Feche os olhos e entre em estado meditativo. Agora imagine incontáveis esferas gigantescas em volta das quais há outras esferas gigantescas, as quais estão envolvidas por uma terceira esfera tão grande que abarca todas as demais esferas. Estas três categorias de esferas, de tão imensas, estão muito além da sua capacidade sensorial de percepção.

Metade da esfera maior é ocupada pelo Oceano Causal, conhecido como Karanodakashayi em sânscrito. Sobre este Oceano flutua a incomensurável serpente Ananta, sobre a qual repousa em yoganidra (o sono místico) o Purusha primordial, chamado Karanodakashayi Vishnu. O sonho deste Purusha é a criação do cosmos – a cada inspiração dEle, a criação se torna imanifesta; e a cada expiração, a criação se torna manifesta, podendo-se ver saírem dos poros de Seu imenso corpo deitado inúmeros universos. A Deusa Lakshmi, absorta em massagear os pés do Purusha, contempla este movimento de dimensões de tempo extraordinárias e sorri extasiada.

Cada um dos universos surgidos dos poros do corpo de Karanodakashayi Vishnu corresponde a uma segunda esfera. Metade de cada segunda esfera é ocupada pelo Garbhodakashayi (o Oceano Placenta), sobre o qual repousa uma segunda expansão do Purusha chamada Garbhodakashayi Vishnu, também adormecido em yoganidra. Do umbigo deste Purusha, surge uma flor de lótus de proporções espetaculares, e, ao se abrirem suas pétalas, surge Brahma, a primeira criatura, sentado em padmasana, a postura do lótus. Assim, Brahma é filho unigênito de Garbhodakashayi Vishnu. Este mesmo Brahma entra em meditação e recebe, através do som da flauta de Krishna, a semente de todo o conhecimento. Ele rega esta semente com a água de sua dedicação e, deste modo, faz surgirem todas as formas de vida do universo, inclusive os planetas. Neste momento, nascem da inteligência de Brahma os primeiros naras, ou seres humanos, a quem Brahma incumbe de povoar os planetas terrestres, ou intermediários; os primeiros devas, ou semideuses, a quem Brahma incumbe de povoar os planetas celestiais, ou superiores; e os primeiros assuras, a quem Brahma incumbe de povoar os planetas sombrios, ou inferiores.

Concomitantemente, naquelas que seriam as terceiras esferas manifestam-se as expansões do Purusha chamadas Kshirodakashayi Vishnu (pois repousam sobre o Oceano de Leite, Kshira). Estas formas do Purusha assumem dimensão infinitesimal para penetrarem em cada átomo e entre cada átomo e passarem, assim, a ser companheiras de cada atma, ou alma espiritual individual, e a testemunhar os desejos de cada uma dessas atmas enquanto estão condicionadas às diversas formas de vida material (os reinos mineral, aquático, vegetal, animal, humano, dêvico e assúrico).

Agora, procure compreender que estes três Purushas ocupam apenas um terço do Reino de Deus, exatamente o espaço reservado para aqueles que se esqueceram de sua consciência divina e de sua relação eterna com Deus. Entenda, ainda, que, além deste um terço regido pelos três Purushas, não existe nascimento nem morte, muito menos necessidade de luz do sol, da lua ou de eletricidade, pois basta o brilho emanando de cada ser habitante desta região para iluminar tudo.

E o nara, ou ser humano? O nara é a forma de vida propícia para a atma, a centelha divina, entender quem é de fato e despertar para o seu elo natural com Deus.

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