FITOTERAPIA: ESTUDO DAS PLANTAS MEDICINAIS

Neste artigo colocamos algumas plantas medicinais na visão do Ayurveda. As indicações são da experiencia tradicional e não necessariamente apresentam evidencias cientificas. Nós não recomendamos a auto medicação, se você tem interesse em fazer um tratamento com fitoterapia procure um profissional de saúde com experiencia no uso das plantas medicinais.

  1. ALCAÇUZ

Glycyrrhizae glabra

Nomes populares: glicirriza, madeira-doce e raiz-doce, licorice (inglês), orozus e regalicia (espanhol), liquirizia comune (italiano), deutsches süssholz (alemão).

Parte usada: raiz

Energia: neutra, fria

Sabores primários: doce e amargo

Vipaka: doce

Ação sobre os doshas: diminui VP, aumenta K (se usada por longo tempo)

Propriedades medicinais: anti-séptica, antiespasmódica, antiinflamatória, antimicrobiana, antioxidante, antitóxica, antitumoral, aromática, diurética, emoliente, expectorante, refrescante, tônica, carminativa, antiemetica e analgésica.

Indicações: o chá de alcaçuz é utilizado contra inflamações do abdome e das vias urinárias. Em loções e pomadas é utilizado para tratamento de abscessos, feridas e úlceras. O chá também serve para bochechos contra inflamações bucais. Usado também na culinária como edulcorante em produtos de confeitaria e para a fabricação de balas.

Na cosmética é usado em loções para limpeza da pele, tratamento da acne, cremes hidratantes que ajudam na prevenção de rugas e na melhoria da textura da pele. Utilizado ainda como ingrediente de géis e loções de proteção solar.

Contra-indicações: gravidez, lactação; associação com hexobarbital, hipertensão arterial, diabetes, insuficiência renal, glaucoma, insuficiência cardíaca

Dose: pó, 1 a 9 g.

As propriedades do alcaçuz são conhecidas há mais de 3000 anos pelos egípcios e gregos, que apreciavam seu sabor suave e adocicado. Ele é originário da Europa Meridional e do Oriente. A planta é cultivada em campos e tem grande facilidade de adaptação.

É uma planta arbustiva que atinge até 2 metros de altura, com raízes fortes e volumosas e estolhos subterrâneos horizontais. Suas folhas são compostas, com visgo na parte inferior. As flores possuem coloração azul ou lilás e reúnem-se em inflorescências do tipo espiga. Seu fruto é uma cápsula alongada, que contém várias sementes.

  1. BABOSA

Aloe vera

Nomes populares: sábila, zabira (arab), aloe del Mediterráneo, aloe de Barbados, erba babosa (port), aloe de Curacao, siempreviva (oeste da India), laloi (India), bamboo (bermudas)

Parte usada: basicamente duas: o gel, que é a porção mucilaginosa do parênquima tissular, e o suco ou exsudato; o suco coagulado é um sólido cristalino de cor parda e muito amargo denominado látex, que é o resultado da incisão das folhas cortadas transversalmente. Este látex pode ser aquecido em laboratório e posteriormente transformado em pó.

Energia: fria

Sabores primários: amargo, adstringente, picante, doce

Vipaka: doce

Ação sobre os doshas: o gel harmoniza VPK; o pó, exceto em doses muito baixas, agrava V.

Ações: alterativo, tônico amargo, rejuvenescedor, emenagogo e purgante.

Indicações: febre; constipação, obesidade, condições inflamatórias de pele, adenomegalias, conjuntivite, bursite, icterícia, hepatite, aumentado do fígado ou baço, herpes, doenças venéreas, amenorréia, dismenorréia, menopausa, vaginite, tumores e parasitoses.

Contra-indicações: gravidez, hemorragia uterina ou período menstrual. Crianças abaixo de 12 anos, hemorróidas, suspeita de distúrbios intestinais como apendicite, colites e doença de Chron.

Modo de usar: gel fresco e pó (100 a 500 mg)

O nome aloe deriva do grego aloe, do árabe alloeh ou do hebreu halal e significa, em todos os casos, substância amarga e brilhante. Também conhecida na India como kumari, significando menina ou virgem, porque dá a energia da mocidade e provoca a renovação da natureza feminina.

Acredita-se que a babosa seja originária da Ilha de Socotra (noroeste da África, no Oceano Índico). Existem cerca de 360 espécies de babosa nas zonas tropicais; atualmente cultiva-se a babosa em quase todo o mundo, sendo inclusive utilizada como planta ornamental de jardins e passeios públicos. A espécie mais cultivada entre as diversas existentes é a Aloe barbadensis (ou Aloe vera), cujas plantações mais importantes encontram-se nos EUA, Curaçao, Aruba, Rep. Dominicana, Haití, Cuba, México e países do sul da Europa.

Quando se deseja empregar a babosa com fins medicinais deve-se escolher plantas com 4 a 5 anos de idade e as folhas mais inferiores por serem mais antigas e as mais ricas em princípios ativos. O corte se faz logo após a floração. As plantas mais expostas ao sol produzem menos polpa (gel) e mais látex (suco).

O gel da babosa é um tônico maravilhoso para o fígado e baço, para o sangue e o sistema reprodutivo feminino. Esta planta regula a glicemia e o metabolismo das gorduras e tonifica Agni ( metabolismo e enzimas digestivas do corpo)  e, ao mesmo tempo, reduz Pitta. É rejuvenescedor para Pitta e para o útero. Podem ser ingeridas duas colheres de chá de aloe vera três vezes por dia, com uma pitada de açafrão, como um tônico geral; é mais saboroso misturado com água ou suco de maçã.

O suco fresco pode ser aplicado externamente em queimaduras, feridas, herpes, etc.

O pó de babosa é um laxante poderoso que deve ser usado em quantidades pequenas. O gosto do pó é um pouco nauseante, por isso é preferível ingerir na forma de cápsulas. O pó também pode causar gases e deveria ser ingerido preferencialmente com uma planta carminativa, como o açafrão.

No Peru, grande número de pessoas tem o hábito de

deixar penduradas atrás da porta algumas folhas de babosa

para proteger suas casas da energia negativa de algum eventual inimigo.

É muito difundido também o hábito de banhar-se

com as folhas para ter sorte no amor…

  1. EQUINACEA

Echinacea angustifolia

Nomes populares: echinacea, coneflower (ingl), rudbeckie (franc).

Parte usada: raiz (colhidas no outono). A equinácea necessita de 3 a 4 anos para que suas raízes sejam suficientemente grandes para serem aproveitadas de forma medicinal.

Energia: fria

Sabores primários: amargo, picante.

Vipaka: picante

Ação sobre os doshas: diminui PK, aumenta V

Ações: alterativo, diaforético, antibacteriano (bacteriostático), antifúngica (fungostático), antivirótico, anti-séptico, analgésico, imunomodulador.

Indicações: condições tóxicas do sangue, toxemia, gangrena, eczema, mordidas venenosas ou picadas, doenças venéreas, prostatite, infecções, feridas, abscessos, distúrbios e alergias respiratórias.

Contra-indicações: anemia, vertigem, Vata aumentado, gravidez.

Efeitos adversos ou tóxicos: em alguns pacientes observou-se quadro de sialorréia em doses usuais. Em altas doses pode gerar náuseas e vertigem. Vários testes não têm demonstrado hepatotoxicidade e carcinogenicidade. Até o momento não foram realizados testes de toxixidade aguda ou crônica com extratos totais de equinácea. Na Alemanha, recomenda-se o uso da equinácea em certas enfermidades que possam comprometer o sistema imunológico, como diabetes, esclerose múltipla, AIDS, Lupus, tuberculose, leucemia, colagenoses, etc..

Modo de usar: infusão (quente ou frio), pó (250 mg a 1 g), tintura

A equinácea é uma planta originária do centro e sudoeste dos EUA e cresce em locais secos e bosques. As flores que se cultivam em jardins podem apresentar cores variadas: malva, púrpura e branca, dependendo da espécie. A equinácea provavelmente é o melhor agente desintoxicante dentro da fitoterapia ocidental. É um antibiótico herbário natural, cortando os efeitos da maioria dos venenos no corpo, depura os sistemas sanguíneo e de linfático, catalisa a ação dos leucócitos e ajuda a conter a formação de pus e putrefação de tecido. Em termos de Ayurveda é utilizada para destruir Ama. A equinacea tem ação mais marcante no sangue e nos pulmões, sendo comum seu uso em resfriados, influenzas, etc. No caso de vertigem pode ser combinada com alcaçuz.

Deve-se ter o cuidado para adquirir a planta bastante fresca, pois perde sua potência em seis meses ou menos, razão pela qual o forma de tintura é freqüentemente preferível.

Pode ser usada externamente como cataplasma ou para lavar mordidas ou feridas infeccionadas.

  1. VALERIANA

Valeriana officinalis

Nomes populares: erva dos gatos, valerian (ingl)

Parte utilizada: raízes. Devem ser colhidas de plantas com mais de 1 ano de idade, especialmente na época de verão e outono.

Energia: quente

Sabor primário: picante, amargo

Vipaka: picante

Propriedades: nervino, antiespasmódico, carminativo e sedativo

Ação sobre os doshas: diminui VK, aumenta P

Indicação: a valeriana é uma planta calmante e sedativa. Alivia dor, câimbras e espasmos e é um estimulante do cérebro. Esta planta pode ter efeitos opostos em indivíduos que apresentam quadro de calor interno, já que é amornante além de sedativa. Este é um exemplo claro da necessidade de se prescrever plantas levando-se em conta sua energia em lugar de escolher puramente pela indicação sintomática. As indicações terapêuticas, como também o equilíbrio enérgico constitucional, devem ser levadas em conta. A valeriana é ótima para indivíduos friorentos e  nervosos, ou seja, distúrbios do dosha Vata.

Contra-indicações: gravidez e amamentação (por causa do óleo essencial). Evitar prescrever juntamente com depressores do sistema nervoso por causa da possível potencialização dos efeitos.

Efeitos tóxicos e/ou adversos: as doses orais sâo bem toleradas em geral, mas alguns efeitos indesejáveis têm sido observados devido a administração prolongada ou pelo uso de doses muito altas (mais de 5 g/dia): pirose, diarréia, cefaléia, vertigens, acúfenos e acentuada depressão central. Estes sinais desaparecem com a suspensão do tratamento.

Dose: pó 3-9 g; tintura, 10-30 gotas.

Existem cerca de 200 espécies de valeriana. Esta planta é originária da Europa e oeste asiático, a valeriana cresce bem em locais arenosos, úmidos e sombrios  e também em zonas montanhosas, a 2000 metros de altitude. A raíz, principal parte utilizada, apresenta odor desagradável característico. É cultivada em vários países como Bélgica, Holanda e Alemanha.

O nome valeriana vem do latim valere, que significa estar saudável. Desde a Antiguidade conhece-se as propriedades sedativas da valeriana; os espanhóis utilizavam-na para a “excitação nervosa da mulher”. Há inclusive um velho adágio catalão que diz “se queres uma mulher saudável, dê-lhe raíz de valeriana…”  Plínio a recomendava nos casos de espasmos da faringe; na Idade Média era citada por Fabio Columna como remédio para epilepsia. Sua utilidade terapêutica já era bem conhecida no século XVI, sedo extensivamente usada em pacientes epiléticos e como febrífugo na época da escassez do quinino. Durante a II Guerra Mundial foi muito utilizada para aliviara tensão nervosa gerada pelos bombardeios, explosões e tantos outros desastres bélicos. Os chineses costumam utilizar esta planta não só com função sedativa, mas como coadjuvante o tratamento de estados gripais e reumáticos.

  1. CAMOMILA

Matricaria chamomila

Nomes populares: manzanilla, manzanilla de Aragón ou alemã (esp), common camomile (ingl), camomilla (ital), camomille (fran)

Parte utilizada: flores. Deve-se colher a partir de 60 a 70 dias após a semeadura.

Energia: fria

Sabor primário: picante, amargo

Vipaka: picante

Ação sobre os doshas: diminui PK, harmoniza V

Propriedades: calmante, nervino, antiespasmódico, diaforético, emenagogo e carminativo

Indicações: nervosismo, cefaléia, ansiedade, câimbras e espasmos. Também é benéfico para doenças febris como resfriados e gripes. É freqüentemente usado para distúrbios digestivas e quando ingerido regularmente leva à regulação suave dos intestinos. Contém uma forma facilmente assimilável de cálcio; uma colher de sopa desta planta macerada em uma xícara coberta com água fervente com duas fatias de gengibre fresco é um tratamento muito efetivo para cólicas menstruais e outras dores e espasmos. O mesmo chá pode ser usado para problemas digestivos secundários, como indigestão e gases.

Contra-indicações: gestação, associação com anticoagulantes

Efeitos adversos e/ou tóxicos: em geral é bem tolerada. Na literatura médica há registrados apenas 5 casos de reações alérgicas à camomila, o último ocorrido há quase 25 anos.

Dose: 6-12 g em infusão; tintura, 10-30 gotas, pó 2 a 8 g.

Esta planta é originária da Europa (Bálcãs), norte da África e Ásia ocidental, sendo cultivada em toda a América. É comum encontrá-la em terrenos baldios e jardins, onde espalha-se rapidamente como planta invasora, atingindo a altura máxima de 30 cm.

O nome camomila vem do grego chamaimelon, que significa “maçã anã”. O fato de comparar a planta à maçã provém das observações de Plínio, que achou muito parecidos a forma do botão floral da planta e o perfume exalado em relação ao tal fruto. Por outro lado, o termo matricaria vem da palavra “matriz” e faz referência a seu uso popular nos transtornos menstruais femininos.

Esta planta é conhecida desde a Antiguidade e suas virtudes são mencionadas num velho adágio: “… em todo jardim ou horta onde há plantas doentes, plantar camomila perto delas faz com que se curem…”.

Além das indicações acima, camomila tem outras aplicações: externamente é usada na aromatização de vermoutes, shampoos (para clarear os cabelos). Os óleos são utilizados mais para dar fragrância a cremes, detergentes, loções, perfumes e sabonetes.

  1. QUEBRA-PEDRA

Phyllantus niruri

Nomes populares: sarandí, sarandí branco

Parte usada: folhas; uma maior proporção de princípios ativos é encontrada em plantas com mais de 2 anos de vida. Na Índia  é comum utilizar-se a planta toda com fins terapêuticos.

Energia: fria

Ação sobre os doshas: diminui KP, aumenta V

Propriedades: desobstrutiva, diurética, adstringente e refrescante.

Ações: diurética, adstringente e refrescante.

Indicações: hepatite, gota, cálculos urinários e hepáticos, colelitíase, edemas, diabetes, azia, prostatite

Contra-indicações: gravidez, amamentação

Efeitos adversos ou tóxicos: não existem até o momento estudos de toxicidade aguda, subaguda ou crônica, mas o uso dentro das doses usuais não produziu nenhum tipo de efeito adverso ou tóxico.

Modo de usar: pó (1 a 4 g). Deve-se fazer uso interrompido (3:1 semanas).

Arbusto originário do sul do Brasil, nordeste da Argentina, Paraguai e Uruguai, podendo atingir quatro metros de altura, mas é comum em toda a Índia central e sul, indo até o Sri Lanka. Há poucos dados históricos sobre o uso desta planta na época da ocupação espanhola, mas a partir do século XIX começou a ser tradicionalmente utilizada no Rio da Prata por ser antidiabética e eliminadora de cálculos renais.

O quebra-pedra é extensamente utilizado na medicina popular como antidiabético, fazendo-se a decocção do córtex ou da planta inteira e tomando-se 2 a 3 copos/dia. A infusão das folhas (1%) também é empregada para este fim. Como diurético aconselha-se a ingestão da infusão combinada do córtex e das folhas. A infusão dos caules foliáceos é recomendada como purgante, antiictérico e antiséptico de lesões ulceradas. Aqui no Brasil o quebra-pedra é largamente utilizado como diurético, antiespasmódico e analgésico.

Uma decocção feita com leite de vaca da planta é administrada na icterícia e pode ser dada pela manhã e à noite. A planta toda também é empregada em algumas formas na hidropsia, gonorréia, amenorréia e outras afecções semelhantes. Brotos novos e tenros são administrados na forma de infusão para disenteria crônica. O suco do caule, misturado com óleo, é usado em problemas oculares. A planta, triturada com a raiz e misturada com água de arroz, é usada como cataplasma para úlceras, ferimentos e inchaços. Um cataplasma das folhas, com sal, cura coceira e outras afecções da pele. Como amargo estomacal, é útil na dispepsia.

  1. PATA DE VACA

Bauhinia fortificata

Nomes populares: árvore orquídea, bauínia, capa-bode, casca-de-vaca, casco-de-burro, miroró, mororó, mororó-de-espinho, pata-de-vaca-branca, pé-de-boi, unha-de-anta, unha-de-boi, unha-de-vaca, unha-de-veado, pezuña de vaca, pesña de vaca (espanhol).

Energia: fria

Sabor primário: adstringente

Vipaka: picante

Ação: acalma K e P

Partes usadas: folhas.

Propriedades medicinais: antidiabética, hipoglicêmica, purgativa e vermífuga.

Indicações: diabetes e distúrbios do sistema urinário, obesidade, regularizando a excreção de urina. No uso popular, é empregada algumas vezes para eliminar vermes intestinais, nos casos de prisão de ventre e na forma de emplastros para tratar de elefantíase e mordidas de cobra.

Contra-indicações: não há, se usada em doses terapêuticas. Em caso de gestação ou lactação, deve ser usada somente sob orientação médica.

Efeitos colaterais: não há, se usada em doses terapêuticas.

Planta originária da Ásia e que se adaptou muito bem ao Brasil, sendo encontrada hoje em diversas regiões do país. É uma planta ornamental, mas também muito utilizada para fins medicinais. Sua madeira é utilizada na carpintaria, para fabricação de móveis. A pata-de-vaca brasileira tem ainda outras utilidades: pode ser usada como cerca viva devido à presença de espinhos e, como cresce rapidamente, é recomendada para reflorestamento, além de ser plantada próxima a locais de criação de abelhas, pois produz muito pólen.

Árvore caducifólia, de crescimento rápido, que pode atingir até 10 metros de altura. A copa é arredondada e o tronco, tortuoso e ramificado em ramos frágeis ou pendentes, de onde saem espinhos. As folhas são verde-claras, ovais, de tamanho variado e compostas de dois folíolos unidos pela base. As flores são grandes, branco-avermelhadas, axilares ou terminais e florescem no verão e início do outono. Os frutos são do tipo legume (vargem), linear, achatados e escuros.

  1. BOLDO-DO-CHILE

Peumus boldus

Nomes populares: boldo, boldo (inglês), boldo (espanhol) e boldo (italiano).

Partes usadas: folhas, óleo essencial e frutos.

Energia:  fria

Sabor primário: amargo

Ação sobre os doshas: acalma Pitta

Propriedades medicinais: anestésica, anódina, anti-helmíntica, anti-séptica, antibacteriana, antifúngica, antiinflamatória, antimicrobiana, antioxidante, carminativa, colagoga, colerética, demulcente, depurativa, desintoxicante, digestiva, diurética, estimulante, estimulante biliar, estomáquica, hepática, hepatoprotetora, hepatotônico, hipnótica, sedativa, tônica e vermífuga.

Indicações as folhas dessecadas e preparadas por decocção são usadas contra má-digestão, flatulência, afecções do fígado e da vesícula, hepatite, cálculos biliares, insônia, fraqueza orgânica, reumatismo, gota, problemas diuréticos, diarréia, prisão de ventre, febre e dispepsia. Os frutos são comestíveis.

Beleza: a ingestão do macerado do boldo (2 folhas para 1 copo de água, à noite e pela manhã) durante uma semana acaba com o cansaço da pele, dando-lhe viço e realce.

Contra-indicações: não deve ser usado durante a gravidez.

Efeitos colaterais: em altas doses pode provocar vômitos, diarréias e alterações do sistema nervoso (efeito narcótico). Pode ser abortivo e provocar hemorragias internas. Steinegger & Hansel (1988) relatam alguns efeitos colaterais que podem ser desencadeados pelo uso prolongado ou de altas doses do P. boldus: hepatotoxicidade, hiperemia da mucosa gastrointestinal, que pode levar a inflamações, distúrbios da coordenação, alterações psíquicas e convulsões. Esses efeitos são atribuídos à presença de ascaridol.

Originário dos Andes chilenos, o boldo-do-chile é encontrado também na Bolívia e no Peru e cultivado em alguns países da região mediterrânea (sul da Europa e norte da África). No Brasil, a planta é raramente encontrada, sendo muitas vezes confundida com outros tipos de boldo, também chamados de falsos-boldos (boldo-de-jardim ou Coleus barbatus, e assa-peixe ou boldo-baiano, da espécie Vernonia condensata. Veja também no nosso site as fichas dessas outras duas plantas). O boldo-do-chile é geralmente encontrado no Brasil em farmácias especializadas, na forma de elixir, tinturas e drágeas, ou no comércio de chás. As suas folhas foram estudadas pela primeira vez na Europa em 1896 pelo médico francês Dujardin Baumez. No entanto, seu uso é muito antigo: algumas de suas propriedades medicinais são conhecidas há séculos por grupos indígenas e povos da região andina. É conhecido também pelos sinônimos científicos Boldos fragans, Boldus fragans e Ruizia fragrans.

Árvore de ciclo perene que atinge até 15 metros de altura. As folhas são aromáticas, opostas, ovadas ou oblongas, obtusas, pecioladas, com 3 a 7 centímetros de comprimento, de cor verde-brilhante ou verde-acinzentada. Observada por transparência, contra uma fonte de luz intensa, sua folha mostra pontos translúcidos, formados por glândulas unicelulares, cheias de essência que lhe conferem um aroma característico, parecido com hortelã e cânfora. As flores, de sexos separados, são reunidas em inflorescências do tipo racimo, com flores pequenas e brancas. Os frutos são do ovóides, carnosos e com 5 a 7 mm de comprimento.

  1. CAPIM LIMÃO

Cymbopogum citratus

Nomes populares: capim-cheiroso, capim-cidreira, capim-cidrilho, capim-de-cheiro e falsa-erva-cidreira, cymbopogonis (latim), lemon grass (inglês), hierba limón (espanhol), citronnelle (francês) e zitronengras (alemão).

Parte usada: folhas

Energia: fria

Sabor primário: picante, amargo

Vipaka: picante

Ação sobre os doshas: diminui PK, neutro para V

Propriedades medicinais: analgésica, anti-séptica, antiespasmódica, antimicrobiana, aromática, bactericida, calmante, carminativa, digestiva, diurética, emenagoga, sedativa e sudorífera.

Indicações: combate à insônia, para melhorar as dores musculares, contra gases abdominais, cólicas uterinas e intestinais, afecções nervosas, dores da gripe, resfriados, tosse, catarro e disfunções gástricas. Na cosmetologia é utilizada para tratamento dos poros dilatados, acne, manchas e sardas, celulite, limpeza de pele e cabelos e limpeza de peles oleosas; usado também em perfumes e sabonetes. Seu óleo pode ser usado como repelente de pulgões e carrapatos quando misturado com água.

Contra-indicações: Para casos de dor abdominal de causa desconhecida

Efeitos colaterais: não foram encontrados na literatura consultada.

Dose: infusão, 20g de folhas/1 litro d’água, 4 a 5 xícaras/dia

O capim-limão é uma planta muito popular oriunda da Índia. Normalmente o capim-limão é confundido com a erva-cidreira (Melissa officinalis), não pela forma, pois são completamente diferentes, mas sim pelo uso e aroma. Tal qual a erva-cidreira, o capim-limão é muito empregado na forma de chás calmantes e soníferos. Atualmente, ele é encontrado em todo o Brasil, onde, no passado, foi muito utilizado no combate à erosão da terra.

O capim limão é uma planta de porte herbáceo, rizomatosa, de ciclo perene e que se desenvolve formando touceiras grandes e densas de até 2 metros. Os rizomas são curtos e com nós bem marcados. As folhas são verde-claras, lineares, alongadas, de textura áspera, finamente estriadas, com bordos lisos e cortantes.

Aderson Moreira da Rocha
Aderson Moreira da Rocha
Médico de família, reumatologista, acupunturista e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Phramacy, tradicional escola de Ayurveda do sul da Índia. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ, presidente da Associação Brasileira de Ayurveda e autor do livro “ A Tradição do Ayurveda” pela editora Águia Dourada.
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