A prática e a filosofia do Ayurveda são úteis não apenas para restaurar o equilíbrio do corpo, mas também do espírito. Assim como podemos identificar nossos doshas predominantes (Vata, Pitta e Kapha) e cultivar hábitos coerentes com nossas necessidades, devemos reconhecer os nossos padrões mentais, que vão determinar a maneira como percebemos e respondemos ao estímulos externos.

Tais padrões são chamados de Gunas e representariam nossas tendências mentais: Sattva, Rajas e Tamas.  Uma mente com predominância de Sattva, o princípio do contentamento, da paz e da harmonia, é mais pura, mais positiva e alegre. É típica de pessoas sensíveis e perceptivas. O predomínio de Rajas, princípio da energia, gera movimento, mudança, emoção e desequilíbrio. Uma pessoa com mente rajásica em geral é irritadiça, passional, agitada e dominadora. Tamas é o princípio da inércia; em excesso na mente gera pessoas rígidas, depressivas e resistentes à mudança. Estas três enrgias coexistem dentro de nós e devemos reconhecê-las para sermos capazes de preservar seu equilíbrio. Para vivermos de maneira harmoniosa, deve-se ter Sattva predominante, com pitadas de Rajas e Tamas que tragam movimento e descanso na medida certa. O Ayurveda ensina que somos responsáveis por nossa saúde e como sermos seletivos em relação ao alimento, aos pensamentos e às ações. Técnicas respiratórias, ásanas e meditação são alguns dos recursos deste milenar sistema de saúde indiano que nos ajudam a equilibrar os Gunas e a viver de maneira mais prazeiroza e plena, mais calmos e integrados com a nossa própria natureza.

 

 

 

 

Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, acupunturista e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Phramacy, tradicional escola de Ayurveda do sul da Índia. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ, presidente da Associação Brasileira de Ayurveda e autor do livro “ A Tradição do Ayurveda” pela editora Águia Dourada.

Últimos posts por Aderson Moreira da Rocha (exibir todos)

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *