, descendeu de Indra para Dhanvanthari ( tambem chamado Divodasa, and Kasiraja ), e deste para Susruta. Esta tradição desenvolve a medicina através

do mítico para o semi-mitico, até o início histórico.”( Hoernle;1994, 7 )

Nós acreditamos que este “ inicio histórico ” precisa ser explorado para compreendermos melhor as raízes e o desenvolvimento do Ayurveda clássico, na sua origem no sub-continente indiano, em algum momento no primeiro milênio anterior a nossa era. Pois acreditamos que a mudança de paradigma da medicina mágico-religiosa prevalente nos Vedas para a medicina empírico-racional sistematizada no Ayurveda clássico levou séculos de desenvolvimento sob varias influencias. Ou seja, buscamos uma mola propulsora para estas transformações nos anos que antecederam a era cristã. Como afirma o indólogo francês Jean Filliozat:

“ A medicina Indiana retirou dos Vedas até mesmo os seus principais elementos da sua doutrina geral. Logo o Ayurveda é o legitimo herdeiro dos Vedas, porem o

patrimônio recebido foi desenvolvido a uma extensão muito maior. Ele organizou e sistematizou antigas idéias, o que constituiu um enorme tesouro milenar de observações e

experiências relacionando-se as doenças e a maneira de curá-las. Quando, pela primeira vez, nós cruzamos com os textos clássicos, parece que existe um abismo entre o

corpo de conhecimento, acumulado, e a escassa noção médica que pode ser encontrada nos antigos textos da tradição dos Vedas. Os trabalhos intermediários, aqueles que nós poderíamos

observar a gradual formação do vasto edifício que, de repente, aparece a nossa frente, em uma formatação já pronta, não chegou aos nossos dias. É, por conseguinte, muito re-

levante mensurar as profundezas do solo védico o qual estão as raízes fundamentais do Ayurveda. E também é devido a necessidade de uma continuidade entre as especula-

ções védicas e a doutrina clássica do Ayurveda que nós podemos afirmar, com certeza, a existência de uma tradição intermediária.”( Filliozat, 1964; 188 )

Filliozat coloca a existência de um “abismo” entre o conhecimento médico dos Vedas e os textos clássicos do Ayurveda. Este “abismo” teria sido ocupado por uma ou mais tradições intermediarias ou, concomitantes que seriam o “elo perdido” entre a medicina mágico-demonólogica dos Vedas e o sistema empírico-racional do Ayurveda. Mas qual seriam esta tradições? Por que elas foram ignoradas pelos pesquisadores indianos? E quais documentos, sobre estas tradições, chegaram aos nossos dias? Esta seria uma das linhas, que pode ser vista como estratégica, de investigação deste projeto de doutorado.

O Ayurveda é uma racionalidade médica com duas escolas clássicas: a escola de medicina de Atreya e a escola de cirurgia de Susruta. Segundo a tradição do budismo antigo, na época de Buddha, século VI A C, havia dois grandes centros de conhecimento onde todas as ciências eram ensinadas, inclusive a medicina:

“…Estas duas universidades eram Kasi ou Benares no leste, e ainda mais famosa Taksasila, ou Taxila ( no rio Jhelan ) no oeste. Nesta ultima universidade, durante o período de

Sidarta Gautama, o Buda, ou logo após, o professor titular de Medicina era Atreya… como um dos nomes do professor de Susruta é Kasiraja, que literalmente significa rei de Kasi,

ele pode ser referido a universidade de Kasi, ou Benares. Isto colocaria a origem da cirurgia, como uma ciência, no leste da India.” ( Hoernle, 1994; 7 e 8 )

Estas duas escolas, surgiram, segundo Hoernle, em distintas regiões da Índia: a medicina interna, com Atreya, no oeste, em Taxila, e a cirurgia, com Susruta, no leste, em Benares ou Kasi, modernamente denominada Varanasi. Mas podemos perguntar: A escola da cirurgia, com Susruta, e a escola de medicina interna, com Atreya apresentam a mesma racionalidade médica no interior do pensamento ayurvedico clássico? Ou as duas escolas clássicas apresentam pensamentos heterogêneos ? As diferenças entre as duas escolas não foram, até a presente data, devidamente explorada na literatura ocidental. Acreditamos que compreender adequadamente a racionalidade médica indiana implica em explorar estas duas escolas através dos autores clássicos do Ayurveda e de seus comentários, ou seja implica em pesquisar as fontes primárias e secundárias da tradição médica indiana. O pesquisador e indólogo francês Jean Filliozat coloca as duas linhas de desenvolvimento do Ayurveda clássico:

Brahma
Prajapati
Asvins
Indra

Divodasa – Dhanvantari Bharadvaja

Susruta Atreya Punarvasu

Nagarjuna Agnivesa Bhela

Caraka

( Filliozat, 1964: 16 )

(Um exemplo do mesmo estilo de estudos feitos em relação a Medicina Chinesa pode ser encontrado em Medicine in China – History of Ideas, Unschuld, 1985.)

O Ayurveda é uma racionalidade médica que, esteve desde seu inicio, interligado com as filosofias indianas védicas e não védicas. Todo conhecimento é produto de uma civilização e o pensamento no Ayurveda sofreu a influência das diversas escolas filosóficas, prevalentes na Índia durante centenas de anos, e que compõem um corpo de conhecimento heterodoxo, muitas vezes conflitantes. Apesar dos autores indianos afirmarem que o Ayurveda é um sistema derivado dos Vedas sabemos que tradições não védicas influenciaram o seu desenvolvimento. A afirmação do professor Ramachandra Rao revela a complexidade do desenvolvimento histórico desta Medicina:

“ A medicina profissional na Índia tem quatro linhas maiores de desenvolvimento, todas elas possuem origem em um passado remoto. Duas delas, uma representada pelo médico

Caraka e a outra pelo cirurgião Susruta ( ambos viveram nos séculos anteriores a era cristã ), são coletivamente denominadas o como Ayurveda ( ou “A Ciência da Vida” ), e são vistas como

um conhecimento integrado ao corpo vedico. Elas constituem uma tradição, detalhada, de oito ramos. A terceira linha de desenvolvimento é o sistema de alquimia terapêutica conhecida como Rasavaidya ( a escola Rasayana ), onde a utilização de metais e mercúrio é muito extensa. Este é o ponto de encontro da química Indiana e a Medicina Indiana. Este sistema, normalmente incluido dentro da tradição do Ayurveda, desenvolveu se de forma independente do corpo vedico, através do contato com outras culturas como a Árabe, Persa e Chinesa. A quarta linha de desenvolvimento é o sistema Siddha ( ou “o adepto” ), que possui uma origem largamente obscura, porem foi certamente fora da tradição vedica; no presente é prevalente apenas no Sul da Índia, especialmente em Tamil Nadu. Existem poucas dúvidas que todos estes sistemas tiveram suas raízes na cultura, do Tantra e foram, em grande parte, influenciada pelo complexo Yoga-Samkhya”. ( Rao, 1985; 3 )

O professor Ramachandra Rao coloca a possibilidade de outras escolas não védicas terem influenciado o desenvolvimento do pensamento no Ayurveda clássico, esta colocação, entretanto, não é aceita pela maioria dos autores indianos, que se referem ao Ayurveda como um upaveda, ou seja um conhecimento derivado dos Vedas com oito ramos principais:

“Medicina Interna:
Ciência das doenças especificas da região supra clavicular: olhos, nariz, ouvido, boca e garganta Cirurgia
Toxicologia Ciência do ataque demoníaco Pediatria
Ciência do rejuvenescimento
Ciência doa afrodisíacos”
( Sharma e Dash, 1995; 603)

A “ ciência do ataque demoníaco”, uma das especialidades do Ayurveda segundo Caraka, faz parte da medicina mágico-religiosa dos Vedas, é provavelmente aquilo que o Iogue Ramacharaca no seu livro “ As Doutrinas Esotéricas das Filosofias e Religiões da Índia” denominou “magia branca e magia negra do Atharva Veda” (Ramacharaca, 1975: 225) .

Em resumo, o que pretendemos com nossa pesquisa, é investigar através das fontes primárias, da literatura ayurvedica clássica indiana, que chegaram aos nossos dias, o desenvolvimento histórico, comparando as duas principais escolas tradicionais ou seja a escola de medicina interna, representada por Charaka Samhita, e a escola de cirurgia, originada no Susruta Samhita, em suas dimensões do diagnostico e das intervenções terapêuticas ,. Buscaremos auxilio, necessário, em fontes secundárias, aquilo que Umberto Eco chama de literatura critica ( Eco, 1988; 35 ). Acreditamos que tal investigação não foi suficientemente realizada, até hoje, pelos autores ocidentais. Mesmo na Índia, provavelmente pela influencia cultural de natureza religiosa, a literatura moderna sobre esta linha de pesquisa ainda é escassa.


 

OPÇÕES CONCEITUAIS DO ESTUDO

Sendo este um projeto de pesquisa caracterizado como teórico-conceitual, com uma perspectiva predominantemente filosófica embora inclua o olhar sócio-histórico e antropológico, baseia-se nas seguintes opções conceituais:

Racionalidades Médicas, categoria definida por Luz em seus estudos de 1988, 1996 e 2003.
Sistema mágico-religioso e sistema empírico-racional classificação desenvolvida por Zysk em 1985 e 1991
História médica indiana comparada, estudo teórico desenvolvido por Filliozat em 1964.


 

CRONOGRAMA

Considerando o prazo máximo de quatro anos como período para integralização do doutorado, estabelecemos o seguinte cronograma:

Março de 2005 a dezembro de 2006 : realização dos créditos referentes as disciplinas
2- Dezembro de 2006 a abril de 2007 elaboração da versão final do projeto com defesa do projeto.

3- Abril de 2007 a março de 2009

3.1- Revisão bibliográfica

3.2 – Pesquisas de fontes primárias

3.2 -Pesquisas de fontes secundárias

3.4- Participação em seminários, discussões com o orientador e pesquisadores nacionais e internacionais

3.4- Participação, como pesquisador convidado, por 3 meses, na Gujarat Ayurved University, Índia. Onde terei a oportunidade de esquadrinhar as teses de doutorado e outras fontes bibliográficas sobre os autores clássicos do Ayurveda.

3.5- Defesa de tese em março de 2009


 

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Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, acupunturista e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Phramacy, tradicional escola de Ayurveda do sul da Índia. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ, presidente da Associação Brasileira de Ayurveda e autor do livro “ A Tradição do Ayurveda” pela editora Águia Dourada.

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